Linguagem e cognio Falada Escrita Ouvida Sentida Silenciada





































- Slides: 37
Linguagem e cognição Falada Escrita Ouvida Sentida Silenciada Recriada Ecoada Constituidora Libertadora Transformada. . Aula 11 _IEEC_2017 Joana Andrade
https: //www. youtube. com/watc h? v=2 LNopxc. BVms idiomaterno "Quando uma criança começa a utilizar uma palavra corretamente, a evolução de seu significado está apenas começando“ (Vigotski)
Mediação Semiótica Atividade instrumental Nossa relação com o mundo é sempre mediada por signos e sentidos. Outro Linguagem
A ciência como discurso É diferente da linguagem cotidiana. . . e da linguagem escolar Sistematização da informação Generalização conceitual Forma: construção de nexos abstratos. Conteúdo: signos específicos de um campo de conhecimento reservado aos iniciados. Hermética Ahistórica (Áttico Cahssot) Asséptica
“A fala da criança é tão importante quanto a ação para atingir um objetivo. As crianças não ficam simplesmente falando o que elas estão fazendo; sua fala e ação fazem parte de uma mesma função psicológica complexa, dirigida para a solução do problema em questão"
LINGUAGEM EXTERIOR EGOCÊNTRICA INTERNA SOCIALIZADA INDIVIDUALIZADA INTERNALIZAÇÃO FUNÇÃO INTERPESSOAL FUNÇÃO INTRAPESSOAL
Qual a importância da linguagem para o surgimento da ciência e da Química? ?
A física de Aristóteles ensinava que o ar não tem peso, e assim sendo, nem os espíritos nem o ar podiam ser concebidos como uma forma da matéria. Como nas outras ciências exatas, uma antiga barreira aristotélica tinha que ser removida, antes que a ordem pudesse emergir do caos das receitas dos alquimistas.
ELEMENTOS QUÍMICOS DE EMPÉDOCLES E SUAS PROPRIEDADES, SEGUNDO DEDUÇÃO DE ARISTÓTELES Propriedades Elementos quente-seco FOGO quente-úmido AR frio-seco TERRA frio-úmido ÁGUA
Alquimia combinava elementos de química, física, astrologia, arte, metalurgia, medicina, misticismo, e religião. Objetivos principais: -transmutação dos metais inferiores em ouro, - obtenção do Elixir da Longa Vida, remédio que curaria todas as doenças dando vida eterna àqueles que ingerissem. - criar vida humana artificial, o homunculus. Ambos objetivos poderiam ser atingidos com a pedra filosofal, substância mítica que amplifica os poderes de um alquimista.
Era comum a existência de dez a quinze nomes diferentes para designar uma determinada substância química. A linguagem dos químicos continha uma multiplicidade de nomes empíricos e tradicionais, tais como "fígado de antimônio", "manteiga de arsênio", "safrão de Marte", "flor de bismuto", "sal da sabedoria" etc. (cf.
Foi principalmente do grego que tiramos as palavras novas e nós o fizemos de maneira que a sua etimologia lembrasse a ideia das coisas que nos propomos a indicar Demos à base da porção respirável do ar o nome de oxigênio, derivando-o de duas palavras gregas ÑxÚj, ácido, e geinuai, engendrar, porque de fato uma das propriedades mais gerais dessa base é formar ácidos com a maior parte das substâncias (Lavoisier, [1789]).
Linguagem hermética Esoterismo Religião Teoria Flogisto Oxigênio queima de enxofre: 10 g - flogisto 8 g Experimentação de Lavoisier S(s) SO 2(g) reação com O 2 10 g de enxofre sofre oxidação produzindo dióxido de enxofre, peso final 12 g!!!!
Por que preciso estudar isso? Porque vair no vestibular. Quando eu cozinhar arroz vou lembrar da dissipação molecular, da teria do caos, dos estados físicos da matéria, da dilatação dos corpos, das variações de pressão atmosférica, de fenômenos químicos irreversíveis, da distribuição eletrônica. . .
Leitura do mundo
CONHECIMENTO CIENTÍFICO CONHECIMENTO COTIDIANO “a criança, que pensa por complexos, e o adulto, que pensa por conceitos, estabelecem uma compreensão mútua e uma comunicação verbal, uma vez que o seu pensamento se encontra de fato nos complexosconceitos que coincidem” (Vigotski).
