Unicamp 2017 2 fase Poesia Lus de Cames









































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Unicamp 2017 2ª fase
Poesia: Luís de Camões, Sonetos. 1 Jorge de Lima, Poemas Negros (Livro distribuído pelo governo federal no PNBE). 2 Contos: Clarice Lispector, Amor, do livro Laços de Família. Guimarães Rosa, A hora e a vez de Augusto Matraga, do livro Sagarana. Monteiro Lobato, Negrinha, do livro Negrinha. 3 Teatro: Osman Lins, Lisbela e o prisioneiro. 4 Romance: Aluísio Azevedo, O cortiço. Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago (Livro em domínio público). Érico Veríssimo, Caminhos Cruzados (Livro distribuído pelo governo federal no PNBE). José de Alencar, Til. Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mia Couto, Terra Sonâmbula.
Luís de Camões – Sonetos Selecionados para o Vestibular 20171 Disponível em: http: //www. dominiopublico. gov. br/download/texto/bv 000164. pdf 1 - A fermosura desta fresca serra (1668 - soneto 136) 2 - Ah! Minha Dinamene! Assi deixaste (1685 -1668 - soneto 101) 3 - Alma minha gentil, que te partiste (1595 - soneto 080) 4 - Amor e um fogo que arde sem se ver (soneto 005) 5 - Busque Amor novas artes, novo engenho (l 595 - soneto 003) 6 - Cá nesta Babilônia? donde mana (1616 - soneto 120) 7 - Como quando do mar tempestuoso (1598 - soneto 043) 8 - De vos me aparto, ó vida! Em tal mudança (1595 - soneto 057) 9 - Enquanto quis Fortuna que tivesse (1595 - soneto 001) 10 - Esta lascivo e doce passarinho (1595 - soneto 014) 11 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1595 - soneto 092) 12 - Na ribeira do Eufrates assentado (soneto 129) 13 - O Céu, a terra, o vento sossegado (1616 - soneto 106) 14 - O dia em que eu nasci, moura e pereça (1860 - v) 15 - O tempo acaba o ano, o mês e a hora (1668 - soneto 133) 16 - Pede o desejo, Dama, que vos veja (1595 - soneto 008) 17 - Quando de minhas mágoas a comprida (soneto 100) 18 - Sete anos de pastor Jacob servia (1595 - soneto 030) 19 - Transforma-se o amador na cousa amada (1595 - soneto 020) 20 - Vencido esta de amor meu pensamento (1685 -1668 - soneto 145)
Temas comuns nos sonetos de Camões • Amor platônico amor espiritualizado, conceitual, personificado • Amor carnal vassalagem amorosa • O próprio amor a perda de sua amada Dinameme • Instabilidade das coisas efemeridade, mudança constante de tudo • Desconcerto do mundo referência ao momento histórico de transição (medieval / renascentista)
desconcerto ê/ substantivo masculino 1. ausência de harmonia, de ordem (física ou moral); perturbação, transtorno. "d. da natureza" 2. discordância entre seres, países etc. ; desacordo, desavença.
