O Surgimento da Filosofia Profa Me Erika Bataglia
O Surgimento da Filosofia Profa. Me. Erika Bataglia
Para que Filosofia?
a) Conhece-te a ti mesmo Oráculo possui dois significados: ◦ Uma “mensagem misteriosa” enviada por um deus em resposta a uma indagação feita por algum homem; ◦ “Uma pessoa especial”, quem recebe a mensagem divina e a transmite para quem enviou a pergunta, deixando que o interrogante decifre a resposta recebida. Cidade de Delfos - santuário dedicado ao deus Apolo, deus da luz, da razão e do conhecimento verdadeiro, o patrono da sabedoria. “Conhece-te a ti mesmo”. Sócrates ao consultar o oráculo de Delfos recebe a seguinte resposta: “ Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe”.
b) Paralelo entre a personagem Neo de Matrix e Sócrates A tarefa de Neo é destruir a falsa e aparente realidade projetada pela Matrix, vencer o poder da Matrix é destruir a aparência, restaurar a realidade e assegurar que os seres humanos possam compreender e perceber o mundo verdadeiro e viver realmente nele. Sócrates, por sua vez, jamais se contentou com as opiniões estabelecidas, com os preconceitos de sua sociedade, com as crenças estabelecidas. Ele desconfiava das aparências e procurava a realidade verdadeira de todas as coisas.
b) Paralelo entre a personagem Neo de Matrix e Sócrates Perguntas aos atenienses. Maiêutica. Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a bondade, a beleza, a verdade, mas um prolongado diálogo com Sócrates os fazia perceber que não sabiam o que era aquilo em que acreditavam. Sócrates perguntava “ o que é” isto ou aquilo. Com esta pergunta ele pretendia questionar a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências e contra as aparências. Assim, Sócrates levava os atenienses a descobrir a diferença entre parecer e ser, entre mera crença ou opinião e a verdade.
Sócrates – 469 -399 a. C Ateniense, de vida simples. Maiêutica / Dialética. “Conhece-te a ti mesmo”. “Sei que nada sei”. Nada escreveu.
Julgado e condenado por impiedade e corrupção de jovens.
A Alegoria da Caverna
Neste mito, denominado “Mito da caverna”, Platão imagina homens presos ao fundo de uma caverna de tal maneira que são capazes apenas de olhar para o fundo da caverna. Atrás dos homens acorrentados encontra-se um muro ao longo do qual passam diversos outros homens conversando e carregando figuras e imagens de todos os tipos. Um pouco atrás e acima destes homens crepita uma fogueira que ao incidir sua luz sobre os objetos que os homens carregam acaba por projetar as sombras de tais objetos no fundo da caverna. Os prisioneiros que não podem ver senão estas sombras julgam que as vozes emitidas pelas sombras são das próprias sombras, assim como acreditam que as sombras dos objetos carregados pelos homens ao longo do muro são seres reais.
Neste momento o ex-prisioneiro enche-se de dor devido ao forte brilho da luz do sol Entretanto, o que aconteceria se um prisioneiro se livrasse das correntes que lhe predem no fundo da caverna? Todavia, ele sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Ele iniciaria um processo doloroso de mudança de perspectiva. De início, move a cabeça, depois o corpo todo; a seguir, avança na direção do muro e o ultrapassa. Incredulidade porque será obrigado a decidir onde se encontra a realidade: no que vê agora ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento ( ferido pela luz) por que seus olhos não conseguem ver com nitidez as coisas iluminadas. Seu primeiro impulso é voltar à caverna para livrar-se da dor e do espanto, atraída pela escuridão, que lhe parece mais familiar e acolhedora. Ao se deparar com a fogueira, a luz desta ofusca sua visão e é então obrigado a adaptar-se a ela. Prosseguindo a escalada atinge seu término quando ultrapassa a entrada da caverna e se depara com a luz do próprio sol.
