Relato de caso Parvovirose Congnita Frossard RV Siqueira

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Relato de caso: Parvovirose Congênita Frossard, RV. *; Siqueira, E. S. ; *, Oliveira,

Relato de caso: Parvovirose Congênita Frossard, RV. *; Siqueira, E. S. ; *, Oliveira, T. M. **, Nardi, DC*, Marinho, RC***, Margotto, PR***. HOSPITAL MATERNO INFANTIL DE BRASÍLIA * Médica Residente em Pediatria HMIB ** Médica Residente em Medicina Intensiva Pediátrica do HMIB *** Neonatologista do HMIB RELATO DO CASO Gestante J. P. B. S, procedente de Unaí, G 1 P 0 A 0, grupo sanguíneo B, Rh positivo, sorologias para HIV, VDRL, hepatite B negativas, toxoplasmose e rubéola imunes, ultrassonografia gestacional de primeiro trimestre dentro da normalidade. No segundo trimestre, foi observado leve ascite fetal. No exame de imagem de terceiro trimestre evidenciou aumento da ascite e crescimento intrauterino retardado, sendo então encaminhada ao serviço do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Já internada foi realizado um ecocardiograma fetal sem alterações significativas. • recém-nascido, do sexo feminino, nasceu de parto cesárea, por indicação de ascite fetal, sendo classificada como pretermo de 35 semanas e adequada para a idade gestacional com peso de 2550 g. Ao nascimento apresentava importante ascite e leve hidropsia, sem outras alterações significativas. (Figura 02). Durante os primeiros dias de vida realizaram-se vários exames: sorologias do cordão (Citomegalovírus imune / Sífilis não reagente / Chagas não reagente / Toxoplasmose imune); hemograma com anemia, sendo a mesma corrigida; coagulograma, função hepática e punção lombar sem alterações significativas; hemocultura negativa; análise do líquido ascítico mostrando um gradiente albumina do soro/albumina do líquido ascítico>1, 1; radiografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome com presença de acentuada ascite sem outros achados; ecocardiograma pós natal e ultrassonografia transfontanela normais. (Figura 01). Durante a internação do RN foi resgatada sorologia da mãe no período final da gestação, feita na cidade de origem, parvovírus B 19 (Ig. G+/Ig. M+), corroborando para a hipótese de parvovirose congênita. O neonato evoluiu com persistência do abdome ascítico, sem outras repercussões, mantendo ganho de peso adequado e eliminações fisiológicas regulares. Recebeu alta hospitalar em boas condições clínicas, com 20 dias de vida, para acompanhamento ambulatorial. DISCUSSÃO O parvovírus é um vírus DNA da família Parvoviridae responsável pelo eritema infeccioso, principalmente em crianças e adultos. Cerca de 30% das mulheres em idade fértil são susceptíveis e o risco de transmissão para o feto é de até 33%, com aumento desta proporção após a 20ª semana gestação 1. Estima-se que 9% dos casos de transmissão fetal resultem em acometimento do feto 2. Em casos de infecção congênita, o prognóstico é variável, desde casos assintomáticos até grave comprometimento com hidropsia fetal, trombocitopenia secundária, lesões cerebrais, calcificações hepáticas, cardiopatias, aborto e óbito fetal 3, 4. O mecanismo proposto para as consequências citadas decorre da anemia grave, que leva à hipoxia e insuficiência cardíaca congênita. O diagnóstico pode ser difícil, pois valores negativos de Ig. M não excluem a infecção, sendo o padrãoouro a realização do DNA viral 5. Ainda não existem protocolos adequados para o seguimento de crianças com parvovirose congênita, mantendo-se apenas o acompanhamento do recém-nascido até o desaparecimento dos sintomas apresentados ao nascer. CONCLUSÃO O caso apresentado demonstra o impacto da parvovirose congênita, que deve ser sempre considerada em casos de hidropsia fetal não-imune. Novos estudos devem ser realizados para avaliar as consequências fetais pós-natais, com enfâse no acompanhamento das complicações apresentadas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Public Health Laboratory Service; Working Party on Fifth Disease. Prospective study of human parvovirus (B 19) infection in pregnancy. Br Med J 1990; 300: 1166 -1170; 2 Cohen B. J. , Hall S. M. Parvovirus B 19 In: Greenough A, Osborn J, Sutherland S (eds. ). Congenital, perinatal and neonatal infections. Churchil Livingstone, London, 1992; p. 157 -170; 3 Bonvicini, F; Pucctti, C; Salfi, NCM; Guerra, B; Galinella, G: Rizzo, N; Zerbini, M. Gestational and Fetal Outcomes in B 19 Maternal Infection: a Problem of Diagnosis. Journal of Clinical Microbiology, 49(10): 3514 -8, 2011; 4 Jain, A; Kelly E; Shah, V. Parvovirus B 19 Infection in Pregnancy: Implications for Childhood Outcomes; The Open Infectious Diseases Journal; 3, 83 -93, 2009; 5 Heegaard, ED; Brown, KE. Human Parvovirus B 19. Clinical Microbiology Reviews; 15(3): 485 -505, 2002. 1 Figura 02