GESF colapsante no associada infeco pelo HIV Juliana

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GESF colapsante não associada à infecção pelo HIV Juliana Torritani Juliano Sacramento Mundim Nefrologia

GESF colapsante não associada à infecção pelo HIV Juliana Torritani Juliano Sacramento Mundim Nefrologia - HCFMUSP

Introdução A GESF colapsante é mais comumente vista em pacientes HIV+. Contudo, sua incidência

Introdução A GESF colapsante é mais comumente vista em pacientes HIV+. Contudo, sua incidência como forma não HIV relacionada vem aumentando, em vários relatos da literatura. Ambos os sexos são igualmente afetados e há predomínio na raça negra. A maior parte dos casos são idiopáticos, entretanto, GESF colapsante não relacionada ao HIV também pode ocorrer associada a infecções, doenças autoimunes, drogas, transplante renal e fatores genéticos (ver tabela a seguir).

Patogênese Permanece incerta, parece estar relacionada a lesão das células epiteliais viscerais, que resulta

Patogênese Permanece incerta, parece estar relacionada a lesão das células epiteliais viscerais, que resulta em desdiferenciação e proliferação das mesmas, acompanhada de perda da barreira de filtração glomerular.

Quadro clínico Os pacientes , em sua maioria se apresentam com síndrome nefrótica e

Quadro clínico Os pacientes , em sua maioria se apresentam com síndrome nefrótica e perda de função renal, que pode progredir para IRC terminal dentro de 1 a 4 meses. De um modo geral, os pacientes não apresentam HAS, os níveis de complemento são normais e pode haver hipergamaglobulinemia com padrão policlonal.

Quadro clínico Quando comparada a GESF clássica, a GESF colapsante cursa com maior proteinúria

Quadro clínico Quando comparada a GESF clássica, a GESF colapsante cursa com maior proteinúria (frequentemente > 10 g/dia) e insuficiência renal mais grave. Em um estudo (1), a média de creatinina sérica dos pacientes com GESF colapsante era significativamente maior do que a de pacientes com GESF clássica (3, 5 vs. 1, 3). USG pode mostrar rins ecogênicos e de tamanho normal ou aumentado, mesmo nos pacientes com DRC em fase terminal.

Tratamento Não há estudos prospectivos controlados que avaliem a eficácia da terapia na GESF

Tratamento Não há estudos prospectivos controlados que avaliem a eficácia da terapia na GESF colapsante. Os relatos publicados são observacionais e mostram má resposta ao tratamento medicamentoso. A porcentagem de pacientes que entram em remissão duradoura é somente 9, 6% e aqueles que atingem remissão parcial é de 15, 2%.

Tratamento Em um dos estudo (1), remissão parcial da proteinúria ocorreu em apenas 3

Tratamento Em um dos estudo (1), remissão parcial da proteinúria ocorreu em apenas 3 de 43 pacientes e remissão completa em nenhum dos 26 pacientes tratados com corticóide. Dos 6 pacientes tratados com ciclofosfamida, 1 apresentou remissão parcial. Parece existir algum efeito benéfico no tratamento com ciclosporina, mas a casuística relatada ainda é bastante limitada.

Tratamento Em outro estudo (2) de 23 pacientes, remissão completa ou parcial foi observada

Tratamento Em outro estudo (2) de 23 pacientes, remissão completa ou parcial foi observada em 2 e 7 pacientes tratados com corticóide, respectivamente. Contudo, durante o seguimento, 4 pacientes com remissão parcial precisaram de diálise e nenhum dos 6 que receberam agente citotóxico entrou em remissão.

Tratamento Alguns estudos com pequeno número de pacientes sugerem que o tratamento agressivo e

Tratamento Alguns estudos com pequeno número de pacientes sugerem que o tratamento agressivo e precoce com corticóides pode atingir maiores taxas de remissão, principalmente naqueles que apresentam creatinina <2, 0 ou menos que 20 % de fibrose intersticial na biópsia. O tratamento combinado de corticóide e ciclosporina ou micofenolato mofetil e ciclosporina deve ser considerado experimental, não existindo evidências conclusivas que suportem seu uso.

Tratamento IECA e antagonistas de angiotensina têm sido recomendados de rotina, na tentativa de

Tratamento IECA e antagonistas de angiotensina têm sido recomendados de rotina, na tentativa de diminuir a queda da taxa de filtraçao glomerular. Contudo, não há evidências de queda sustentada da proteinúria, ao longo do tratamento. Pacientes com síndrome nefrótica persistente e hipercolesterolemia podem ser tratados com estatinas. Contudo, não há evidências de que tal conduta leve a uma diminuição clinicamente significativa dos níveis de colesterol. Portanto, pela baixa eficácia e efeitos colaterais significativos quando associadas a agentes citostáticos, não é recomendado seu uso. O pamidronato deve ser descontinuado em pacientes que desenvolvem GESF colapsante e que estão em uso dessa droga.

Prognóstico A maioria dos estudos mostram que o prognóstico da GESF colapsante é reservado.

Prognóstico A maioria dos estudos mostram que o prognóstico da GESF colapsante é reservado. Um dos estudos (2) comparou 43 pacientes com GESF colapsante e 50 pacientes portadores de GESF clássica idiopática. O tempo médio da biópsia até o desenvolvimento de doença renal em estágio terminal foi muito menor na GESF colapsante (13 vs. 63 meses). Contudo, a maioria dos pacientes já tinha IRC avançada e fibrose intersticial na biópsia renal na época do diagnóstico. Os mesmo achados foram vistos em 2 outros estudos (1, 3). Pacientes com GESF colapsante têm maior chance de entrar em diálise em 15 meses (5/14 comparado a 0/25 com GESF não colapsante) e em 5 anos (40 vs. 0%).

Referências bibliográficas 1. 2. 3. 4. 5. Detwiler, RK, Falk, RJ, Hogan, SL, Jennette,

Referências bibliográficas 1. 2. 3. 4. 5. Detwiler, RK, Falk, RJ, Hogan, SL, Jennette, JC. Collapsing glomerulopathy: A clinically and pathologically distinct variant of focal segmental glomerulosclerosis. Kidney Int 1994; 45: 1416. Valeri, A, Barisoni, L, Appel, GB, et al. Idiopathic collapsing focal segmental glomerulosclerosis: A clinicopathologic entity. Kidney Int 1996; 50: 1734. Grcevska, L, Polenakovik, M. Collapsing glomerulopathy: Clinical characteristics and follow-up. Am J Kidney Dis 1999; 33: 652. Mamdouh Albaqumi, Timothy J. Soos, Laura Barisoni and Peter J. Nelson. Collapsing Glomerulopathy. J Am Soc Nephrol 2006; 17: 2854 -2863. Up to date 15. 1. Collapsing glomerulopathy (collapsing FGS) not associated with HIV infection. Gerald B Appel, MD, Peter J Nelson, MD.