Descobre então que estivera prisioneiro a vida toda e que em sua prisão vira apenas sombras. Deseja então ficar longe da caverna e nunca mais regressar. Porém, não pode evitar lastimar a sorte de quem ficou acorrentado ao fundo da caverna. Indisposto a regressar à caverna por causa das dificuldades do caminho, o ex-prisioneiro permanece no exterior e inicia um processo de adaptação que irá lhe permitir habituar-se à luz e ver o vasto mundo que agora defronta. Assim, toma a difícil decisão de regressar ao fundo da caverna para convencê-los a se libertarem também.
O que acontece neste retorno? Primeiro, os demais prisioneiros zombam dele, e se não conseguem silenciá-lo com suas zombarias, tentam fazê-lo espancando-o. Se mesmo assim ele teima em afirmar o que viu, então será morto por seus excompanheiros. Mas alguns podem lhe dar ouvidos e se libertarem também.
Alegoria da Caverna A caverna O mundo sensível Os prisioneiros A condição humana As trevas A ignorância Confusão Indistinção sombras/objetos aparência/realidade
Alegoria da Caverna Dificuldade em Força dos hábitos Resistência dos Poder do Ascensão até o Eliminação olhar a luz prisioneiros mundo exterior Contemplação da luz do sol adquiridos conformismo progressiva dos preconceitos Conhecimento da verdade
Alegoria da Caverna Compreensão da situação da caverna Instrumento para se desvencilhar e sair O primeiro a se desvencilhar e sair O regresso à caverna Perigo ao falar a verdade � Tomada de consciência e mudança � A Filosofia � O Filósofo � Amor/dever do filósofo � Risco necessário para ajudar os companheiros
Assim tanto a personagem Neo quanto Sócrates mobilizam esforços para libertar as pessoas das ilusões em que se encontram imersas. A Matrix e a caverna se equivalem, e é preciso a passagem dolorosa da consciência ingênua à filosófica para que haja liberdade de espírito.
d) Nossas crenças costumeiras Em nossa vida cotidiana, afirmamos, negamos, desejamos, aceitamos ou recusamos coisas, pessoas ou situações. Fazemos perguntas como “ Que horas são? ” ou “ Que dia é hoje? ” Dizemos frases como “ Ele esta sonhando” ou “ Ela ficou maluca”. Avaliamos coisas e pessoas, dizendo, por exemplo, “Esta casa é mais bonita do que a outra” e “Maria está mais jovem do que Glorinha”. Quando pergunto “Que horas são? ” ou “Que dia é hoje? ”, minha expectativa é de que alguém, tendo um relógio ou um calendário, me dê a resposta exata. Em que acredito quando faço a pergunta e aceito a resposta? Acredito que o tempo existe, que ele passa, pode ser medido em horas e dias etc. Desse modo, uma simples pergunta contém, silenciosamente, várias crenças. Por que “crenças”? Porque são coisas ou idéias em que acreditamos sem questionar, que aceitamos porque são óbvias, evidentes.
Quando digo “ Ele esta sonhando” para me referir a alguém que esta acordado e diz ou pensa alguma coisa que julgo impossível ou improvável, tenho igualmente muitas crenças silenciosas: acredito que sonhar é diferente de estar acordado, que, no sonho, o impossível e improvável se apresentam como possível e provável, e também que o sonho se relaciona com o irreal etc. Enfim, para fazermos cada uma daquelas afirmações ou mesmo para respondermos cada uma daquelas perguntas mobilizamos uma série de crenças cuja validade não averiguamos rigorosamente.
e) Exercendo nossa liberdade Quando dizemos que uma casa é mais bonita que a outra ou que Maria está mais jovem que Glorinha, acreditamos que as coisas, as pessoas, as situações, os fatos podem ser comparados e avaliados, julgados por sua qualidade(bonito, feio, ruim, jovem, velho etc. ) ou por sua quantidade( muito, pouco, mais, menos, maior, menor etc. ). Se dissermos, por exemplo, que o sol é maior do que o vemos, estamos acreditando que nossa percepção alcança as coisas de modos diferentes, às vezes tais como são em si mesmas, outras vezes tais como nos aparecem, dependendo da distância, de nossas condições etc. Sendo assim, acreditamos que elas e nós ocupamos lugares no espaço e, portanto, cremos que este existe, pode ser diferenciado (perto, longe, alto, baixo) e medido ( comprimento, altura e largura).
