William Stanley Jevons 1835 1882 Ele e Marshall

  • Slides: 35
Download presentation
William Stanley Jevons (1835 -1882)

William Stanley Jevons (1835 -1882)

 Ele e Marshall são, sem dúvida, os dois principais nomes responsáveis pela introdução

Ele e Marshall são, sem dúvida, os dois principais nomes responsáveis pela introdução e popularização, tempos depois, das ideias marginalistas na Inglaterra. Personalidade tímida e pensativa, dos 19 aos 24 anos morou em Sidney, na Austrália, onde trabalha como “avaliador de metais”.

Investigações em Moeda e Finanças Estudo da relação entre oferta de ouro e moeda.

Investigações em Moeda e Finanças Estudo da relação entre oferta de ouro e moeda.

Influências em Jevons Economia da Estrada de Ferro, de Dionysius Lardner, lido em 1857.

Influências em Jevons Economia da Estrada de Ferro, de Dionysius Lardner, lido em 1857. No livro de Lardner aparece indiretamente algo de Dupuit. Antes de Lardner, a atenção de Jevons já se voltava para a constatação: os problemas econômicos puros são problemas de alocação ótima e a investigação econômica consiste essencialmente num tipo de matemática que calcula a causa e o efeito da ação humana produtiva e mostra como ela pode ser mais bem aplicada.

 Jevons recebeu o conceito de utilidade de Bentham, Senior e Whately: “Não é

Jevons recebeu o conceito de utilidade de Bentham, Senior e Whately: “Não é o trabalho que qualquer coisa tenha custado que ocasiona a sua venda por um elevado preço, mas o contrário, é a sua venda por um alto preço que acarreta aos homens trabalharem na procura dela” Senior: três condições requeridas para o valor => utilidade, transferibilidade e limitação na oferta

 No retorno de Jevons à Londres, em 1859, o principal economista defensor da

No retorno de Jevons à Londres, em 1859, o principal economista defensor da teoria da utilidade era Lloyd, que também deve tê-lo influenciado. A tendência manifestada no pensamento de Jevons de desenvolver posições não ortodoxas e de não se conformar ao argumento da autoridade, duvidando sempre que possível, é apontada por alguns como influência da religião “unitarianista” de seus pais.

2 artigos à “Associação Britânica para o Avanço da Ciência” (1862) Notícias de uma

2 artigos à “Associação Britânica para o Avanço da Ciência” (1862) Notícias de uma Teoria Matemática Geral da Economia. Escreve: “A verdadeira teoria da Economia somente pode ser alcançada buscando-se de volta a mola sublime da ação humana: os sentimentos de prazer e dor” A recepção do público não foi muito boa. Os secretários da Associação não aprovaram o texto (Macleod, Macrory, Fawcett, Thornton, Merivale e Chadwick).

 Marshall, recém chegado em Cambridge, tomou conhecimento do ensaio de Jevons, no entanto

Marshall, recém chegado em Cambridge, tomou conhecimento do ensaio de Jevons, no entanto demonstrou desinteresse. O que reforça a tese de que Marshall não havia desenvolvido uma teoria da utilidade marginal por essa época. Sobre o Estudo das Flutuações Comerciais Periódicas (aprovado pela Associação)

Notícias de uma Teoria Matemática Geral da Economia A essência do sistema teórico de

Notícias de uma Teoria Matemática Geral da Economia A essência do sistema teórico de Jevons (sem notação matemática e gráfico). 1 o parágrafo: os principais problemas da Economia podem ser tratados de uma forma matemática rigorosa. Próximos seis parágrafos: desenvolve a teoria do prazer e da dor (admite a existência de outros motivos que comandam a ação humana. Termina com a ideia de utilidade marginal decrescente).

 Oitavo a décimo parágrafos: identifica dor com trabalho; critica a teoria do valor

Oitavo a décimo parágrafos: identifica dor com trabalho; critica a teoria do valor trabalho; apresenta o seu modelo de equilíbrio da troca simples. No restante do artigo, estende o modelo para muitos indivíduos e muitas mercadorias. Chega a insistir no sistema de equilíbrio geral, embora nunca o tenha desenvolvido. Analisa a produção, conectando-a ao problema da troca. Discute a relação entre juros e capital.

 As Notícias são finalmente publicadas em 1866 pelo Journal of the Statistical Society

As Notícias são finalmente publicadas em 1866 pelo Journal of the Statistical Society of London, agora com o nome de Breve Consideração sobre uma Teoria Matemática Geral da Economia. Embora essencialmente o mesmo trabalho, Jevons incorpora algo de novo nele. Discute com mais detalhe como é feita a comparação da intensidade do sentimento no ato de escolha. Prolonga a análise da intensidade e da duração do prazer. Aprofunda o tema do papel da previsão e da estimativa da utilidade futura. Faz também algumas mudanças terminológicas ao discutir a ideia de utilidade marginal decrescente.