O uso da palavra adequada na hora adequada é postulado pedagógico fundamental, embora não se possa incorrer na ilusão de que, pelo fato de usarem as mesmas palavras, estejam todos operando com os mesmos conceitos, quer dizer, com a explicitação dos mesmos sistemas de relações percebidas. Somente a prática continuada da mesma linguagem em situações diferençadas permite um consenso mais efetivo ou o entendimento comum sobre o sistema de relações conceituais empregados (MARQUES).
A Ciência, enquanto uma forma possível de explicação do mundo, é formada pela elaboração de conceitos, que ultrapassam os limites dos sentidos e existem pela ‘representação’/’construção’/’significação’ do concreto e do abstrato.
A partir do uso da palavra e de sua constante significação nas interações produzidas, o estudante vai construindo um conhecimento que lhe garante um saber/fazer que se torna próprio e constituinte de sua subjetividade.
Não podemos “observar” os processos de construção de conhecimento, os processos de significação e de produção de sentidos. Mas via procedimentos analítico, podemos “tornar visíveis” alguns aspectos dos processos que buscamos compreender (Smolka).
Trecho de dissertação de doutorado_Joana de Jesus de Andrade ngela – Então, agora a gente vai começar a falar de um outro assunto, tá. Até agora nós vimos soluções, bem ou mal a gente tentou aprender concentrações, molaridade, porcentagem. . . Agora nós vamos entrar com as funções químicas. . . As funções químicas que a gente vai estudar são: ácido, base, sais e óxidos. . . E, quem já viu isso, quem é repetente do segundo colegial, ou quem já viu isso no primeiro colegial em outra escola, ou nessa escola mesmo, aprendeu de uma forma separada, primeiro o que são ácidos, depois o que são bases, depois o que são sais, depois o que são óxidos. Nessa nova maneira que nós estamos tentando mudar a concepção ali, a forma de ensinar, nós vamos tentar aprender tudo junto porque na realidade está tudo interligado. . Não dá pra se separar ó, ácido, só isso daqui é que é base, só isso daqui que é sal. E nós vamos começar então, falando da tabela periódica, lembrando o que vocês já sabem. . . E nós vamos começar a falar de óxidos, sais, ácidos e bases, tudo junto. A gente vai tentar mostrar que desse jeito é mais fácil diferenciar um do outro. Então eu queria que vocês me dessem nomes aí. Quem conhece um ácido ou vários ácidos, quem conhece o nome de um sal, quem conhece o nome de um óxido, só pra lembrar que o óxido é mais difícil de lembrar, tá? Os óxidos são todas as substâncias formadas por dois elementos onde um deles é o oxigênio. Então água é um óxido porque H 2 O, tá, só tem hidrogênio e oxigênio, então vamos falando aí.
“a- se não conseguir a participação do aluno não vai haver aprendizagem; b - (atenção para as) idéias que os alunos já têm. Eles as empregam na aprendizagem; c- Lembrem, a palavra permite o pensamento, a reflexão; d- uma importante ligação que deve ser feita é a palavra óxido para todos os compostos binários (de dois elementos) onde um é oxigênio”; “e– você recorda o que já foi dito (. . . ) vai ajudar vocês a estruturar conhecimentos; f- é uma mudança que vai ocorrer com o passar dos anos (pesquisa educacional, professor/pesquisador, novas concepções sobre ensino); g- o importante é que os assuntos têm que estar interligados”.
Quando Vigotski afirma a gênese social do desenvolvimento humano através da mediação semiótica ocorrida na relação entre as pessoas, justifica-se a correlação entre as idéias discutidas no grupo e a sua aparente reprodução no ato da efetivação da aula. ngela apropria-se das idéias e dos termos que se referiam àquele assunto, porém, no momento em que se vê frente à turma, na posição de ensinante e não mais de aprendiz, desencadeia um processo único que envolve os conceitos que ela já sabia, os que foram ditos nas reuniões e que tinham características de uma fala direcionada aos professores e, os conceitos que conseguiu produzir no momento da aula.
