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![LITERATURA PORTUGUESA TROVADORISMO COMPOSIÇÕES SATÍRICAS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] Cantigas d'escarneo e maldizer LITERATURA PORTUGUESA TROVADORISMO COMPOSIÇÕES SATÍRICAS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] Cantigas d'escarneo e maldizer](https://slidetodoc.com/presentation_image_h/9ae4daacdcb5ed4687532d6ce7de3954/image-9.jpg)
![CANTIGAS SATÍRICA MEDIEVAIS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Quinto • Cantigas d'escarneo som CANTIGAS SATÍRICA MEDIEVAIS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Quinto • Cantigas d'escarneo som](https://slidetodoc.com/presentation_image_h/9ae4daacdcb5ed4687532d6ce7de3954/image-10.jpg)
![POESIA SATÍRICA MEDIEVAL ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Sexto • Cantigas de maldizer POESIA SATÍRICA MEDIEVAL ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Sexto • Cantigas de maldizer](https://slidetodoc.com/presentation_image_h/9ae4daacdcb5ed4687532d6ce7de3954/image-11.jpg)








![AO GOSTO “MODERNISTA” Juó Bananère [séc. XX] AO GOSTO “CLÁSSICO” Olavo Bilac [1865 -1918] AO GOSTO “MODERNISTA” Juó Bananère [séc. XX] AO GOSTO “CLÁSSICO” Olavo Bilac [1865 -1918]](https://slidetodoc.com/presentation_image_h/9ae4daacdcb5ed4687532d6ce7de3954/image-20.jpg)
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TROVADORISMO CANTIGAS DE AMOR Pois naci nunca vi amor E ouço d'el sempre falar. Pero sei que me quer matar Mais rogarei a mia senhor Que me mostr' aquel matador Ou que m'ampare d'el melhor. Nuno Fernandez Torneol (séc XIII)
LITERATURA PORTUGUESA I TROVADORISMO CANTIGAS SATÍRICAS Prof. Stélio Furlan
TROVADORISMO cantigas satíricas n SÁTIRA n n n Modalidade literária que consiste na crítica das instituições ou pessoas, na censura dos males da sociedade ou dos indivíduos envolve uma atitude ofensiva, ainda quando dissimulada o ataque é a sua marca distintiva, a insatisfação perante o estabelecido a sua mola básica. “riso malévolo”, “insolente” (MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários, p. 412 -413)
TROVADORISMO CANTIGAS SATÍRICAS • Espaço para o questionamento da hierarquia e da ideologia feudal • Compostas pelo trovador e executadas pelo jogral e a companheira. • Abolição das formalidades e etiquetas. Grupos sociais - Século XIII MARQUES, Marques; COSTA, Fátima. História e Geografia de Portugal - 5º Ano, Porto Editora. • Carnavalização do sério pelo cômico, pelo (sor)riso. n
TROVADORISMO CANTIGAS SATÍRICAS Temas: problemas da época • • • a sovinice dos homens ricos, os caloteiros, a miséria das crianças, o costume de casar as raparigas à força, as volúpias damas da corte, as mulheres mal-maridadas, a infidelidade feminina e masculina, os viciados em jogo, os faladores, indiscretos, as visitas inoportunas. . .
TROVADORISMO CANTIGAS SATÍRICAS Temas: pessoas • • • a dona sandia; o covarde; o desertor da guerra; o trovador hiperbólico (as convenções do amor cortês tal como é expresso nas cantigas de amor). um rei boêmio; o burguês unha de fome; o velho que pinta o cabelo e que se apaixona por uma cortesã; a mãe que ensina a filha a saracotear e não a coser e a fiar; um frade que se dizia impotente mas que era arreytado; o namoro de uma freira e um tabelião. .