 Jevons retoma os estudos em teoria abstrata apenas em 1871. Decide completar seu

Jevons retoma os estudos em teoria abstrata apenas em 1871. Decide completar seu trabalho em Economia teórica a fim de refutar as teses de Fleming Jenkin (professor de engenharia de Edimburgo que escreve Representação Gráfica das Leis da Oferta e da Demanda).

Teoria da Economia Política “Minha teoria deve ser apresentada como a mecânica da utilidade

Teoria da Economia Política “Minha teoria deve ser apresentada como a mecânica da utilidade e do interesse individual” As leis últimas que comandam a utilidade são obtidas por intuição ou fornecidas por outras ciências “A ciência da Economia, contudo, é de alguma forma peculiar, devido ao fato, indicado por John Stuart Mill e Cairnes, de que conhecemos suas leis fundamentais imediatamente pela intuição, ou, de qualquer forma, nos serão fornecidas já elaboradas pelas outras ciências psicológicas ou físicas” A mecânica da utilidade e do auto-interesse é uma teoria verdadeira, tão auto-evidente quanto os Elementos de Euclides.

Entusiasmo pelo método matemático “Não hesito em dizer, também, que a Economia pode ser

Entusiasmo pelo método matemático “Não hesito em dizer, também, que a Economia pode ser gradualmente elevada à condição de ciência exata, desde que as estatísticas comerciais sejam bem mais completas e exatas do que são no presente, de sorte que a doutrina possa ser dotada com um sentido preciso por meio do auxílio dos dados numéricos. . . A ciência dedutiva da Economia deve ser comprovada e tornada útil pela ciência puramente empírica da Estatística”

Influência de Bentham “. . . as idéias desse filósofo moral são o ponto

Influência de Bentham “. . . as idéias desse filósofo moral são o ponto de partida de minha teoria” Em Notícias Bentham é citado em quase metade dos parágrafos. A teoria moral benthamita era facilmente acessível: coletânea de seus escritos em Trabalhos. Jevons, contudo, só se interessou por Bentham após seu retorno da Austrália. A ideia geral do cálculo do prazer e da dor. Discussão das dimensões do prazer e da dor. Discussão do prazer no consumo de um bem particular. A essência da ideia de utilidade marginal foi elaborada por Bentham.

Influência de Richard Jennings A ideia de que o valor é derivado do trabalho

Influência de Richard Jennings A ideia de que o valor é derivado do trabalho humano é a falácia fundamental da economia científica. Jennings conhece a noção de utilidade marginal: “Na proporção em que os objetos são menos abundantes, qualquer quantidade limitada deles deve ser mantida como mais valiosa, e na proporção em que eles são mais abundantes, eles devem ser mantidos como menos valiosos; o valor de toda mercadoria vai sendo dissipado à medida que ela cresce em quantidade, como um círculo na água, quanto mais espalhado mais ele se dispersa. ”

Jennings também é citado por Jevons como precursor da ideia de desutilidade marginal crescente

Jennings também é citado por Jevons como precursor da ideia de desutilidade marginal crescente do trabalho. Jennings tentou tratar a economia científica como matéria de desenvolvimento da psicologia, Jevons não chegou a tanto.

Resistências à nova doutrina dos preços Quando Jevons propôs a nova doutrina dos preços

Resistências à nova doutrina dos preços Quando Jevons propôs a nova doutrina dos preços na Teoria, ela conheceu novamente uma forte resistência conservadora. Pela falta de adesão, essa doutrina teve progresso lento. Marshall, na sua revisão desse livro, e também Bagehot, Sidgwick e Cairnes, não foram grandes entusiastas da obra de Jevons. Marshall afirma que o livro de Jevons tem como principal propósito: “Substituir a teoria do valor de Mill pela doutrina de que ‘o valor depende inteiramente da utilidade”

Críticas: Marshall nega originalidade à ideia de Jevons e, contra ela, sustenta a teoria

Críticas: Marshall nega originalidade à ideia de Jevons e, contra ela, sustenta a teoria clássica do valor afirmando que, em última instância, é o trabalho que determina o valor, já que a utilidade marginal depende de variações na oferta, que por sua vez são proporcionadas pelo próprio trabalho. Bagehot afirma ser a teoria de Jevons muito inferior à antiga. Sidgwick deplora o seu apelo revolucionário.

Crítica de Cairnes: Cairnes não viu originalidade no trabalho de Jevons. Ele diz que

Crítica de Cairnes: Cairnes não viu originalidade no trabalho de Jevons. Ele diz que se trata da mesma teoria do valor de Fréderic Bastiat em Harmonias Econômicas. Diz ainda que Jevons não tem uma medida válida do grau final de utilidade exceto o valor de troca do bem, já que o prazer não é por ele medido diretamente. Cairnes não entendeu o sentido da teoria da utilidade marginal. Apenas ironiza dizendo que para Jevons o valor depende da utilidade e a utilidade é qualquer coisa que afeta o valor.

