SISTEMA NOCIONAL Prof Dr Deise Sabbag SABBAG 2016
SISTEMA NOCIONAL Prof. ª Dr. ª Deise Sabbag SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL § Todo campo de conhecimento corresponde a um conjunto de noções que lhe é próprio. § A organização nocional de uma área permite a utilização de instrumentos eficazes para o tratamento e recuperação da informação. § Considerando que as LDS funcionam a partir do controle do “vocabulário” da “área”, pode-se facilmente depreender que o SISTEMA NOCIONAL de uma área constitui-se em um parâmetro básico, ou em uma viga-mestra de sustentação das LDs. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL Na prática. . ü A ausência de um sistema nocional compromete não só a indexação, mas também, a economia da própria atividade documentária, fragmentando-a com questões relativas ao significado e à compreensão dos termos; ü As respostas às questões formuladas submetem-se a variações, segundo o entendimento que cada indexador tem da área, ou segundo o humor no momento daquele que opera com a informação, o que, fatalmente, introduz deformações, descaracterizando os instrumentos documentários; ü A utilização de qualquer LD supõe a explicitação nocional da área a que se refere e a sua organização na forma de um Sistema; SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL Mas o que é um Sistema Nocional? . . . Segundo a Norma ISO 1087, um sistema nocional define-se como: “um conjunto estruturado de noções que reflete as relações estabelecidas entre as noções que o compõem e no qual cada noção é determinada pela sua posição no sistema”. Não basta recuperar as noções, enumerando-as. É preciso ir além e estabelecer suas posições relativas, o que se obtém por meio de determinação das relações que as associam. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL A NOÇÃO ou CONCEITO define-se como: “unidade de pensamento constituído por propriedades comuns a uma classe de objetos” (ISSO 1087). As noções são expressas por termos e símbolos, sendo influenciadas pelo contexto sócio-cultural. As noções constituem o arcabouço fundamental para a organização de uma área, na medida em que possibilitam um ponto de vista materializado no sistema de noções , para o trabalho documentário, As relações entre as noções materializam o sistema de noções, que se expressam, documentariamente, em relações hierárquicas e relações não-hierárquicas. SABBAG, 2016. 2
Figura 1 – Exemplo de Árvore de Domínio (Saúde Pública) Fonte: LARA; TÁLAMO, 2007. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL Relações Hierárquicas São aquelas que se definem entre noções subordinadas em um ou vários níveis (ISSO 1087). São aquelas que acontecem entre termos de um conjunto, onde cada termo é superior ao termo seguinte, por uma característica de natureza normativa. Leva-se em conta o conceito de ordem e de subordinação. A ordem deve ser observada como uma superordenação que consiste na possiblidade de subdivisões de uma noção hierárquica mais alta em um certo número de noções de nível inferior, chamadas noções subordinadas. Este processo denomina-se subordinação. A noção de subordinação é a noção que pode ser agrupada com uma ou mais noções do mesmo nível (noções coordenadas entre si), para formar uma noção de nível superior (ISSO 1087), ou seja, uma superordenação. SABBAG, 2016. 2
A SUPERORDENAÇÃO SUBORDINAÇÃO b f g COORDENAÇÃO Esquema de relações hierárquicas SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL A partir das noções de geral/particular e de todo/parte, a análise das relações hierárquicas mostra, pelo menos, três tipos característicos: a) Relações genéricas; b) Relações específicas; e c) Relações partitivas. Relações hierárquicas baseadas na identidade parcial do conjunto de características das noções superordenadas e subordinadas nelas envolvidas. Apresenta conjunção e disjunção. A superordenação caminha das diferenças para as semelhanças, ou seja da espécie para o gênero. Relações hierárquicas subordinadas que apresentam pelo menos uma característica a mais que as diferencia. Indica a existência de uma diferença, em face de um conjunto de características comuns. A subordinação caminha das semelhanças para as diferenças, a partir das primeiras, isto é, do gênero para as espécies. Relação hierárquica na qual a noção superordenada refere-se a um objeto considerado como um todo e as noções subordinadas a objetos considerados como suas partes. SABBAG, 2016. 2
A (mamífero) SUPERORDENAÇÃO (semelhança) Noção genérica SUBORDINAÇÃO (diferenças) b (racional) c Noções Específicas (irracional) COORDENAÇÃO Esquema de relação genérica SABBAG, 2016. 2