Estrutura do soneto clássico petrarquiano Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? A B B A C D C D
Erros meus, má fortuna, amor ardente em minha perdição se conjuraram; os erros e a fortuna sobejaram, que para mim bastava o amor somente. Tudo passei; mas tenho tão presente a grande dor das cousas que passaram, que as magoadas iras me ensinaram a não querer já nunca ser contente. Errei todo o discurso de meus anos; dei causa a que a Fortuna castigasse as minhas mal fundadas esperanças. De amor não vi senão breves enganos. Oh! quem tanto pudesse que fartasse este meu duro gênio de vinganças! A B B A C D E
Para o vestibular de 2017 são leitura obrigatória os seguintes poemas: I - Novos poemas Essa negra Fulô Comidas Santa Rita Durão Minha sombra Flos Sanctorun Meus olhos Cantigas II – Poemas escolhidos Nordeste Enchente O filho pródigo Poema relativo Mulher proletária Poema do nadador Poema à bem-amada III – Poemas Negros Bicho encantado Banguê História Democracia Retreta do vinte Quichimbi sereia negra Zefa lavadeira Benedito Calunga Ladeira da Gamboa Passarinho cantando Exu comeu tarubá Ancila negra O banho das negras Cachimbo do sertão Obambá é batizado Poema de encantação Rei é Oxalá, rainha é Iemanjá Foi mudando, mudando Janaína Quando ele vem Xangô Pra donde que você me leva Maria Diamba Olá! Negro
IV – Livro de sonetos Os seus enfeites Apenas eu te aceito, não te quero Sinto-me salivado pelo Verbo Vereis que o poema cresce independente Este poema de amor não é lamento Nas noites enluaradas cabeleiras Nas noites enluaradas as olheiras
Destaques: - Linguajar espontâneo oralidade, regionalismo - Memórias de infância do poeta da fazenda - Questões sociais casa grande, senhor de escravos, senzala - Liberdade formal - Possibilidade de “jogo” comparativo entre clássico e moderno: Soneto de Camões X Soneto de Jorge de Lima
CONTOS
“NEGRINHA” Monteiro Lobato
• Período: Pré-modernismo • Publicação: 1920 • Autor: Monteiro Lobato • Autor polêmico com relação ao Modernismo • Linguagem coloquial, gramática impecável • Valorizou os aspectos regionais de São Paulo (Vale do Paraíba), foi defensor de questões relacionadas ao desenvolvimento do país (petróleo, ferro), criou uma literatura infantil didática e sedutora. • Temática central: a questão do negro pós-escravidão no Brasil. “(. . . ) tempo em que a escravidão havia sido abolida por lei – mas leis não têm força para abolir costumes. ” • Uso de ironia pelo narrador (3ª pessoa onisciente) • Negrinha: ausência de nome, ausência de identidade
Negrinha: • Diminutivo pejorativo: condição social e psicológica • Criança pobre, negra, oprimida • Magra, atrofiada, “peste” D. Inácia: • Adulta, rica, branca, gorda • Opressora, “dona do mundo”, “virtuosa” • Muito bem vista pelo vigário (senhora caridosa) Sobrinhas: • Loiras, “anjos” • Instruídas, cheias de brinquedos • Trazem consciência individual pela alteridade A boneca traz sentido de igualdade à Negrinha (brincava como as outras, era criança) A ausência da boneca devolve Negrinha à mesma condição, mas agora com consciência (inexorável).
Observações importantes: - O tema da caridade azeda e má, que cria infortúnio para os dela protegidos, é um dos temas recorrentes de Monteiro Lobato Também em Érico Veríssimo - O segundo aspecto que poderia ser observado é o fenômeno da epifania, a revelação que, inesperadamente, atinge os seres, mostrando-lhes o mundo e seu esplendor Também em Clarice - A reificação (coisificação) de Negrinha semelhante a Bertoleza - Tema da escravidão e questão racial Naturalismo (determinismo)
“Amor” Clarice Lispector
• Período: Modernismo (3ª geração) • Publicação: 1974 • Autora: Clarice Lispector • Prosa intimista e introspectiva • Fluxo de consciência: monólogo interior • Existencialismo, busca de compreensão de si no mundo, do sentido da vida • Temática central: busca do sentido do papel da mulher na família/sociedade. • Narrador de terceira pessoa onisciente • Esvaziamento da ideia (pré-concebida) do que é amor: o cego e o Jardim Botânico lhe trazem estranhamento busca, consciência compreensão final: retomada do mesmo ponto de partida: esquecimento
- O cego mascando chiclete interrompe a sua rotina, a desperta para reações íntimas e por meio da imaginação, a sua rotina se rompe foco no processo interior - Se deu conta da crueza do mundo, pensou na fome e sentiu asco, a piedade pelo cego era tão violenta como uma ânsia existencialismo (Sartre: náusea) - Suas angústias = ânsia pela liberdade - Dúvida: viver numa outra realidade, de sair deste mundo de convenções ou ignorar e deixar as coisas seguirem na mesma linha? - Jardim Botânico aparente desordem do mundo; a vida se estabelece sobre a aceitação da violência (“A moral do Jardim era outra”)