TROVADORISMO Motivos: CANTIGAS SATÍRICAS cantigas. fcsh. unl. pt/resultado 3. asp? metodo=qs&tipo=temas&te ma=5&subtema=56, Agoiros/astrologia/superstições, Ambição/ganância, Arte de trovar, Aspeto físico feminino, Aspeto físico masculino, Avareza/pelintrice, Bajulação/interesse, Bebida, Caça, Casamento/mancebia, Casamentos forçados, Cobardia, Comportamentos políticos, Comportamentos sexuais, Comportamentos sexuais dos religiosos, Defeitos físicos, Doenças várias/tratamentos, Doenças venéreas, Duplicidade / mentira, Entrada forçada para o convento, Estupidez, Exercícios/jogos militares, Falta de escrúpulos/corrupção, Falta de palavra, Gravidez, Habitação, Heranças/partilhas, Heresias/blasfémias, Homossexualidade, Impostos, Impotência, Incesto, Incompetência profissional, Jogo, Maledicência, Mau caráter, Maus jantares, Maus tratos domésticos, Modas/vestuário, Nobreza recente, Pagamentos, Paródias ao amor cortês, Peregrinações, Quotidiano feminino, Raptos, Reações a cantigas anteriores, Recusa de hospedagem, Relações vassálicas, Romarias, Roubo, Sexo e dinheiro, Traição, Trovadores e jograis/pagamentos, Trovadores e jograis/ plágio, Trovadores e jograis/ vida pessoal, Velhice, Vida religiosa
LITERATURA PORTUGUESA TROVADORISMO COMPOSIÇÕES SATÍRICAS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] Cantigas d'escarneo e maldizer
CANTIGAS SATÍRICA MEDIEVAIS ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Quinto • Cantigas d'escarneo som aquelas que os trobadores fazem querendo dizer mal d'alguém em elas, e dizem-lho per palavras cobertas que hajam dous entendimentos, pera lhe-lo nom entenderem ligeiramente; • E estas cantigas se podem fazer outrossi de meestria ou de refram. • http: //cantigas. fcsh. unl. pt/artedetrovar. asp
POESIA SATÍRICA MEDIEVAL ARTE DE TROVAR [SÉC. XIII] ►Capítulo Sexto • Cantigas de maldizer som aquela[s] que fazem os trobadores descobertamente e [em] elas entram palavras e[m] querem dizer mal e nom haver[am] outro entendimento senom aquel querem dizer chaam[ente]. http: //cantigas. fcsh. unl. pt/artedetrovar. asp
CANTIGAS DE ESCÁRNIO § sátiras indiretas: “a cantiga de escárnio conteria sátira, realizada por intermédio do sarcasmo, a zombaria e uma linguagem de sentido ambíguo” CANTIGAS DE MALDIZER § sátiras diretas: “a cantiga de maldizer encerraria sátira direta, agressiva, contundente, e lançaria mão duma linguagem objetiva, sem disfarce algum. MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos, p. 27 -31
TROVADORISMO CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER Ai, dona fea! foste-vos queixar porque vos nunca louv'en meu trobar mais ora quero fazer un cantar en que vos loarei toda via; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Ai dona fea, se Deus mi perdon! e pois havedes tan gran coraçon que vos eu loe en esta razon, vos quero já loar toda via; e vedes qual será a loaçon: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei en meu trobar, pero muito trobei; mais ora já un bon cantar farei, en que vos loarei toda via; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! Cancioneiro da Vaticana, n 1097 [Joan Garcia de Guilhade, séc. XIII]
TROVADORISMO CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER • A linguagem em que eram vazadas admitia (. . . ) expressões licenciosas ou de baixocalão: poesia "forte", descambando para a pornografia ou o mau gosto, possui escasso valor estético, mas em contrapartida documenta os meios populares do tempo, na sua linguagem e nos seus costumes, com uma flagrância de reportagem viva. (MOISÉS, Massaud. A Literatura Portuguesa, Editora Cultrix, São Paulo)
TROVADORISMO CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER “de refran” • Dom Fulano tem fama de covarde • disso estou certo • logo que viu os mouros, como boi aferroado • levantou o rabo e fugiu para Portugal • tem fama de leviano • como bezerro novo • tem fama de medroso • como cão que foge da corrente Don Foão, que eu sei que há preço de livão, Vedes que fez en guerra – daquesto sõo certão sol que viu os genetes, come boi que fertavão, sacudiu-se e revolveu-se, alçou rab´ e foi sa via a Portugal Don Foão, que eu sei que há preço de ligeiro, vedes que fez en a guerra – daquesto som verdadeiro: sol que viu os genetes, come bezerro tenreiro, sacudiu-se e revolveu-se, alçou rab´ e foi sa via a Portugal. Don Foão, que eu sei que há prez de liveldade, vedes que fez e na guerra – sabede-o per verdade: sol que viu os genetes, come cam que sal de grade, sacudiu-se e revolveu-se, alçou rab´ e foi sa via a Portugal. n D. Afonso Mendes de Besteiros (sec. XIII)