O homem diferencia verdade de mentira. Mais do que isto, quando distinguimos entre verdade e mentira e diferenciamos mentiras inaceitáveis (quem mente voluntariamente com má intenção) de mentiras aceitáveis (cinema, novelas, teatro), não estamos nos referindo apenas ao conhecimento ou desconhecimento da realidade, mas também ao caráter da pessoa, à sua moral. Acreditamos, assim, que as pessoas, porque possuem vontade, podem ser morais ou imorais e, desse modo, cremos que exercer tal poder é exercer a liberdade, porque acreditamos que somos livres porque escolhemos voluntariamente nossas ações, ideias e sentimentos.
f) conhecendo as coisas Acreditamos que ter objetividade é ter uma atitude imparcial que percebe e compreende as coisas tais como são verdadeiramente, enquanto a subjetividade é uma atitude parcial, pessoal. Isso significa que acreditamos que somos seres sociais, morais e racionais, pois regras, normas, valores, finalidades só podem ser estabelecidos por seres conscientes e dotados de raciocínio. Como ficou claro, nossa vida cotidiana é feita de crenças silenciosas, da aceitação de coisas e ideias que nunca questionamos porque nos parecem naturais, óbvias. Entretanto. . . A subjetividade não percebe adequadamente a realidade e, voluntária ou involuntariamente, a deforma. Por outro lado, achamos óbvio que todos os seres humanos sigam normas e regras de conduta, possuam valores morais, religiosos, políticos, artísticos, vivam na companhia de outros seres humanos e procurem distanciar-se dos diferentes com os quais entram em conflitos
g) E senão for bem assim? Cremos que nossa vontade é livre para escolher entre o bem e o mal Cremos também na necessidade de obedecer às normas e às regras de nossa sociedade. Ou seja, há momentos em nossa vida em que vivemos um conflito entre o que nossa liberdade deseja e o que nossa sociedade determina e impõe. Sobre o tempo: Se estamos fazendo algo que gostamos, ele “voa”, e, ao contrário, parece que ele para quando queremos que ele corra. . . “Vemos” o sol passando pelo céu, mas a astronomia nos diz que é aterra que está em movimento. O que é a verdade, então? É possível conhecê-la? Que acontece, porém, quando, numa situação, nossa vontade nos indica que é bom fazer ou querer algo que nossa sociedade proíbe ou condena? Ou, ao contrário, quando nossa vontade julga que será um mal e uma injustiça querer ou fazer algo que nossa sociedade exige e obriga?
h) Momentos de crise. Quando uma crença contradiz outra ou parece incompatível com outra, ou quando aquilo em que sempre acreditamos é contrariado por outra forma de conhecimento, entramos em crise. Algumas pessoas não consideram estas incongruências, outras, porém, sentem-se obrigadas a indagar qual a origem, o sentido e a realidade de nossas crenças. Sou livre quando quero ou faço algo que contraria minha sociedade, ou sou livre quando domino minha vontade e a obrigo a aceitar o que minha sociedade determina? Ou seja, sou livre quando sigo a minha vontade ou quando sou capaz de controlá-la? Ora, para responder a estas questões, precisamos fazer outras perguntas, mais profundas. Temos de perguntar: “O que é a liberdade? ”. “O que é a vontade? ”, “O que é a sociedade? ”, “O que são o bem e o mal. O justo e o injusto? ”
Se “Como é possível que haja duas realidades temporais diferentes, a marcada pelo relógio e a vivida por nós? ”, “Qual é o tempo real e verdadeiro”? Mas para responder a essas perguntas, novamente é preciso fazer uma pergunta mais profunda e indagar: “O que é o tempo”? não percebemos os movimentos da terra e se nossos olhos se enganam tão profundamente, será que poderemos sempre confiar em nossas percepções visuais ou devemos sempre desconfiar delas? Para responder a essas perguntas, precisamos fazer duas outras, mais profundas: “O que é perceber? ” e “O que é realidade? ”
O que esta por trás de tais perguntas? O fato de que estamos mudando de atitude. Quando o que era objeto de crença aparece como algo contraditório ou problemático e por isso se transforma em indagação ou interrogação, estamos passando da atitude costumeira à atitude filosófica. Esta mudança de atitude indica algo bastante preciso: quem não se contenta com as crenças ou opiniões pré-estabelecidas, quem percebe contradições e incompatibilidades entre elas, quem procura compreender o que elas são e porque são problemáticas está exprimindo um desejo, o desejo de saber. E é exatamente isso o que, na origem, a palavra filosofia significa, pois, em grego, philosophía que dizer “amor à sabedoria”.
i) Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica. Alguém que tomasse a decisão de não aceitar como óbvias as “verdades” impostas, tomando distância e questionando a si mesmo estaria desejando o conhecimento. “Conhece-te a ti mesmo” Começaria assim a atitude filosófica.
Em uma primeira tentativa, pode-se dizer que Filosofia é: A decisão de não aceitar como naturais, óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-las sem antes havê-los investigado e compreendido. Filosofar para não dar aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações. Ela surge quando os seres humanos começam a exigir provas e justificações racionais que validem ou invalidem as crenças cotidianas.
A postura filosófica Ações são motivadas por conhecimentos acerca do mundo. Esses conhecimentos são de caráter prático – legado da tradição – cultura. Não reflexiva Reflexão: indica o ato da razão de voltar-se sobre si mesma para avaliar seu próprio conhecimento, sua validade.
A postura filosófica Atitude filosófica: ◦ Questionamento crítico das nossas “certezas”, pergunta pela real natureza das coisas. Postura filosófica: ◦ Negativa – Expressa pela interrogação, pelo questionamento do que se apresenta como verdadeiro. ◦ Positiva – expressa pela busca de se descobrir o que as coisas verdadeiramente são.
Para que Filosofia? Mas para que serve a Filosofia? Qual a utilidade do conhecimento filosófico? O que nos traz os questionamentos sobre o que, o como, o porquê das coisas?
O que é Filosofia? O que podemos dizer é que a Filosofia é um tipo de saber (conhecimento) que se coloca numa posição anterior àquela em que estão os conhecimentos que visam a realizações técnico-materiais. Ela situa-se exatamente no espaço em que podem ser levantadas de forma legítima as perguntas pelo limite e finalidade de nossos conhecimentos e de nossas ações (no mundo e sobre o mundo).
Tentativas de Definição do que é Filosofia 1) Visão de Mundo : visão caracterizada pelas concepções gerais de um povo sobre o que seja o mundo, a vida e o seu sentido; 2) Sabedoria de Vida : Expressa por um conjunto de ações que visam construir uma vida na qual a justiça, a sabedoria e a felicidade sejam alcançadas;
Tentativas de Definição do que é Filosofia 3) Tentativa racional de compreender o universo como um todo ordenado e pleno de sentido. Aqui busca-se de forma racional e reflexiva uma explicação totalizante do sentido e do fundamento do universo, ou seja, busca-se saber quais são os princípios fundamentais que sustentam a ordem e dão ao mundo o seu sentido; 4) Fundamentação teórica e crítica do conhecimento e das práticas: Nesta definição a Filosofia é encarada como a realização da própria postura reflexiva que a engendra: a crítica ao estabelecido. Nesse sentido a Filosofia seria análise e crítica da arte, da ciência, da cultura, da política, da história etc. Não se confundiria com nenhum de seus objetos, mas estaria sempre relacionada com eles por meio de seu questionamento ao conhecimento que cada um deles apresenta.
A origem grega da Filosofia Do grego : philia, que significa “amizade”, “amor” e sophia que significa “sabedoria”. Atribui-se a Pitágoras. Portanto, Filosofia que dizer amor à sabedoria. Nesse sentido, a Filosofia indica uma busca por algo que se deseja, mas não se tem. Buscar o saber, desejar o saber é a tarefa da Filosofia. Assim, no sentido etimológico do termo, o filósofo não é necessariamente alguém que detenha o conhecimento, mas sempre indica aquele que o deseja.