DESFECHO: “Depois, quando todos foram embora e as crianças já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que olhava pela janela. A cidade estava adormecida e quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico. ” Aceitação do mundo, com suas profundezas de sentimento e suas violências de desigualdades. Volta a ser a mesma, sem nunca mais poder ser a mesma. - Década de 70: emergência do feminismo
“A hora e a vez de Augusto Matraga” Guimarães Rosa
• Período: Modernismo (3ª geração) • Publicação: 1946 • Autor: Guimarães Rosa • Um dos maiores narradores da nossa literatura • Cultura e erudição vastíssimos (poliglota) • Mineiro, usa o sertão como metáfora do mundo • Temática central: a regeneração de um homem após proximidade com a morte. • Particularidades: os neologismos de Guimarães, a narrativa dotada de ritmo, o regionalismo universal • Narrador de terceira pessoa onisciente • Presença do número 3: três lugares, três nomes, três partes, símbolo dos bois, etc. caminho do meio
Aspectos Importantes: - Temática da dicotomia o bem X o mal relatividade - O aspecto mítico/lendário do conto roseano lirismo e máximas - Sertão como não-lugar universalidade - Inventividade linguística apoiada no conhecimento gramatical REVER PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS (prefixação, sufixação, derivação imprópria, hifenização, etc. )
Lisbela e o prisioneiro Osman Lins
• Período: Contemporâneo • Publicação: 1963 • Autora: Osman Lins • Foi aluno de Ariano Suassuna • Natural de Recife, usa de regionalismos • Peça de caráter popular, com um único cenário, personagens sem complexidade psicológica e linguagem coloquial • Comédia de costumes que critica a ordem policial carcerária e a instituição do casamento • Regionalismo de pano de fundo, sem problematizações • Machismo em vários momentos do texto, uma única personagem feminina, sem muita atitude.
Destaques (talvez negativos): - A força dramatúrgica não está na relação amorosa, mas sim na interação entre Leléu (herói? ) e os demais homens nas suas hierarquias de poder (soldado, carcereiro, delegado, etc. ) prevalece a esperteza da malandragem - Possível relação Jaborandi e Chinita (Érico) na busca pela imitação do cinema ficção > real - Mulheres são “usadas” sem escrúpulos jovens que Leléu deflora por divertimento ou o casamento forjado por Heliodoro (já casado). - Desfecho mal contado para preservar a índole da “mocinha” morrer de susto? ? Ah, vá!
funâmbulo substantivo masculino 1. equilibrista que anda na corda bamba ou arame, demonstrando sua destreza em exibições públicas; aramista, burlantim. 2. fig. indivíduo que muda facilmente de opinião ou partido.
O Cortiço Aluísio Azevedo
• Período: Realismo (Naturalismo) • Publicação: 1890 • Autor: Aluísio Azevedo • Segue à risca os preceitos naturalistas (Emile Zola) • Talentoso em desenvolver romances de coletivo • Estilo que busca a neutralidade narrativa (distanciamento) • Narrativa de muitos personagens: o coletivo é o protagonista • Determinismo e zoomorfismo • Crueza na exposição dos fatos, temática sexual sem disfarces • Classe baixa animalização e ausência de moral • Foco de terceira pessoa observador neutro
Síntese: • O enfoque é na força degradante da sociedade, exposição do lado mais animalesco e grotesco do homem • O jogo das conveniências é mais uma vez colocado (e favorece aos poderosos, atropelando os fracos) • Ausência de psicologismos • A queda moral de Jerônimo também possui explicação ligada ao ambiente: o sol dos trópicos abate a vontade de trabalhar e o homem se entrega aos prazeres. Sua pureza original é superada por seus instintos, e ele se torna preguiçoso e dado à luxúria. O fato de a mesma decadência atingir Piedade e Pombinha confirma a tese de que a tendência à frouxidão de costumes se dá em função do ambiente.
Destaques: - Relação do período histórico com a visão da identidade nacional: - Rio de Janeiro (capital) tornando-se uma “cidade grande” consequências como a periferia - “Tipos” brasileiros (personagens tipicamente brasileiros): o malandro, a mulata sensual, o imigrante (português) comerciante, a “empregada” negra, etc. - crítica (velada na ironia) do “jeitinho” brasileiro, ou seja, da ausência de moral e ética. - Visões do feminino surgimento da mulher independente e sexualizada - Uso de registros diversos de linguagem no discurso direto Vs. Distanciamento e neutralidade do narrador
Coração, cabeça e estômago Camilo Castelo Branco
• Período: Romantismo (? ? ? ) • Publicação: 1862 • Autor: Camilo Castelo Branco • Autor conhecido pelas novelas passionais (trágicas) • Romance da fase final, influência do Realismo • A temática ainda é dos amores frustrados (relação biográfica) • Uso da ironia reflexão > emoção • Divisão do livro o que simboliza cada parte? Coração = juventude, ímpeto; Cabeça = maturidade, cálculo; Estômago = conveniência dos prazeres possíveis, aceitação, resignação • Presença do épico, do lírico e do digressivo.
