A Performance eo Teatro Performativo SESC A Escola































































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A Performance eo Teatro Performativo SESC A Escola dos Festivais Junho 2014
Arte com ‘A’ • Pressupostos • Arte como dimensão geradora de um conhecimento específico, insubstituível • igualmente importante se comparada com as outras áreas de conhecimento
Estrutura • Parte I - Performance • Parte II - Teatro Performativo • Parte III - O Performativo • Parte IV - (In)Conclusão
Parte I - Performance • Território com uma Topologia complexa • Manifestações - Rizomáticas
Rizoma
Performance • Vai além do Campo da Arte - Bifurcação e ao mesmo tempo Sobreposição entre: • Performance como Arte • Performance Social
História da Performance • Rose. Lee Goldberg - “A Arte da Performance: do Futurismo ao Presente” • Jorge Glusberg, Marvin Carlson, Richard Shechner. . . • Olhares: Leonardo da Vinci e os Banquetes no Renascimento
Aspectos Transversais • A importância dos “Manifestos” - herança e radicalização Romântica • Artistas mais do que artistas: Frank Wedekind
Frank Wedekind
Eixos • A negação da Representação • A dissolução da Personagem • A resistência em contar histórias
A questão da Representação • Representação e Referencialidade • Signo - C. S. Peirce • ícone, índice e símbolo
Icone
Indice
Símbolo
Ampliação e Ressignificação do Símbolo por Warhol
Representação • Associação entre ‘Representação’ e o ‘Já Conhecido’ • Já codificado culturalmente e socialmente
Dissolução gradual do SIGNO “estados, emanações sensíveis, corporeidades
Derrida - “O Teatro da Crueldade e o Fechamento da representação”
Dissolução da Personagem Balé Triádico - Bauhaus
Dissolução da Personagem • Exploração de Sensível • Sinestesias • Simultaneidades Perceptivas • O que está por trás da identidade • Emergência de ‘Atuantes’
• o papel da psicanálise: coloca em cheque a própria noção de EU, de indivíduo e de identidade • as descobertas científicas: a física quântica, a teoria da relatividade e a lei de indeterminação • percepção de tempo e de espaço relativizados • O ‘EU’ é totalmente DESESTABILIZADO
Monte Verità
Black Mountain College Comunidades Experimentais
John Cage - “Variations” (1958 -1978)
Judson Church Dance Group (1962 -1964) Aulas Robert Dunn e John Cage
Alguns Artistas da Performance • • • Allan Kaprow - Happenings: “Fluids” Trisha Brown - “Walking down. . . ”; Vito Acconci “Seedbed” Josef Beuys - “I Like America” ; Meredith Monk “Turtle Dreams” Coco Fusco e Guillermo Gomez-Peña - “Two Undiscovered. . . ” Marina Abramović - “Lips of Thomas” e “The Artist is Present” Orlan - “Cirurgias-Performances” Flavio de Carvalho - “Parangolés”; Lygia Clark - “Máscaras” Michel Melammed - “Regurgitofagia” Eleonora Fabião - “Ações Cariocas”
Allan Kaprow - “Fluids” (1967)
Trisha Brown - “walking down the side of a building” (1970)
Vito Acconci - “Seedbed” (1972)
Coco Fusco e Guillermo Gomez-Peña: “Two Undiscovered Amerindians Visit” (1992)
Josef Beuys: “I Like America and America Likes Me” (1974)
Meredith Monk: “Turtle Dreams” (1981)
Marina Abramović - “Lips of Thomas” (1975)
Marina Abramović - “The Artist is Present” (2010)
ORLAN - Cirurgias-Performances “As reincarnações de St-Orlan” 90’s
Flavio de Carvalho - Ações Artísticas e a Antropofagia
Hélio Oiticica - “Parangolés”
Lygia Clark - “Máscara” Arte e Terapia / Corpo, Espaço e Percepção
Eleonora Fabião - “Ações Cariocas”
Parte II - O Teatro Performativo • Assimilação de Aspectos da Performance • De que maneira o Teatro Performativo explora a Representação, a Personagem e as Estruturas Narrativas?
Brecht - O ‘espaço entre’ Ator e Personagem Gestus, Songs, . . . - “O Grito Mudo”
Need. Company: Video de “O Quarto de Isabella” (2004)
Gilles Maheu - Video de “Le Dortoir” (1988)
Marianne Weems: Video de “Jet Lag” (2010)
Teatro da Vertigem: “O Livro de Jó” (1995)
Performa Teatro - “Silêncio” (2000)
Cia dos Atores: “Ensaio Hamlet” (2004)
Cia São Jorge de Variedades - “Barafonda” (2012)
Aspectos do ‘Entre-Lugar’ • O Teatro Performativo ao invés de instaurar oposições, parece criar tensões: • Entre a Representação e a Presentação • Entre a Personagem e o Atuante • Entre o contar e o suspender a história, colocando em primeiro plano a processualidade das ações
Parte III - O Performativo • O Performativo não é o específico da Performance assim como a Teatralidade não é o específico do Teatro • Essas duas noções vão muito além do território dessas formas de Arte
O performativo foi inicialmente abordado por John L. Austin, filósofo da linguagem. Suas elaborações emergem por sua vez de uma transformação radical nas abordagens sobre a linguagem gerada por alguns filósofos, dentre eles Ludwig Wittgenstein. Uma das implicações significativas geradas pela sua obra Investigações Filosóficas está relacionada ao fato de que até então a linguagem era considerada em simetria com o pensamento e a percepção de mundo, ou seja, havia uma simetria entre essas instâncias e portanto a linguagem era vista como uma representação literal do mundo. Com Wittgenstein a simetria linguagem-pensamento -sentido é dissolvida e tal transformação foi fundamental para a emergência da abordagem performativa da linguagem desenvolvida por Austin e Searle.