A relação entre mito e filosofia As indagações que motivaram o surgimento da Filosofia (e que motivaram também o surgimento dos mitos e das religiões, mas cujas respostas já não mais satisfaziam àqueles que indagavam filosoficamente) estavam relacionadas à compreensão do que se constituía a natureza e às mudanças constantes que nela eram verificadas: ◦ ◦ como surgiu o mundo? do que é feito o mundo? por que o dia torna-se noite? por que aquilo que está frio torna-se quente e o quente frio? ◦ por que aquilo que outrora era doce agora me parece amargo? ◦ por que as estações sucedem-se continuamente?
Mito X Filosofia Qual é a relação entre Mito e o surgimento da Filosofia? Seria a Filosofia uma ruptura radical com o Mito ou uma continuação deste?
Mito Uma narrativa sobre a origem dos astros, da Terra, dos homens, da morte, da saúde, das raças, das guerras, enfim, de todas as coisas existentes no mundo. Do grego mythos: contar, falar, narrar, designar. Poeta-rapsodo: Autoridade
Podemos apresentar a diferença entre Mito e Filosofia dizendo que o Mito centra suas explicações em forças sobrenaturais, ao passo que a Filosofia procura basear suas explicações em causas naturais, impessoais e racionais. Importante: Ambos tentavam explicar as coisas do mundo, como veremos:
Nascimento das coisas do mundo: Por genealogia Por guerra ou aliança entre forças divinas Por recompensa ou castigo
Genealogia -Eros Os apaixonados estão sempre entre a ansiedade e a plenitude. Penúria: miserável e faminta. Póros: astuto, engenhoso. Eros, sempre miserável e sedento de amor, cria artimanhas para estar perto do ser amado.
Guerra de Tróia Ilíada – Homero Eris, deusa da discórdia Hera, Atena e Afrodite Páris e Helena A Deusa escolhida passou a defender Páris, enquanto as outras tornaram-se suas inimigas. Ulisses (Odisseu) foi alvo da ira dos
Castigo - Prometeu: Qual o castigo para os homens? A caixa de Pandora. Homem diferente dos outros animais – próximo dos deuses
Do Mito ao Logos �Por que e Como as coisas existem? �O que é o Mundo? �Qual a origem da Natureza e quais as causas de sua transformação? �O que é o Ser?
A Filosofia surge como uma Cosmologia, ou seja, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas. Século VII a. C em Mileto (Turquia).
As principais características da cosmologia Afirma que não há criação do mundo já que “nada vem do nada e nada volta ao nada”, Portanto, o mundo é eterno e as coisas somente mudam de sua forma particular para outra forma.
Dentre as principais características dessa nova forma de pensamento podemos destacar: ◦ a) a idéia de que a Natureza é regida por leis necessárias e universais ◦ b) a idéia de que o homem por seus próprios meios pode conhecer essas leis ◦ c) a idéia de que também o pensamento humano opera seguindo leis universais e necessárias, as quais permitem distinguir entre o verdadeiro e o falso ◦ d) a idéia de que as ações humanas podem ser regidas pela vontade livre ◦ e) a idéia de que mesmo em um mundo em que imperam leis necessárias e universais há espaço para o contingente, em especial quando há a interferência da vontade livre dos seres humanos nas causas dos fenômenos
Gênese por combinação e separação entre os quatro elementos primordiais. - água ou úmido - fogo ou quente - ar ou frio
Filósofo Elemento Tales Água Anaximandro Ápeiron Anaxímenes Ar ou frio Pitágoras Número Heráclito Fogo Empédocles 4 qualidades Anaxágoras 4 sementes (4 elementos) Átomo Leucipo e Demócrito
Escola de Atenas (Causarum Cognitio), de Rafael Sanzio afresco, pintado de 1509 a 1510 Stanza della Segnatura (Vaticano) ALCIBÍADES OU ALEXANDRE ANTÍSTENES OU PLATÃO E XENOFONTES ARISTÓTOTELES AGATON SÓCRATES HYPATIA EPICURO AVERRÓIS PERIPATÉTICOS ZOROASTRO, PTOLOMEU PARMÊNIDES OU XENÓCRATES RAFAEL DIÓGENES ANAXÁGORAS ANAXIMANDRO PLOTINO HERÁCLITO PITÁGORAS EUCLIDES
Heráclito - 540 -470 a. C. Somente a mudança é real, a permanência é ilusória. O mundo é fluxo perpétuo (devir) onde nada permanece igual a si mesmo, mas se transforma no seu contrário.
