Teoria Geral da Execuo Civil II Prof Dr

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Teoria Geral da Execução Civil (II) Prof. Dr. Rafael Menezes

Teoria Geral da Execução Civil (II) Prof. Dr. Rafael Menezes

Responsabilidade Patrimonial Chama-se responsabilidade patrimonial à sujeitabilidade de bens à execução, de modo que

Responsabilidade Patrimonial Chama-se responsabilidade patrimonial à sujeitabilidade de bens à execução, de modo que os bens sobre os quais tal responsabilidade incide ficam sujeitos a suportar atos executivos, podendo vir a ser usados para a satisfação do crédito exequendo. (Alexandre Freitas Câmara)

Previsão Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros

Previsão Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. Regra: incidem os atos de constrição sobre o patrimônio do devedor. Exceção: constrição pessoal Ø Há bens que não são atingidos pelos atos executivos (impenhorabilidades)

Previsão Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros

Previsão Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. Ø Bens presentes do devedor ao tempo da execução Ø Bens futuros do devedor adquiridos durante a execução Ø Bens pretéritos: art. 790, III, IV e IV c/c art. 845, CPC

Eficácia da Execução Devedor Sucessor Terceiros Sócios Cônjuges ou Companheir os

Eficácia da Execução Devedor Sucessor Terceiros Sócios Cônjuges ou Companheir os

Classificação - Didier Responsabilidade Primária Art. 790, I, III, V, VI e VII, CPC

Classificação - Didier Responsabilidade Primária Art. 790, I, III, V, VI e VII, CPC Devedor obrigado Secundária Art. 790, II e IV, CPC Terceiro não Obrigado

Formas de Defesa Enunciado de Súmula 134/STJ

Formas de Defesa Enunciado de Súmula 134/STJ

Bens do Sucessor Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do

Bens do Sucessor Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; Art. 109. A alienação da coisa ou do direito litigioso por ato entre vivos, a título particular, não altera a legitimidade das partes. § 1 o O adquirente ou cessionário não poderá ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária. § 2 o O adquirente ou cessionário poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial do alienante ou cedente. § 3 o Estendem-se os efeitos da sentença proferida entre as partes originárias ao adquirente ou cessionário.

Se o bem objeto da execução para entrega perecer em posse do sucessor? Qual

Se o bem objeto da execução para entrega perecer em posse do sucessor? Qual a extensão da sua responsabilidade?

Bens dos Sócios Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […] II -

Bens dos Sócios Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […] II - do sócio, nos termos da lei; Ø Sociedades irregulares (art. 986 -990, CC/2002) Ø Sociedade em nome coletivo (art. 1. 039, CC/2002) Ø Sociedades anônimas (art. 1. 088, CC/2002) Ø Sociedade em comandita simples (Art. 1. 091, CC/2002) Ø Sociedade limitada (Art. 1. 052, CC/2002) Ø Sociedades de Advogados (art. 17, Lei n. 8. 906/94) Ø Mais de um sócio-administrador (art. 1. 090, 1 o, CC/2002)

Art. 795. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão

Art. 795. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão nos casos previstos em lei. § 1 o O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade. § 2 o Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1 o nomear quantos bens da sociedade situados na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito. § 3 o O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo. Ø Ø Benefício de Ordem Contraditório Prévio Preclusão lógica ou consumativa Art. 135, Código Tributário Nacional

Bens de Terceiro Art. 790. São sujeitos à execução os bens: III - do

Bens de Terceiro Art. 790. São sujeitos à execução os bens: III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; Ex: bens empenhados (art. 1. 431, CC/2002) Ø Posse Ø Detenção Ø Contrato de Locação

Bens do Cônjuge ou Companheiro Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […]

Bens do Cônjuge ou Companheiro Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […] IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; Ø Obrigação executada tiver sido contraída em benefício da família ou administração do patrimônio comum Ø Arts. 1. 643, 1. 644, 1. 659, 1. 663, 1. 664, 1. 666 e parte final do art. 1. 677, CC/2002

Quota Parte ou Meação Comunhão Parcial Comunhão Universal Separação Obrigatória Participação Final nos Aquestos

Quota Parte ou Meação Comunhão Parcial Comunhão Universal Separação Obrigatória Participação Final nos Aquestos

Quota Parte ou Meação Ø Independe de autorização ou vênia conjugal (art. 1. 647

Quota Parte ou Meação Ø Independe de autorização ou vênia conjugal (art. 1. 647 CC/2002 c/c art. 73, CPC) Ø Presunção Relativa de conversão em benefício da família Ø Solidariedade entre cônjuges ou companheiros Ø Ônus probatório Ø Ato ilícito e ônus probatório Ø Comunhão Parcial