Crítica de Thorton: Thornton também criticou o conceito de utilidade de Jevons. O problema

Crítica de Thorton: Thornton também criticou o conceito de utilidade de Jevons. O problema para a sua aceitação era que, a princípio, a teoria do comportamento do consumidor parecia não ter nenhum significado operacional.

Na imprensa britânica: Artigos elogiosos surgem em revistas como Athenaeum, British Quartely Review, Westminister

Na imprensa britânica: Artigos elogiosos surgem em revistas como Athenaeum, British Quartely Review, Westminister Review, The Manchester Daily Examiner, Fortnightly Review e Times. O Manchester Guardian tenta reconciliar Jevons com os clássicos O Glasgow Daily Herald critica o conceito de utilidade dizendo que não podemos conhecer a razão dos graus finais de utilidade sem conhecer a razão de troca. Sendo assim, aquela razão não pode ser usada para explicar esta. A função de utilidade, portanto, não é independente das equações de troca.

 O Saturday Review também faz uma crítica contundente: em Jevons, a quantidade total

O Saturday Review também faz uma crítica contundente: em Jevons, a quantidade total do bem não pode ser aumentada ou diminuída. Cada comerciante é um monopolista. “Suponha que o Museu Britânico tenha todas as obras restantes de esculturas gregas e o Louvre de esculturas romanas. A qual taxa trocarão as coleções? ” Trata-se, afirma a revista, de um problema descolado da realidade.

A fama de Jevons como estatístico: Se os artigos sobre utilidade e valor dos

A fama de Jevons como estatístico: Se os artigos sobre utilidade e valor dos anos sessenta e mesmo a Teoria não chamaram a atenção do público, Jevons já havia se notabilizado em meados daquela década graças a seu trabalho estatístico em A Questão do Carvão, no qual desenvolve uma explicação, inspirada em Malthus, para o problema do esgotamento da energia derivada do carvão.

 O conjunto de trabalhos estatísticos de Jevons, que ele vinha desenvolvendo nos últimos

O conjunto de trabalhos estatísticos de Jevons, que ele vinha desenvolvendo nos últimos anos, torna-se objeto de admiração de todos: o seu artigo sobre flutuações sazonais, o seu estudo sobre movimentos seculares no valor do ouro, os trabalhos em Economia monetária, no quais defende o bimetalismo, e até a sua curiosa teoria das “manchas solares” para explicar o ciclo econômico.

O entusiasmo com a matemática: No fim do século XIX, poucos ingleses mostram -se

O entusiasmo com a matemática: No fim do século XIX, poucos ingleses mostram -se tão entusiasmados com o uso da matemática quanto Jevons. Para ele, a ciência econômica exata deve tratar seus termos com matemática.

“Minha teoria de Economia é de caráter puramente matemático. Mais ainda, acreditando que as

“Minha teoria de Economia é de caráter puramente matemático. Mais ainda, acreditando que as quantidades com as quais lidamos devem estar sujeitas a variação contínua, não hesito em usar o ramo apropriado da ciência matemática, não obstante envolva a consideração ousada das quantidades infinitamente pequenas. Como a teoria perfeita de quase todas as outras ciências envolve o uso daquele cálculo [diferencial], não podemos, então, ter uma verdadeira teoria da Economia sem seu auxílio. ”

O uso de fórmulas algébricas

O uso de fórmulas algébricas

Dificuldades de Jevons: Jevons não demonstra muita habilidade em traduzir seus pensamentos para a

Dificuldades de Jevons: Jevons não demonstra muita habilidade em traduzir seus pensamentos para a linguagem matemática. Exemplificando, a sua equação anterior é satisfatória para um indivíduo confrontado com preços fixos, mas é de difícil aplicação na descrição dos mercados competitivos.

Gossen o precursor. . . Antes de Jevons, também Gossen analisa a troca de

Gossen o precursor. . . Antes de Jevons, também Gossen analisa a troca de um ponto de vista similar valendo-se de expressões algébricas. Jevons emprega a álgebra ainda em outros problemas, como no seu conhecido tratamento da troca simples.

Análise Matemática da Troca Simples em Jevons O indivíduo A troca a parte x

Análise Matemática da Troca Simples em Jevons O indivíduo A troca a parte x de suas a unidades iniciais de trigo por y unidades de carne pertencentes a B, que possui um estoque inicial total de b. Após o intercâmbio, A possuirá a-x unidades de trigo e y de carne. B possuirá x de trigo e b-y de carne. Para o indivíduo A, seus “graus finais de utilidade” são 1 de trigo e 1 de carne, 2 e 2 para B.

A lei da indiferença A “lei da indiferença” assevera existir um único preço no

A lei da indiferença A “lei da indiferença” assevera existir um único preço no mercado. Pela “lei da indiferença”, no mesmo mercado toda porção de um bem homogêneo é trocada na mesma taxa, isto é, qualquer porção do bem é usada indiferentemente no lugar de outra porção do mesmo montante. Existe, portanto, um único preço no mercado. Jevons discute a lei da indiferença no capítulo IV de sua Teoria da Economia Política.