1. ngela - Então vamos falando aí. 2. Aluna - Ácido é o Na. Cl é. . . 3. Aluno - Ácido úrico. 4. ngela - Ácido sulfúrico. 5. Aluno - Ácido úrico, ácido úrico. 6. Aluno - Ácido muriático. 7. ngela - Ácido muriático. Ó, ácido muriático, (escreve HCl no quadro) é o nome comercial desse ácido tá, o nome dele, é ácido clorídrico. 8. Aluno - Ácido úrico. 9. ngela - Que mais? 10. Aluno - Ácido nítrico. 11. ngela - Ácido nítrico. Quem conhece bases? 12. Aluno - Como? 13. Aluna - Bases! 14. ngela - Bases, ninguém conhece nada que é alcalino? 15. Aluno – Duracel. Risos
16. ngela - Duracel. 17. Aluna - Oh propaganda, hein! 18. ngela - Mas isso não é formado por uma base, ele tem um metal alcalino, como o sódio. E com o sódio você pode fazer uma base, que é a soda cáustica. Todo mundo já ouviu falar de soda cáustica? 19. Aluna - Já. 20. ngela - Já? Soda cáustica é um nome comercial, eu vou pôr base pra você saber. O nome dele correto é hidróxido de sódio. 21. Aluna - Hidróxido de cálcio então também é? 22. ngela -Hidróxido de cálcio também é. 23. Aluna - É o nome científico! 24. ngela - Que mais? Quem conhece mais uma base, que ouviu falar. 25. Aluno -. . . sal. 26. ngela - Sal? Fala um sal aí, sal não é base, sal é sal. Que sal você conhece? 27. Aluno - De cozinha. 28. Aluno - Salsarina. 29. Aluno - Salsinha. 30. Aluno - Sal lame.
31. Aluno - Cisne. 32. Aluna - Oh propaganda! Risos 33. ngela - Sal cisne? Qual é o nome químico do sal? Na. Cl. 34. ngela + Alunos – Cloreto de sódio 35. Aluno - Eu sabia disso, deixei você falar. 36. Aluno - Sal grosso. 37. ngela - Que outro sal? Será que sal é só sal? Não? Tem outras substâncias? 38. Aluna - Tem. 38. ngela - Tem o que? 40. Aluna - Aan, o bicarbonato de sódio. 41. Aluno - Sal grosso eu comi. 42. Aluna - Sal grosso, esse é pra fazer despacho. 43. Aluno - E tem que assar churrasco. 44. ngela - Aquilo é cloreto de sódio, só que. . . Vai outro sal, tem tanta coisa que vocês conhecem. 45. Aluna - Tem? O que por exemplo professora? 46. ngela - Vamos gente, fala aí pra mim 47. Aluna - Diga um exemplo professora, nem tem mais.
48. ngela - Vocês são uma classe tão participativa. 49. ngela - Fernando? 50. Aluna - É, vai Fernando, dá-le Fernando. 51. Aluno - Solta uns aí Fernando. 52. Aluno - Alô, alô, testando. 53. Aluna - Dá um exemplo professora. 54. ngela - Salitre. 55. Aluna - Salitre do Chile. 56. ngela - É nitrato ou nitrito, o salitre? 57. Aluna – Nitrato. 58. ngela - Nitrato? Nitrato. 59. Orientador - É nitrito ou nitrato, é os dois. 60. Aluna - Nitrato de sódio. 61. Aluna - Salitre professorinha, salitre. 62. ngela - E a gente tem KCl. 63. Aluna - Salitre de potássio. 64. ngela - E veneno? 65. Aluna - Veneno? Ui, ah não. 66. Aluno - Ai bão.
67. ngela - Ninguém nunca leu um livro assim, da Ágata Christie, nunca viu um filme do 007. 68. Aluna - Eu li. 69. ngela - Que a moça pega aquele anel e joga aquele pósinho aí dá pra ele beber. 70. Aluno - Cianureto de potássio. 71. ngela - Isso, cianureto de potássio. 72. Aluno - Eee, veneninho cê manja, hein ? 73. ngela - – É de potássio ou é de sódio? Vamos colocar potássio. 74. Aluno - Ele tá interado nos posinho, hein? Sabe tudo. 75. Aluna - E cocaína? Também é um veneno, é branquinho. 76. ngela - Ann? Carne? 77. Aluna – Cocaína! 78. ngela - Ah! Cocaína, também é um sal. É feito com refinação, é destilação. Eu não sei o nome.
