QuartaFeira de Cinzas Converteivos e crede no Evangelho






























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Quarta-Feira de Cinzas "Convertei-vos e crede no Evangelho!" "Recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar!" Ano Litúrgico A-B-C
Leituras da Liturgia Eucarística: Jl 2, 12 -18 Sl 50 2 Cor 5, 20 - 6, 2 Mt 6, 1 -6. 16 -18
Quarta-feira: cinzas na testa! O comentarista de esporte na ESPN americana, Tony Reali, antes de ir trabalhar, participou da Missa de Quarta-Feira de Cinzas. Saindo da igreja, ele foi com cinzas na testa (não quis tirá-la), para começar o programa na TV. “Eu sou um narrador de jogos, um apresentador de TV, e eu sou um católico!”, justificou Tony.
Evangelho - Mt 6, 1 -6. 16 -18 Jesus disse a seus discípulos: “Guardaivos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dais esmola, não toqueis a trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando derdes esmola, que vossa mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a vossa esmola se fará em segredo; e vosso Pai, que vê o escondido, recompensar-vos-á.
Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orardes, entrai no vosso quarto, fechai a porta e orai ao vosso Pai em segredo; e vosso Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-vos-á. Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam a recompensa. Quando jejuardes, perfumai a vossa cabeça e lavai o vosso rosto. Assim, não parecerá aos homens que jejuais, mas somente a vosso Pai que está presente ao oculto; e vosso Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-vos-á.
Vivenciando. . . O Senhor é cheio de misericórdia! As leituras bíblicas escolhidas pela Igreja para a Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma, são extremamente significativas. Na primeira leitura, o profeta Joel (Jl 2, 12 -18), citando a palavra de Deus, nos faz um convite: “Agora, portanto, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos! Rasgai o coração, e não as vestes!”
Deus consertará um coração partido! O Salmo 50 se refere ao Rei Davi. O profeta Natan revela-lhe seus pecados de adultério e homicídio. Humildemente o rei, que era rei e, portanto, poderoso, reconhece seus pecados e, por isso, não é rejeitado por Deus nunca rejeita um coração contrito. (Sl 50, 19). O rei pede que Deus “crie” nele um “coração puro” (Sl 50, 12), fazendo nele uma criação “maravilhosa”. Transformar um coração partido, sofrido, é obra de Deus. O coração se renova em Deus!
Jesus é o caminho de volta para o Pai! S. Paulo, escrevendo aos cristãos da cidade de Corinto (2 Cor 5, 30 - 6, 2), adverte-lhes que agora é o momento favorável, que o tempo da salvação chegou! Voltemos nosso coração para o Senhor! O caminho de volta encontramos no Evangelho, em especial na passagem escolhida para a Quarta-Feira de Cinzas: Mt 6, 1 -6. 16 -18. Jesus é sempre o caminho de volta para Deus, mas, para seguir por esse caminho, precisamos de muita reflexão, de oração, de obras de caridade. E grande será nossa recompensa.
Fazer o bem na intimidade do coração! O evangelista são Mateus apresenta-nos o ensinamento de Jesus sobre como realizar nossas boas obras. Alerta-nos que temos que agir, fazer o bem, mas de modo discreto, sem alardes, do contrário perderemos todo o direito de receber a recompensa do Pai do Céu. A passagem do Evangelho escolhida pela Igreja para a Liturgia de Quarta-Feira de Cinzas, que se repete em todos os anos, é riquíssima de conteúdo e nos acompanhará em todo o tempo da Quaresma, que se inicia hoje. Cada palavra apresentada no Evangelho de hoje é rica de conteúdo. Questiona-nos. Indica-nos o que é justo e o que não é!
Estamos diante dos deveres fundamentais do cristão, sem os quais não temos como caminhar para o encontro final com Deus no Paraíso. Quer fazer o bem e ser visto pelos outros, elogiado pelo que faz em favor do próximo? Sua recompensa já foi ganha aqui na Terra! E como fica a situação em relação a Deus? Ficará sem a recompensa do Pai do Céu! (Mt 6, 1).
A palavra “esmola” não nos agrada. O melhor é: “Quando cumprirdes vosso dever de caridade. . . ” A segunda frase manifesta melhor o caminho da justiça. Caridade, penitência, oração! Aqui está o segredo do caminho da felicidade. Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação dos Missionários Redentoristas, escreveu: “É preciso que nos convençamos de que da oração depende todo o nosso bem! Da oração depende a nossa mudança de vida, o vencer as tentações! Da oração depende conseguirmos o amor de Deus, a perfeição, a perseverança e a salvação eterna”.