Arts. 842 -843, CPC Enunciado de Súmula 134/STJ

Arts. 842 -843, CPC Enunciado de Súmula 134/STJ

Desconsideração da Personalidade Jurídica Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […] VII

Desconsideração da Personalidade Jurídica Art. 790. São sujeitos à execução os bens: […] VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. Ø Desconsideração direta e desconsideração inversa Ø Art. 133 -137, Código de Processo Civil Ø Não cabe benefício de ordem

Art. 793. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa

Art. 793. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente ao devedor não poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa que se achar em seu poder. - Mandatário - Hospedeiro - Depositário - Locatário Ø Substituição do bem (art. 847 -848 CPC) gera renúncia

Eficácia da Execução Fraude contra Credores Fraude à Execução

Eficácia da Execução Fraude contra Credores Fraude à Execução

Fraude contra Credores Art. 790. São sujeitos à execução os bens: V – alienados

Fraude contra Credores Art. 790. São sujeitos à execução os bens: V – alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução Art. 158, CC/2002 Ação Pauliana ou Revocatória Enunciado de Súmula 195/STJ

Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se

Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. § 1 o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. § 2 o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles. Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.

Vícios Sociais Doação Venda a valor irrisório Dívida não vencida Concessão graciosa de garantia

Vícios Sociais Doação Venda a valor irrisório Dívida não vencida Concessão graciosa de garantia Renúncia

Requisitos Dano • Critério Objetivo (eventus damni) • Redução do devedor à insolvência •

Requisitos Dano • Critério Objetivo (eventus damni) • Redução do devedor à insolvência • Piora na situação da insolvência Fraude • Critério Subjetivo (consilium fraudis) • Ciência do devedor de causar dano • “Potencial consciência da insolvibilidade”

Oneroso Fraude Gratuito Consilium fraudis Scientia fraudis Consilium (presunção)

Oneroso Fraude Gratuito Consilium fraudis Scientia fraudis Consilium (presunção)

Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago

Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for, aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados. Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes corresponda ao valor real.

Fraude à Execução Art. 792, Código de Processo Civil Também configura ato atentatório à

Fraude à Execução Art. 792, Código de Processo Civil Também configura ato atentatório à dignidade (art. 774, CPC)

Pendência de Processo de Execução + Averbação Ação de Direito Real ou Reipersecutória +

Pendência de Processo de Execução + Averbação Ação de Direito Real ou Reipersecutória + Averbação Hipoteca Judiciária ou outra Constrição Judicial + Averbação Fraude à Execuçã o Ação Judicial capaz de gerar insolvência

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; V - nos demais casos expressos em lei.

Curso de Processo Executivo ou outro cuja alienação ou oneração possa reduzir o devedor

Curso de Processo Executivo ou outro cuja alienação ou oneração possa reduzir o devedor à insolvência Ineficaz em relação ao credor Eficaz em relação ao devedor e o terceiro Incidentalmente Matéria de Defesa em Embargos de Terceiros

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; Ø Direito real ou Pretensão reipersecutória (o próprio bem) Ø Art. 109, Código de Processo Civil Ø Existência da ação deve ser averbada (regra) Ø Independe da demonstração de insolvência Ø Lei de Registros Públicos (art. 167) e art. 54, I, Lei 13. 097/2015

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; Ø Ato de constrição judicial averbado Ø Penhora, arresto, por exemplo. Ø Hipoteca judiciária (art. 495, Código de Processo Civil) Ø Art. 844, CPC

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; Ø Art. 828 c/c 799 Código de Processo Civil Ø Título Executivo Extrajudicial Ø Título Executivo Judicial (Enunciado 529 FPPC)

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; Ø Pendência de um processo Ø Citação (art. 240 e 312, Código de Processo Civil) Ø Outro meio que comprove a ciência ou averbação Ø Ineficácia Originaria Ø Eventus damni + litispendência

Enunciado de Súmula 375/STJ O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da

Enunciado de Súmula 375/STJ O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. Ø Ônus probatório Ø Averbação do art. 54, IV e 56, da Lei n. 13. 097/2015 Ø Averbação do art. 828, Código de Processo Civil

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: […] § 3 o Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar. Ø Há antinomia entre esse dispositivo e o art. 137, CPC?

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: […] § 3 o Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar. § 4 o Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias.

Quais são as principais diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução?

Quais são as principais diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução?

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: […] V - nos demais casos expressos em lei. Ø Bem de Família (art. 4, Lei 8. 009/90) Ø Crédito Tributário inscrito (art. 185, CTN) Ø Penhora de crédito (art. 856, 3 o, CPC) Ø Atos praticados antes da falência (art. 129, Lei 11. 101/2005)