Carta Argumentativa O que diferencia a proposta da

































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Carta Argumentativa
O que diferencia a proposta da carta argumentativa da proposta de dissertação é o tipo de argumentação que caracteriza cada um desses tipos de texto. O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal. Por outro lado, a proposta de carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada. Essa diferença de interlocutores deve necessariamente levar a uma organização argumentativa diferente. Até porque, na carta argumentativa, a intenção é frequentemente a de persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que o autor da carta considera equivocado).
A forma de tratar o interlocutor vai depender do grau de intimidade existente. O essencial é mostrar respeito pelo interlocutor, seja ele quem for. Na falta de um pronome ou expressão específica para dirigir-se a ele, recorra ao tradicional "senhor"/"senhora".
UERJ 1997 Antes de fazer sua redação, leia atentamente os vários textos da coletânea. Eles se vinculam a uma notícia que teve grande destaque na imprensa brasileira nos meses de julho e agosto de 1996: a acusação de racismo contra o compositor Tiririca, o que levou à apreensão de seus discos e à proibição de execução da música Veja os Cabelos Dela.
COLET NEA (Você deverá fazer referência a esta coletânea na sua redação) Tiririca está na mira de uma ONG Cantor cearense de Florentina, cujo CD já vendeu 300 mil cópias até agora, pode ser banido das lojas por música politicamente incorreta. (Folha de S. Paulo, 25/07/96)
A LETRA POLÊMICA Alô, gente, aqui quem fala é o Tiririca Eu também estou na onda do Axé Music Quero ver os meus colegas dançando Veja, veja os cabelos dela! Parece Bombril de arear panela Quando ela passa, me chama atenção Mas seus cabelos não têm jeito, não A sua catinga quase me desmaiou Olha, eu não aguento o seu grande fedor
Veja, veja os cabelos dela! Parece bombril de arear panela Eu já mandei ela se lavar Mas ela teimou e não quis me escutar Essa nega fede! Fede de lascar Bicha fedorenta, fede mais que um gambá Veja, veja os cabelos dela Como é que é? A galera toda aí Com as mãozinhas pra cima Veja, veja, os cabelos dela Bonito, bonito! Aí, morena, você, garotona Veja, veja os cabelos dela
Promotoria intima Tiririca a depor Cantor e compositor cearense terá que explicar à Justiça se a canção proibida Veja os Cabelos Dela é ou não propaganda racista. (Jornal do Brasil, 30/07/96) LEI No 7437 de 20 de dezembro de 1985 Inclui, entre as contravenções penais, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil. Dá nova redação à Lei no 1390, de 03/07/51 - Lei Afonso Arinos
O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Constitui contravenção, punida nos termos desta Lei, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil. Será considerado agente de contravenção o diretor, gerente ou empregado do estabelecimento que incidir na prática referida no artigo 1 o desta Lei.
ASSIM DISSE AURÉLIO. . . Preconceito - S. m. Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo. P ext. Superstição, crendice; prejuízo. P ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc. Racismo - S. m. Doutrina que sustenta a superioridade de certas raças. Qualidade, sentimento ou ato de indivíduo racista.