How to do things with words (Como fazer coisas com as palavras), obra de Austin que inaugura de certa forma essa nova abordagem, reúne um conjunto de palestras sobre a natureza da língua vista como geradora de atos, Austin reconhece a especificidade de sentenças que não podem ser avaliadas como verdadeiras ou falsas e que são geradoras do que chamou de ‘atos de fala’ (speech acts). Assim, quando se diz, por exemplo, “eu vos declaro marido e mulher” ou “eu batizo esse barco Rainha Elisabeth”, “O Sr fulano de tal é declarado culpado”, tais sentenças não são usadas para descrever coisas mas para fazer coisas. J. R. Searle desdobrou as investigações desenvolvidas por Austin e através das três categorias formuladas por esse último - locutório, ilocutório e perlocutório
- o nível locutório se refere à execução da fala e envolve os seus aspectos verbais, sintáticos e semânticos; - o Ilocutório se refere à força da fala e seu significado intencional, nesse caso o falar materializa ações como prometer, dar ordens, etc. ; - e o perlocutório os possíveis efeitos gerados pela fala, tais como sedução, ameaça, persuasão, manipulação, etc. . .
Ampliações do Conceito Judith Butler, “Performative Acts and Gender Constitution: An Essay in Phenomenology and Feminist Theory” (1988) Comportamentos e hábitos passam pelo corpo - atos performativos como constituição dos gêneros R. Schechner Dentre os aspectos associados à expansão da noção de performativo, é importante ressaltar também as suas implicações tal como a ampliação da noção de ação. Nesse sentido, Schechner, além do conceito de restored behaviour (comportamento restaurado), reconhece, ao refletir sobre a cena dos coveiros de Hamlet, que tal ampliação já era operativa bem antes das elaborações de Austin. Schechner define o ‘comportamento restaurado’ ou ‘comportamento-agido-pela-segunda-vez’
No que diz respeito à cena dos coveiros de Hamlet, no momento em que um deles se questiona se o suicidio de Ofélia a impedirá ou não de ser aceita no céu, um deles coloca: “ uma ação é composta de três partes - fazer, agir, performar. ” Apesar da tradução do inglês para o português exigir certos ajustes semânticos, uma possivel leitura dessas camadas, como aponta Schechner, pode fazer perceber o ‘fazer‘ (to do) como sendo o nível relacionado com os atributos físicos da ação; o ‘agir‘ (to act) como aquele relacionado aos aspectos sociais da ação; e o ‘performar‘ (to perform) como aquele relacionado aos aspectos sensíveis da ação.
No teatro performativo, o ator é chamado a “fazer” (doing), a “estar presente”, a assumir os riscos e a mostrar o fazer (showing the doing), em outras palavras, a afirmar a performatividade do processo. A atenção do espectador se coloca na execução do gesto, na criação da forma, na dissolução dos signos e em sua reconstrução permanente. Uma estética da presença se instaura (se met en place). A esse respeito, muitos textos falam de “eventness”. Ela coloca em cena, com esse fim, o processo. Ela amplifica, portanto, o aspecto lúdico dos eventos bem como o aspecto lúdico daqueles que dele participam (performers, objetos ou máquinas). Existe um risco real para o ator nesse caso. Ser colocado na performatividade do ator implica em olhar de dentro a ação que se executa. O espectador é confrontado com este fazer, com estas ações postas, das quais só lhe resta, a si próprio, encontrar o sentido. O ator aparece aí, antes de tudo, como um performer. Seu corpo, seu jogo, são colocados na frente. O espectador entra e sai da narrativa. O sentido aí não é redutivo. A narrativa incita a uma viagem no imaginário que o canto e a dança amplificam. Os arabescos do ator, a elasticidade de seu corpo, a sinuosidade das formas que solicitam o olhar do espectador em primeiro plano, estão no domínio do desempenho. O espectador, longe de buscar simplesmente pelo significado imediato do que lhe é mostrado, deixa-se levar por esta performatividade em ação. Ele performa.
(In)conclusão • Em níveis diferentes, seja a Performance que o Teatro Performativo buscam produzir materiais que envolvem a produção de ‘Eventos’ • O ‘Evento’ pode ser visto como ampliação e ao mesmo tempo como ruptura perceptiva - Deleuze, Badiou, Žižek, . . . • Evento como desencadeador de Experiências
Centralidade da Experiência • • A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço. Jorge Larrosa Bondía - “Notas sobre a experiência e o Saber de Experiência”































