Destaques: - Comparação de narrativas póstumas Brás Cubas e Silvestre da Silva: qual a diferença da relação do leitor com as narrativas? (qual o papel do editor? ) Qual a semelhança entre esses protagonistas? (como eles são vistos pela sociedade? ) - Primeira parte: Paula mulher do Realismo (adultério, hipocrisia, essência X aparência, dissimulação, questão social) Marcolina mulher do Romantismo (tuberculose, vida sofrida, ações sinceras, final trágico) - Passagem da desilusão da primeira parte para a segunda = passagem da passionalidade romântica para a racionalidade realista jornalismo (busca da verdade) e política (jogo dos interesses dos poderes): viés ANALÍTICO - Cidade grande (Porto): contexto urbano - Casamento por interesse Brás e Virgília
- Terceira parte: cidade pequena (simplicidade) deixar de lado as ambições sentimentais e intelectuais em nome do sossego e dos pequenos prazeres. - Tomásia = sem atraentes, exceto para o estômago (maturidade) - Sátira do estilo romântico desprezo pelos folhetins “Por ter uma aparência sadia, Silvestre resolve dissimular olheiras com um líquido roxo indicado por um amigo médico. Ele se vê satisfeito com o resultado da transformação de sua aparência. Silvestre age, portanto, como se o romantismo, o sentimentalismo e até mesmo o sofrimento pudessem ser construídos, e lança aí a ideia de que muitos sentimentos são "inventados" à sombra do romantismo. ” - Metalinguagem Relação com Memórias póstumas - Desfecho: “O peixe morre pela boca. ”
Caminhos cruzados Érico Veríssimo
• Período: Modernismo (2ª geração) • Publicação: 1935 • Autor: Érico Veríssimo • Gaúcho, exceção no regionalismo do NE • Obra dividida em narrativas históricas, relatos cômicofantásticos e romances urbanos de costumes. • Esse romance deu-lhe o estigma de comunista • Romance de introspecção psicológica movimento de fora para dentro (necessária onisciência do narrador) • Período getulista (Revolução de 30) livro de protesto, sem panfletarismo • Érico Veríssimo traça cento e vinte instantâneos de cinco dias - de sábado a quarta feira recorte do cotidiano sem pretensão de curva dramática (a vida como ela é), típico do período portanto ausência de clímax e desfecho
Destaques: - Relação com Artes Plásticas o livro é mais um painel do que um fluxo - Sintonia com o “clima” antiburguês crítica à futilidade/alienação do mundo capitalista - Dois planos claramente distintos simpatia com os personagens pobres - O tempo é o do presente, mas há uso recorrente do Flash-back. - As personagens têm a força e ao mesmo tempo a fraqueza da caricatura. Talvez ninguém possa ser tão vago e fora deste mundo como Noel ou João Benévolo. É impossível que D. Dodó não tivesse um lado simpático ou, antes, que sua psicologia fosse tão simplesmente linear como o livro dá a entender. O mesmo se poderia dizer de quase todas as outras figuras.
Terra sonâmbula
• Período: Contemporâneo • Publicação: 1992 • Autor: Mia Couto • Pseudônimo de Antonio Emilio Leite Couto • Moçambicano, é biólogo e escritor • Tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. • Narrativa fantástica que mistura realidade e sonhos (como no estado de sonambulismo) • Temática central é a tentativa de recuperar a relação com a terra, com as tradições, com os mitos do passado identidade • Dois focos narrativos em dois eixos paralelos (cadernos de Kindzu e o presente de Muidinga e Tuahir.
Destaques: • O final do romance é bem revelador: as folhas dos cadernos de Kindzu começam a virar terra enraizar, entrar na terra, recuperar o contato por meio das narrativas • Uso constante de neologismos e de termos regionais (a exemplo de Guimarães Rosa): terra viva e língua viva REVER PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS!!!! • Perda de memória (Muidinga) e busca de identidade (Kindzu) = Moçambique. • Crítica de Mia Couto à relação do poder com o povo faminto e desabrigado.