A riqueza das boas obras! As boas obras, sem dúvida alguma, devem ser vistas, conhecidas, divulgadas. O que Jesus condena é ir em busca de fazer caridade para que os outros vejam que somos generosos! Felizes aqueles que são discretos e sabem fazer o bem em vista do Reino de Deus e não de louvores e glórias deste mundo simplesmente. Quando faço caridade, que fique em mim a alegria de estar cumprindo meu dever, conforme os ensinamentos do Mestre. Servir, ser útil ao próximo é meu
A Igreja nos ensina que socorrer os necessitados é um dever de justiça. Bento XVI explica que “a caridade supera a justiça, mas nunca existe sem ela!” Não somos proprietários absolutos dos bens, mas administradores. E que o sejamos e dos bons. Que aprendamos a servir desinteressadamente.
Quando orardes!. . . Jesus nos recomenda que saibamos rezar também no silêncio de nosso coração! (Mt 6, 5 -6) Sem dispensar, sem dúvida alguma, nossa oração em comunidade, não somente em espírito, mas com nossa presença física. Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891 -1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa, sintetiza-nos o sentido de nossa oração como membros da Igreja: “Quando orardes, entrai para o quarto mais secreto”. . . Eis a unidade profunda da vida divina: o descanso e a ação, contemplar e agir, calar e falar, escutar e abrir-se, receber em si o dom de Deus e dar amor em abundância nas ações de graças e no louvor. . . Temos de escutar em silêncio, durante horas, deixar a palavra divina dilatar-se em nós, incitandonos a louvar a Deus na oração e no trabalho!”
Santo Agostinho (354 -430), bispo de Hipona (Norte da África) e doutor da Igreja, nos ensina: “Felizes os que se alegram por entrar no seu próprio coração e nele não encontram nada de mal. . . ” São de lamentar aqueles que, ao entrarem em sua casa, podem recear ser dela expulsos por causa de duras disputas com os seus. Mas muito mais infelizes são aqueles que não ousam sequer entrar na sua consciência, com medo de serem expulsos pelo remorso dos seus pecados. Se queres entrar com prazer no teu coração, purifica-o. "Felizes os corações puros, porque verão a Deus" (Mt 5, 8).
Arranca do teu coração as nódoas da cupidez, as manchas da avareza, a úlcera da superstição. . . Arranca os sacrilégios, os maus pensamentos, os ódios, não só para com os teus amigos, mas mesmo para com os teus inimigos. Arranca tudo isso! Depois, entra no teu coração e nele serás feliz!”
As cinzas! Um dos marcos iniciais do período da Quaresma é a imposição das cinzas, acompanhada de uma fórmula antiga e outra mais recente, criada na renovação da liturgia da Igreja pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. A mais recente: "Convertei-vos e acreditai no Evangelho!" A antiga: "Recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar!" Ambas querem nos levar à contemplação de nossa vida e a refletir sobre o valor que damos a ela. As cinzas relembram uma antiga tradição do Médio Oriente: colocar cinzas na cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus, como é relatado em várias passagens da Bíblia.
Lembra-te que és pó! Convertei-vos e crede! S. João Paulo II convida-nos à reflexão: “Estas palavras, tiradas do Livro do Gênesis, lembram a caducidade da existência e convidam a considerar a vaidade de cada projeto terrestre, quando o ser humano não fundamenta sua esperança no Senhor! A segunda fórmula, prevista pelo rito: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15), sublinha qual é a condição indispensável para percorrer o caminho da vida cristã: ou seja, são necessárias uma concreta transformação interior e adesão à palavra de Cristo!”
Quarta-Feira de Cinzas É dia de jejum e abstinência. Nesse dia iniciamos a preparação para a comemoração do maior dia do ano para os cristãos que é o dia da Páscoa. O tempo quaresmal termina na Quinta-Feira Santa, quando começa o tríduo pascal. Na Missa de Quarta-feira de Cinzas, depois do Evangelho e da homilia, realiza -se a bênção e imposição das cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentos no Domingo de Ramos do anterior.
A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de Entrada, a oração inicial denominada Coleta e as leituras da Missa com seus cantos. Termina-se a celebração com a oração dos fiéis.