O RACISMO DIANTE DA CIÊNCIA A população brasileira compreende tipos de cor muito diversa. No conjunto, quanto mais se sobe na escala social, mais a pele se torna clara. A cor está, portanto, associada à noção de classe, mas seu papel permanece acessório. De acordo com um provérbio popular da Bahia, “o negro rico é um homem branco, e o branco pobre é um negro”. Assim, é a classe social, determinada notadamente pela situação econômica, e não a raça, que constitui o fator essencial. (Kenneth L. Little. Race et societé. In: UNESCO. Le racisrne devant la science. 2 a ed. Paris, ONU, 1965. p. 82. )
OPINIÕES Ele não deve ser condenado, pois a letra da música é uma brincadeira. Só existem duas maneiras de se fazer música: elogiando ou criticando. Quando Gabriel, o Pensador disse que a loura é burra, não aconteceu nada. Acho que o sucesso do Tiririca está incomodando muita gente. (Dicró, compositor - Jornal do Brasil, 30/07/96. )
Se os negros tivessem condições sociais semelhantes às dos referidos brancos (ricos), duvido que encontrariam dificuldade de acesso a qualquer instituição. O problema não é a cor, e sim a condição social do indivíduo. Como os brancos pobres discriminados ficarão nessa história? As oportunidades devem ser oferecidas igualmente a cada pessoa, e não a segmentos da sociedade. (Éber Gonçalves, leitor - Veja, 29/OS/96. )
Num momento em que os assuntos mundiais são a globalização e a união entre as diversas etnias, aparece um sujeitinho medíocre que se julga superior e mais limpo que um negro. Alguém já lhe perguntou se ele gosta de ser chamado de “cearense cabeça-chata”? (Adriana Gaspar de Oliveira, leitora - Veja, 07/08/96. ) Todos os textos apresentados, tomando como ponto de partida o episódio que envolveu o cantor Tiririca, pela música que compôs, referem-se à questão do preconceito racial em relação ao negro. A esse respeito, observe ainda estes dois outros depoimentos, retirados da imprensa:
DEPOIMENTO 1 Em seu despacho, a juíza Flávia Viveiros de Castro ressalta que da letra de Veja os Cabelos Dela constam expressões que, em tese, consubstanciariam a prática de crime de racismo, já que se refere a uma nega que fede / fede de lascar. . . / bicha fedorenta / fede mais do que gambá.
“Existem dispositivos legal e constitucional que embasam o pedido do Ministério Público, além do que os próprios versos da canção, irreverência à parte, de novo consubstanciam uma visão preconceituosa da mulher de etnia negra. Há de se ressaltar a influência perniciosa e sub-reptícia de canções como esta, especialmente em meio ao público infanto-juvenil, mais facilmente sujeito a influências maléficas e distorcidas que se agregam aos seus inconscientes”, diz a juíza Flávia Viveiros de Castro em seu despacho. Ela determinou que o diretor de marketing da Sony Music, Luiz André Calainho, fosse imediatamente informado de sua decisão, através de um ofício. (trecho da matéria “Justiça Proíbe Música de Tiririca”, em O Globo, 25/07/96. )
DEPOIMENTO 2 Parece existir, no momento, um esforço concentrado para fazer surgir no Brasil um problema que nunca tivemos: o da discriminação racial. Serve de gatilho, para isso, a proibição ao cantor cearense Tiririca de executar a canção Veja os Cabelos Dela, cuja letra ofende a raça negra. Só o intuito de criar problemas nos levaria a pensar assim. Na década de 30, a música de maior sucesso foi O Teu Cabelo Não Nega, que versa justamente sobre a carapinha dos nossos irmãos negros, que nunca se sentiram ofendidos por ela, que até hoje é tocada para animar bailes carnavalescos. (Hélio Penna e Costa, em O Globo, 30/07/96 - Seção “Cartas dos Leitores”. )
Caso você concorde com o conteúdo do depoimento 1, escreva uma carta para o Sr. Hélio Penna Costa, usando argumentos para convencê-lo dos pontos de vista defendidos pela juíza Flávia Viveiros de Castro. Use como forma de tratamento o pronome Sr. Caso você concorde com o conteúdo do depoimento 2, escreva uma carta para a juíza Flávia Viveiros de Castro, usando argumentos para convencê-la dos pontos de vista defendidos pelo Sr. Hélio Penna Costa. Use como forma de tratamento o pronome Sra. ATENÇÃO Assine seu texto apenas como Um/Uma Estudante. Redija sua carta predominantemente em língua culta.