NAVIO Noção genérica partitiva (todo) SUPERORDENAÇÃO SUBORDINAÇÃO b Quilha f Convés g Mastro Noção Partitiva (partes) COORDENAÇÃO Esquema de relação partitiva SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL Relações não-hieárquicas Definem-se pela negativa. Elas recobrem o conjunto de relações que não são passíveis de serem descritas como hierárquicas. As relações que não se submetem a uma hierarquia são aquelas que apresentam entre si contiguidade espacial ou temporal. Por esta razão, tais relações também são chamadas de relações sequencias. Consideram-se relações sequencias as de oposição, as de causa-efeito, as de contradição e outras menos evidentes como aquelas estabelecidas entre as etapas de um processo, produto e produtos, instrumento e processo. A dificuldade de definir as relações não-hierárquicas encontra-se enunciada na sua denominação usual: relações associativas. Pois, qualquer que seja a natureza da relação ela é, em certo grau, associativa. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL Relações não-hieárquicas Haveria, então, relações associativas hierárquicas e relações associativas não-hierárquicas. Por isso é preciso restabelecer o contexto que a valide, ou seja, indagar a sua natureza. O exemplo transcrito abaixo, da Norma ISSO 1087, ilustra este aspecto. RELAÇÃO ASSOCIATIVA Doença Transmitida Sexualmente Alienação Mental Incurável Gonorréia Sífilis Cancro Linfogranulomatose inguinal Demência Esquizofrenia Psicose maníaco depressiva Motivos médicos juridicamente aceitos para o divórcio SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL: Relações Hierárquicas Relação Genérica Supõe uma noção fundamental que inclui noções específicas que, por sua vez, mantém com ela relações hierárquicas. EXEMPLO: Noção de ÁRVORE agrupa noções mais específicas de FOLHAS e de CONÍFERAS, por usa vez, as CONÍFERAS são, segundo a persistência das folhas, CADUCAS e NÃO-CADUCAS. As relações genéricas indicam que todo conceito que pertence à categoria do conceito específico (a espécie) é parte da extensão do conceito amplo (o gênero). Um conceito específico possui todas as características do conceito mais amplo, mais, pelo menos, uma característica distintiva adicional que serve para diferenciar conceitos específicos no mesmo nível de abstração. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL: Relações Hierárquicas Relação Genérica A noção de extensão vem sempre associada à de intensão ou compreensão. A intensão de uma noção é o conjunto de características que compõem esta noção. A intensão de um conceito diz respeito à totalidade das características deste conceito. Portanto, quanto maior a intensão do conceito, menor sua extensão e vice-versa. Ou seja, quanto maior o número de características que compõem um conceito, menor é o número de objetos que compartilham destas características (lei da correlação reversa). Esquema Lógico do tipo “todos/alguns” INSETOS ALGUNS SÃO TODOS SÃO GAFANHOTOS SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL: Relações Hierárquicas Relação Partitiva Expressa a relação entre o todo e suas partes. O conceito da parte depende do conceito do todo e não pode ser definido previamente à definição do conceito do todo. Não podemos definir “um motor de automóvel”, antes de definirmos “um automóvel”. De acordo com a UNESCO quatro são os tipos principais de classes que representam relacionamento todo/parte: a) Sistemas e órgãos do corpo; b) Localidades geográficas; c) Disciplinas ou áreas de estudo; e d) Estruturas sociais hierarquizadas. SABBAG, 2016. 2
SISTEMA NOCIONAL: Relações não-hierárquicas ou sequencias As relações sequencias são relações que apresentam como vimos, uma dependência resultante de uma contiguidade espacial ou temporal, do tipo: a) causa/efeito; b) Antes/depois; c) esquerda/direita; d) Acima/abaixo; e) Produtor/produto; f) Material/produto. A delimitação das associações entre os termos deve se ligar à estrutura conceitual de domínios específicos, operacionalizada pela terminologia, na qual os conceitos deverão estar mapeados e definidos SABBAG, 2016. 2
REFERÊNCIA CINTRA, Anna Maria Marques et. al. Para entender as linguagens documentárias. 2. ed. ver. ampl. São Paulo: Polis, 2002. Cap. 3. LARA, Marilda Lopes Ginez de; TÁLAMO, Maria de Fátima Gonçalves Moeira. Uma experiência na interface Lingüística Documentária e Terminologia. Data. Grama. Zero: Revista de Ciência da Informação, v. 8, n. 5, out. 2007. Disponível em: < www. dzg. org. br/out 07/Art_01. htm >. Acesso em: 13 out 2014. SABBAG, 2016. 2
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