79. Aluna - Circuta. Têm também o eugenol, vem escrito bem grande: veneno. 80. ngela - Que que é isso? 81. Aluna - É um componente dentário de canal. 82. ngela - É cianureto de potássio, cianureto de sódio. E óxidos? Bases só pus uma né, vamos por. . 83. Aluno - Óxido de carbono. 84. ngela – Ó, quem já tomou leite de magnésio? 85. Aluna - Ui, eu já. 86. ngela - Quem já tirou radiografia do estômago, do esôfago? 87. Aluna - Eu. 88. ngela - Já tomou parece um iogurte branco. 89. Aluna - É horrível. 90. ngela - É hidróxido de bário. E óxidos? 91. Aluna - Carbono, óxido de zinco. 92. ngela - Óxido de zinco.
92. Aluno - Óxido de carbono. 94. ngela - Gás carbônico. Risos 95. Aluno - Salitre. 96. ngela - O gás carbônico é o dióxido de carbono e tem aquele que mata se você respirar, que é o monóxido de carbono. 97. Aluna – Professora, óxido é o que tem oxigênio, né? 98. Aluno – H 2 SO 4, que é isso? 99. Aluno - É um ácido? 100. ngela - Claro. 101. Aluna - Mas tem O? 102. ngela - Mas não são dois elementos, são três H, S e O 103. Aluna - Então o ósmio é um óxido? 104. ngela - Não o ósmio é um elemento químico, tá aqui. 105. Aluna - Mas ele tem dois componentes. 106. ngela - Não, um só, Os é o símbolo dele. 107. Aluna - Ah! Um só.
108. ngela - Aqui, você só tem os elementos químicos. Um outro ó, que eu sei que a Valéria usou no cabelinho dela, é o peróxido de hidrogênio, água oxigenada. 109. Aluna - Professora. aquele que mistura c/ água oxigenada pra ficar loira. 110. ngela - Não, aquele é um sal. Alguém lembrou de mais alguma substância? Hoje vocês estão inspirados né? 111. Aluna - Não, é que a matéria é que é nova. 112. Aluna - Acho que não dá tempo mais. 113. Aluno - Não só quem tirar vermelho. 114. ngela - Bom, agora eu vou pra fórmula disso daí, e falar um pouquinho sobre cada um. O ácido sulfúrico então é o ácido que a Maressa pensou que era um óxido, H 2 SO 4. Ele é um ácido usado em indústrias, as indústrias químicas utilizam H 2 SO 4. O ácido sulfúrico ele pode, também, ser formado numa chuva tá. Vocês já ouviram falar de chuva ácida? 115. Aluno - Já sim. 116. ngela - O que a chuva ácida faz?
117. Aluna - Acaba com a lavoura. 118. ngela - Ela estraga a lavoura, ela estraga pintura de carro, ela destrói estátuas, monumentos. 119. Aluno - Queima a pele. 120. ngela - Não, não chega a queimar a pele. 121. Aluno - Eu fiquei sabendo queima, sério, fiquei sabendo que até faz mal pras pessoas. 122. ngela - E como é que forma, essa chuva ácida? Essa chuva ácida ela vem de um óxido que a indústria libera através da chaminé, que é o óxido, trióxido de enxofre, esse é um gás tá, chega lá nas nuvens e mistura com a água né, as nuvens são formadas de vapor de água, então na hora que começa a condensar e a chover ele se mistura com a água forma o H 2 SO 4. E por isso que a gente diz que a chuva é uma chuva ácida. E por que eu falei que ela pode destruir, por exemplo, uma estátua, do que é feita essa estátua?
Em uma aula que trata do conhecimento científico, a assimetria de idéias é tão inevitável quanto necessário. A comunicação entre professora e alunos é possível justamente porque existem dois ‘tipos’ de conhecimento. A assimetria é clara, a professora detém uma forma de conhecer que é mais elaborada, é constituída por uma linguagem e um pensamento que não são comuns para os alunos.
A polissemia do signo, ou os seus vários significados, é resultado de uma construção sóciohistórica de designações objetivas e simbólicas de objetos de conhecimento. Isto é o que Pino chama de função indexical e função simbólica dos signos lingüísticos (1991, p. 38). Ambas funções referem-se à contextualização e descontextualização dos objetos, uma porque presentifica e outra porque abstrai.





































