A apresentao do self e a pesquisa emprica

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A “apresentação” do “self” e a pesquisa empírica Uma introdução

A “apresentação” do “self” e a pesquisa empírica Uma introdução

Erving Goffman (1922 -1982): nasceu e foi criado em Alberta (Canadá). Estudou nas Universidades

Erving Goffman (1922 -1982): nasceu e foi criado em Alberta (Canadá). Estudou nas Universidades de Toronto e Chicago. Foi professor em Berkeley e na Universidade de Pennsylvania. Sua obra mais influente é The Presentation of the Self in Everyday Life (1959). Além de examinar as situações ordinárias da vida cotidiana, debruçou-se sobre o que chamou de “instituições totais” -- asilos, prisões, manicômios.

Obras principais A representação do eu na vida cotidiana (1975), Estigma (1975) e Manicômios,

Obras principais A representação do eu na vida cotidiana (1975), Estigma (1975) e Manicômios, prisões e conventos (1974): "the big three" A Representação do Eu na Vida Cotidiana: Emprega o modelo do teatro e da performance teatral para analisar como desenvolvemos e apresentamos o nosso self. Foca nas técnicas utilizadas cotidianamente por cada um no estabelecimento de “impressões de si”.

Principais pontos interação cotidiana entre atores utilização dos símbolos na comunicação/interação interpretação como parte

Principais pontos interação cotidiana entre atores utilização dos símbolos na comunicação/interação interpretação como parte da ação self construído pelos outros através da comunicação/interação relações sociais como processo = reconhecimento contínuo Apesar de o mundo social ser composto de características materiais e objetivas, o que distingue os seres humanos é sua capacidade criativa de se comunicar através de símbolos. Enfatiza-se o caráter flexível e criativo da utilização dos símbolos pelos atores sociais.

Interação Goffman não se preocupa nem com o individual nem com a sociedade, mas

Interação Goffman não se preocupa nem com o individual nem com a sociedade, mas com os atos a partir dos quais as vidas são organizadas e as sociedades compostas. As ações são sempre ações conjuntas, pendentes das mútuas respostas e ajustamentos estabelecidos pelos atores envolvidos. Formas de comunicação: (1) teatral e contextual, (2) de natureza não-verbal e (3) por conjectura não-intencional. Assimetria fundamental do processo comunicacional: O ator facilmente manipula através das afirmações verbais O ator tem pouco domínio a partir das expressões emitidas (principalmente através da dimensão não-verbal).

Definição da situação Processo a partir do qual se atribui um sentido ao contexto

Definição da situação Processo a partir do qual se atribui um sentido ao contexto vivido. Central para se compreender o modo como as pessoas orientam suas ações na vida cotidiana. Os atores sociais buscam uma única definição geral da situação: acordo tácito quanto ao que será momentaneamente consentido para se evitar possíveis conflitos. Esse consenso implícito, o autor denomina de “consenso operacional”. Assim como os atores sociais fazem, repetidas vezes, o pesquisador também deve se perguntar: o que está acontecendo aqui, agora? Que “veículos de indícios” – aparência, conduta, estereótipos, suposições baseadas em experiências anteriores – estou acionando na minha interação no campo?

REPRESENTAÇÕES “Toda atividade de um indivíduo que acontece num período caracterizado por sua presença

REPRESENTAÇÕES “Toda atividade de um indivíduo que acontece num período caracterizado por sua presença contínua diante de um grupo de observadores e que tem sobre estes alguma influência” Face: O trabalho de face é o esforço que cada um de nós faz para manter-se à altura da dignidade que projetamos sobre nós mesmos, à altura do tratamento que acreditamos merecer por parte dos outros. Fachada: “fachada é o equipamento expressivo de tipo padronizado intencional ou inconscientemente empregado pelo indivíduo durante sua representação”. Tendem a ser selecionadas e não criadas: uma fachada social tende a se institucionalizar em termos de expectativas estereotipadas. Comunicação imprópria: a ação decorrente de uma definição equivocada da situação, quando alguém fala e faz coisas como se estivesse em um lugar apropriado.

REPRESENTAÇÕES Cenário: partes cênicas de equipamento expressivo. Aparência: estímulos que funcionam no momento para

REPRESENTAÇÕES Cenário: partes cênicas de equipamento expressivo. Aparência: estímulos que funcionam no momento para nos revelar o status social do ator. Maneira: estímulos que funcionam no momento para nos informar sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação. Atuamos num ciclo contínuo de crença-descrença, e cinismo-sinceridade. No dia a dia, o ator, sincero ou não, bom ou não, representa e convence sua plateia com base na troca de informações recíprocas (“deixas” e “pontas”).

REPRESENTAÇÕES Realização Dramática: em presença de outros, os atores fazem uso de sinais que

REPRESENTAÇÕES Realização Dramática: em presença de outros, os atores fazem uso de sinais que acentuam e confirmam aquilo que precisam transmitir: autoexpressão dramática. Idealização: A representação traz uma concepção idealizada da situação baseada, especialmente, nos símbolos de status. Quanto mais formal a situação de interação, mais o ator lança mão de padrões comportamentais ideais na representação. Manutenção do Controle Expressivo: Representações exigem coerência expressiva, mas há sempre a possibilidade de discrepâncias. Representação Falsa: Atores que se apresentam com uma fachada pérfida, ou “somente” uma fachada, arriscam-se a perde permanente sua reputação, caso aconteça algo durante a sua representação que contradiga o que declarava abertamente. O ator tenta manter a coerência expressiva, tomando cuidados na prevenção de desacordos.

Questões para o campo Se os atores sociais tendem a oferecer uma impressão idealizada,

Questões para o campo Se os atores sociais tendem a oferecer uma impressão idealizada, acentuando certos fatos e ocultando outros, ou escondendo atividades e fatos incompatíveis, como nossos interlocutores no campo se apresentam a si mesmos e a suas atividades cotidianas?

Questões para o campo Como aquela ordem social específica, que procuramos entender, é constantemente

Questões para o campo Como aquela ordem social específica, que procuramos entender, é constantemente criada? Quem, naquele cenário de interações, tem o poder de estabelecer a “definição da situação” mais legítima?