Veja, agora, que realizar uma carta argumentativa já foi solicitado outras vezes: UERJ 1996 Para fazer sua redação, suponha que você está diante de uma matéria de revista, intitulada “Amor e Desejo”, na qual o repórter incluiu, além da reportagem propriamente dita, variados trechos sobre o tema, entre os quais os dois textos abaixo transcritos:
Texto I O amor apaixonado tem uma qualidade de encantamento, embora tal vez faça, ao mesmo tempo, com que as demais coisas do mundo não consigam mais captar o interesse do individuo que está tão fortemente ligado ao objeto do amor. O amor apaixonado é especificamente perturbador das relações pessoais; arranca o ser humano das atividades do dia-a-dia e gera uma propensão às opções radicais e aos sacrifícios. Por esta razão, encarado sob o ponto de vista da ordem e do dever sociais, ele é perigoso. Dificilmente surpreende que o amor apaixonado não tenha sido em parte alguma reconhecido como uma base necessária ou suficiente para o casamento, e na maior parte das culturas tem sido refratário (resistente, imune, desobediente) a ele. (Anthony Giddens, escritor inglês)
Texto II Eu lhe dou o depoimento de duas pessoas que já estão casadas há quase vinte anos e continuam apaixonadas e atraídas pelo mesmo e único parceiro de todo este tempo. Talvez seja essa a questão: casamento é amor com sexo e fidelidade, imune às estratégias de marketing de uma sociedade que consome a promiscuidade e o liberalismo irresponsável. Amar é bom, acalma e dá felicidade; o casamento não é uma instituição falida como muitos órgãos da imprensa querem mostrar. Algumas pessoas é que levam suas falências individuais para o casamento e lá as expandem. (Cézar de Souza, profissional liberal)
Os dois textos tratam especificamente do amor apaixonado e teorizam sobre essa relação que envolve duas pessoas. a) Caso você concorde com o conteúdo do texto 1, escreva uma carta para o Sr. Cézar de Souza, usando argumentos para convencê-lo dos pontos de vista defendidos por Anthony Giddens. b) Caso você concorde com o conteúdo do Texto 2, escreva uma carta para o escritor Anthony Giddens, usando argumentos para convencê-lo dos pontos de vista defendidos por Cézar de Souza.
ATENÇÃO Assine seu texto apenas com as iniciais do seu nome. Redija sua carta predominantemente em língua culta. Ao desenvolver sua redação, além de expor suas opiniões, você deverá obrigatoriamente fazer referência à coletânea seguinte, na qual você encontrará elementos para sua argumentação.
TEXTOS DE REFERÊNCIA A maior parte das civilizações parece ter criado histórias e mitos que carregam a mensagem de que aqueles que buscam criar ligações permanentes devido a um amor apaixonado são condenados. (Anthony Giddens. A Transformação da Intimidade. São Paulo, Ed. UNESP, 1993. p. 49 - com adaptações. ) (. . . ) Se perderá no caminho O amor é como um raio Na pureza de um limão Galopando em desafio Ou na solidão do espinho. Abre fendas, cobre vales, (. . . ) Revolta as águas dos rins. (Djavan. “Faltando um Pedaço”, Quem tentar seguir seu rastro 1981. Lado 2, faixa 1. )
Hoje em dia sinto o amor com muito mais profundidade, algo com responsabilidades que são maiores. Quando se é jovem e imaturo, o amor é por vezes ignorante e, embora seja uma espécie de fogo dentro de nós, pode apagar-se de repente. Quando há uma relação mais adulta, temos mais calma e paciência ao analisarmos as coisas, sem que se perca o ímpeto do aspecto físico que existe em todos os amores. (Brigitte Nielsen – atriz do filme Red Sonja – em entrevista a Herman José, apresentador do programa “Parabéns” da RTP, em 11/11/95)
O amor exige a primazia para as suas razões. Tal não significa que o amor se coloque à margem da sociedade e opere arbitrária e ilegalmente. Pelo contrário, o amor dá testemunho de si próprio, baseando-se na razão: o amor tem razões que a própria Razão desconhece. (Niklas Luhmann. O Amor como Paixão - para uma codificação da intimidade. Rio de Janeiro, Bertrand, 1991. p. 127 - com adaptações. ) O amor é um estado de ânimo natural, que favorece a ascensão filosófica. ( ) (Enciclopédia Universo. São Paulo, Editora Três, 1973. p. 241. )
UERJ 1998 (fragmento) Nesta prova, você deverá planejar e redigir uma carta argumentativa. Para realizá-la, você deverá cumprir duas etapas, ambas obrigatórias: 1 a etapa: preencha o esquema de “Planejamento do Texto” (página 2 do Caderno de Respostas), a fim de preparar a execução de sua carta. 2 a etapa: escreva a carta argumentativa na folha para “Redação” (página 3 do Caderno de Respostas), respeitando o planejamento feito na etapa anterior.