Jejum! No período da Quaresma (quarenta dias, sem contar os domingos), a Igreja propõe aos fiéis o jejum, a oração, a caridade e a penitência. O jejum é uma maneira especial que temos para vivenciar um pouco dos quarenta dias que Jesus jejuou no deserto. Lembra também os 40 anos da marcha do povo de Deus pelo deserto em busca de libertação. É um tempo de deserto, de arrependimento, de conversão, de transformação, de purificação.
O jejum consiste para nós em comer menos, em sinal de penitência: fazer três refeições ao dia, cedo comendo um terço do que normalmente comemos; fazer uma refeição normal durante o dia (almoço ou janta, à escolha); e, na terceira refeição, comer um terço do que comemos normalmente. O jejum não é proposto a pessoas em condições especiais de vulnerabilidade: crianças, enfermos, viajantes, pessoas idosas ou muito fracas e mulheres grávidas. É hoje reduzido a apenas dois dias no ano, a Quarta-Feira de Cinzas e a
40. . . Repetidamente a Bíblia apresenta a quarentena, de dias e de anos, como período de preparação para um acontecimento importante: os quarenta dias de Moisés no monte antes de contrair a Aliança. . . os quarenta anos de Israel no deserto até chegar à terra prometida. . . os quarenta dias de Elias na sua fuga. . . o prazo de quarenta dias que Jonas deu a Nínive para a sua conversão. . . os quarenta dias de Cristo no deserto. . . os quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão de Jesus!
O jejum para muitos ficou limitado a um mero cumprimento formal ou é literalmente ignorado. Para outros, pouco significa, considerando-se que, em vista da procura de uma beleza física, são feitos sacrifícios muito mais pesados em termos de alimentação! O jejum que a Igreja pede quer servir de alerta e de reflexão, diante da realidade do consumismo compulsivo e do desperdício de alimentos, enquanto tantos irmãos nossos passam fome! Em 1980, em sua primeira viagem ao Brasil, no encontro com o povo em Teresina (PI), S. João Paulo II encontrouse diante de uma faixa em meio à multidão que lamentava: “Santo Padre, o povo passa fome!”
Abstinência! Estão obrigados à lei da abstinência de carne aqueles que tiverem completado catorze anos de idade. Estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade (quem completou 18 anos) até os sessenta anos começados. Todavia os pastores de almas e pais cuidem para que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade (cf. Código de Direito Canônico, nº 1252). A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.
Muitas religiões, desde a mais remota antiguidade, adotaram o hábito da abstinência de carne. A ideia parte do pensamento de que o ser humano é constituído de carne e espírito como opostos. Evitando o carnal, considerado princípio do mal, se desenvolveria o espiritual, princípio do bem. Daí surge o princípio de que a carne humana seria geradora do mal, do pecado. Privando-se da carne, valorizamos o espírito! E a abstinência nos daria essa condição de ajudar o ser humano a se aproximar mais de Deus. Jesus, porém, nos incentiva à unidade do espiritual e do material.
É verdade que, para uma grande parte da população, o abster-se de carne torna-se a coisa mais normal da vida, considerando seu preço e as posses de nossa população. E há ainda uma piedade duvidosa quando se procura abster-se de carne, mas substituindo -a por alimentos caros, o que tira todo o sentido da abstinência, reduzindo-a a uma alternativa que a esvazia de qualquer sentido de verdadeiro sacrifício. Durante a Quaresma, é muito comum, louvável e admirável ver grupos de jovens, adolescentes e também crianças que, por decisão própria, neste período se abstêm de comer chocolates ou até doces em geral, deixam de lado os refrigerantes, em atitude de penitência, oferecendo tais gestos a Jesus, para um crescimento espiritual.
O importante, diz Jesus, é que o Pai do Céu veja que jejuamos, fazemos penitência, vivemos a caridade para com o próximo, testemunhando que somos discípulos missionários do Redentor. O Pai, vendo nossas boas obras, recompensar-nos-á. Jejum e abstinência não simplesmente renúncia de alimentos pela renúncia em si, mas gestos concretos que partem do coração, em busca de um desenvolvimento espiritual mais equilibrado, para se viver melhor os valores superiores e crescer no domínio de si mesmo.
Testemunhando. . . - Como é minha Quarta-Feira de Cinzas? - Faço algo significativo ou é um dia como os outros? - Dou testemunho público de minha fé? - Como vivo a justiça? - Posso dizer que sirvo de exemplo para meus irmãos?
CRÉDITOS Coordenação geral e texto: P. José Geraldo Rodrigues Formatação: Ana Almada Música: Canto Gregoriano - Lords Prayer Ilustração: da Internet www. aparecidadasaguas. com vivencias@aparecidadasaguas. com © direitos reservados ©