TROVADORISMO CANTIGAS SATÍRICAS “de mestria” PERO GARCIA BURGALÊS (Séc. XIII) Roi Queymado morreu cõ amor en seus cãtares, par Sancta Maria, por huña dona que grã ben queria; e, por se meter por mays trobador, por que lh' ela nõ quys o ben fazer, fezess-s' el en seus cantares morrer, mais resurgiu depoys, ao tercer dia! Esto fez ele por hûa ssa senhor quer grãn ben; e mays vus en diria: por que cuyda que faz hi maestria, enos cantares que fez ha ssabor de morrer y e des y d' ar viver; esto faz el, que x' o pode fazer, mays outr' omem per rem nono faria. E nom ha ja de ssa morte pavor, senõ ssa morte mays la temeria, mays sabe ben, per ssa sabedoria, que viveraa, des quando morto for; e fazess' en sseu cantar morte prender, des y ar vive: vedes que poder que lhi Deus deu, mais que nõ cuydaria! E, sse mi Deus a mi desse poder qual oj' el ha, poys morrer, de viver, ja mays morte nunca temeria. Foi Rui Queimado morrer de amor em seus cantares, ao que dizia, por uma dama e porque queria mostrar engenho de trovador. Como ela lhe não quis valer, fez-se ele em seus cantares morrer, mas ressurgiu ao terceiro dia. Demonstrar quis o seu fervor por uma dama, mas eu diria: Preocupado com a mestria dos seus cantares, tem o pendor de, embora morto, lograr viver. Isto só ele pode fazer porque outro homem não o faria. E já da morte não tem pavor, Se não mil vezes a temeria. Próprio é da sua sabedoria Viver enquanto morto for. Em seus cantares pode morrer Estando vivo. Maior poder Obter de Deus não poderia. Desse-me Deus igual poder de, embora morto, poder viver, e nunca a morte me assustaria
►TROVADORISMO Roi Queymado morreu cõ amor en seus cãtares, par Sancta Maria, por huña dona que grã ben queria; e, por se meter por mays trobador, por que lh' ela nõ quys o ben fazer, fezess-s' el en seus cantares morrer, mais resurgiu depoys, ao tercer dia! CANTIGAS SATÍRICAS ►Conteúdo semântico: n • 1ª: Roi Queimado, pretendendo-se melhor trovador e mais sincero amador, morreu de amor por ela. Esto fez ele por hûa ssa senhor quer grãn ben; e mays vus en diria: por que cuyda que faz hi maestria, enos cantares que fez ha ssabor de morrer y e des y d' ar viver; esto faz el, que x' o pode fazer, mays outr' omem per rem nono faria. E nom ha ja de ssa morte pavor, senõ ssa morte mays la temeria, mays sabe ben, per ssa sabedoria, que viveraa, des quando morto for; e fazess' en sseu cantar morte prender, des y ar vive: vedes que poder que lhi Deus deu, mais que nõ cuydaria! E, sse mi Deus a mi desse poder qual oj' el ha, poys morrer, de viver, ja mays morte nunca temeria. Roi Queimado é satirizado como trovador de pouca qualidade e ridiculariza-se o amor cortês: • 2ª: Ele o fez porque acha que assim se mostra mais engenhoso do que os demais. • 3ª: Como se eleito de Deus, já não teme a morte. Se ao poeta lhe fosse dado esse poder, também não a temeria e ressuscitaria como Queimado. ►Aspectos estruturantes: n n n cantiga de mestria (sem refrão); fiinda; Esquema rímico: ABBACCB Coblas uníssonas: única série de rimas que se repetem
POESIA SATÍRICA INTERTEXTO: PARÓDIA • étimo: do grego (paroidía): canto ao lado de outro • Composição literária que imita, cômica ou satiricamente, o tema ou/e a forma de uma obra séria. • O intuito da paródia consiste em ridicularizar uma tendência ou um estilo que se torna conhecido ou dominante. • (Massaud Moisés. Dicionário de termos literários) • A paródia é um dos modos maiores da construção formal e temática de textos. • A paródia é capaz de poder transformador ao criar novas sínteses. • Abordagem criativa/produtiva da tradição. • (HUTCHEON, Linda. Uma teoria da paródia)
INTERTEXTO PARÓDIA Lisa Gherardini (1479 -1572) por Leonardo da Vinci
AO GOSTO “MODERNISTA” Juó Bananère [séc. XX] AO GOSTO “CLÁSSICO” Olavo Bilac [1865 -1918] PRA MIGNA ANAMURADA NO MEIO DO CAMINHO XINGUÊ, xisgaste! Vigna afatigada i triste I tirste i afatigada io vigna; Tu tigna a arma povolada di sogno I a arma povolada di sogno io tigna. CHEGUEI. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E a alma de sonhos povoada eu tinha. Ti amê, m'amasti! Bunitigno io éra I tu tambê era bunitigna; Tu tigna uma garigna de féra E io di féra tigna uma garigna. E paramos de súbito na estrada Da vida: longos anos, presa à minha A tua māo, a vista deslumbrada, Tive da luz que teu olhar continha. Una veiz ti begiê a linda mó, I a migna tambê vucê begió. Vucê mi apiso nu pé, e io non pisé no da signora. Hoje, segues de novo. . . Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece, Nem te comove a dor da despedida. Moltos abbracio mi deu vucê, Moltos abbracio io tambê ti dê. U fóra vucê mi deu, e io tambê ti dê u fóra. E eu, solitário, volto a face, e tremo, Vendo o teu vulto que desaparece Na extrema curva do caminho extremo.