Proposta de Redação O Projeto de Lei da Senadora Benedita da Silva (PT/RJ) qualifica como crime o assédio sexual. Três diferentes pontos de vista sobre o assunto são apresentados na “Seção de Depoimentos”. Escolha seu interlocutor, ou seja, a pessoa a quem sua carta vai estar dirigida, entre os autores desses depoimentos. Sua tarefa é redigir um texto que convença seu interlocutor de que ele está equivocado quanto às ideias expressas no depoimento dele.
UERJ 2007 Redação PARA ELABORAR SUA REDAÇÃO, ALÉM DOS TEXTOS ANTERIORES, CONSIDERE O QUE SE SEGUE, COM UM NOVO PONTO DE VISTA SOBRE O TEMA PRODUÇÃO E DESTRUIÇÃO. TEXTO III Em entrevista ao Terramérica, o escritor português José Saramago afirmou: “As tragédias ecológicas são importantíssimas, mas as humanas talvez sejam mais. Uma árvore pode, mais ou menos, ressuscitar, uma floresta, um bosque, se cuidarmos deles. Mas os mortos não ressuscitam, não há maneira de devolvê-los à vida. Se é verdade que devemos nos preocupar com a catástrofe ecológica, não é menos certo que se deve pensar, sobretudo, na catástrofe que
será a morte de uma quantidade de seres humanos, que nem podemos imaginar. (. . . ) O meio ambiente é muito importante, mas vamos nos preocupar com algo mais. Tenho um jardim e cuido muito de minhas árvores. Entretanto, estou mais preocupado com as pessoas que vivem dentro de minha casa. ” (www. tierramerica. net) Todos os textos desta prova problematizam dois focos de exploração do sistema capitalista: o homem e a natureza. Lembre-se, porém, de que o objetivo da apresentação desses textos é oferecer a você subsídios para o desenvolvimento de suas ideias. Sua redação, portanto, deverá demonstrar elaboração própria. Redija uma carta a José Saramago ou a Rubem Alves, desenvolvendo com clareza, argumentos que:
- no caso de José Saramago, procurem convencê-lo de que a vida do planeta é mais importante do que a vida humana; - no caso de Rubem Alves, busquem convencê-lo de que nada se compara à vida humana, nem mesmo a preservação do planeta. Para o cumprimento dessa tarefa, seu texto − de, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas − deve: ü ter estrutura argumentativa completa; ü seguir o padrão de carta; ü ser redigido em língua culta padrão; ü ser assinado por você como: um (uma) estudante.
Recomendações para se fazer uma Carta Argumentativa e principais características: ü Local e data no campo direito superior; ü Interlocutor específico (respeito ao dirigir-se a ele); ü Destinatário (Prezado Senhor (a), . . . ); ü Estrutura dissertativa (Introdução, Desenvolvimento e Conclusão – 4 ou 5 parágrafos); ü Padrão culto da língua portuguesa; ü Possibilidade do uso de 1ª pessoa do singular; ü Saudação Final (Respeitosamente, Cordialmente, . . . ); ü Assinatura (campo direito inferior: Um(a) estudante, um(a) cidadão(ã)); ü Dirigir-se ao receptor, tentando convencê-lo; ü Possibilidade de se fazer referência a textos da coletânea apresentada; ü Posicionamento crítico (normalmente, trata-se de um tema polêmico).
Rio de janeiro, 30 de novembro de 2013. Prezado Senhor José Saramago, Percebo que suas ideias… Observe que na sociedade… Além disso, os cidadãos… Desse modo, a natureza merece… Respeitosamente / Cordialmente, Um(a) estudante

