�Compara o mundo à chama de uma vela queima sem cessar, transformando a cera em fogo, o fogo em fumaça e a fumaça em ar. �“A guerra (ou a luta) é o pai de todas as coisas” Uma pessoa não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. “
Parmênides – 530 -460 a. C. O ser é. O que é, é. O que é não pode não ser. Dizer que o ser “é” implica que ele só pode ser ele mesmo e não “outro”. É a identidade ontológica. Somente a identidade e a permanência são reais e a mudança é ilusória.
Parmênides � O ser é sempre idêntico a si mesmo, sem contradições, imutável e imperecível. O ordenamento cósmico é estático. O devir (fluxo dos contrários) é a aparência sensível, mera opinião. A mudança é o não-ser, o nada, o indizível.
Sofistas Virada antropológica: Cosmologia para Antropologia. O que importa agora são os assuntos humanos: Ética e Política. Protágoras: Relativismo e Retórica. “O homem é a medida de todas as coisas.
Platão – 428 -347 a. C. Arístocles recebeu o apelido de Platão ( Πλάτος (plátos) em grego significa amplitude, dimensão). De origem Aristocrática, cedo dedica-se aos estudos políticos. Aos 20 anos, Platão encontra Sócrates, tornando-se seu discípulo até a morte do mestre.
Temperamento artístico. Interesse pela política. Viagens à Siracusa. Fundação da Academia: “Não entre quem não for geômetra”
A solução platônica para o conflito Heráclito X Parmênides O mundo em constante mudança Heráclito corresponde a uma parte realidade. de da Platão denomina esta parte de Mundo Sensível, que é composto por objetos mutáveis, os entes corpóreos.
O mundo em constante permanência de Parmênides corresponde a uma parte da realidade. Platão denomina esta parte de Mundo Inteligível, composto por objetos imutáveis, as ideias incorpóreas.
A fundação da metafísica Mudança fundamental na filosofia: Descoberta de uma realidade suprasensível do ser (gênero de ser não físico). Segunda navegação.
Primeira navegação Feita ao sabor dos Segunda navegação Uso dos remos ventos Contribuição de Filosofia naturalista Platão Fora de rota Condução à verdade Prisioneiro dos Raciocínio puro Sensível Inteligível sentidos
Desejamos explicar porque uma coisa é bela? O naturalista invocaria elementos puramente físicos, como a cor, a figura, a proporção, etc. Para Platão uma coisa é bela porque participa da Ideia de beleza e essa ideia é a causa da beleza que o objeto possui.
Essa causa é a Ideia ou “forma”. �Realização empírica segundo determinada forma, cor e proporção. �Isso significa que todas as coisas físicas existentes supõem uma causa suprema de caráter não físico, mas metafísico.
A segunda navegação, portanto, leva ao reconhecimento da existência de dois planos do ser: ◦ Um, fenomênico e visível. ◦ Outro, invisível e metafenomênico, captável apenas com a mente, puramente inteligível. O verdadeiro ser é constituído pela “realidade inteligível”.
O Mundo das Ideias �As causas das coisas (realidades inteligíveis) são chamadas por Platão de Ideia ou Eidos, que significam “Forma”. �As ideias platônicas são as essências das coisas, ou seja, aquilo que faz com que cada coisa seja aquilo que é. �As ideias são Paradigmas ou modelos permanentes de cada coisa.
Em resumo: As verdadeiras causas de todas as coisas sensíveis, por natureza sujeitas à mudança, não podem elas mesmas sofrer mudança, caso contrário não seriam as “verdadeiras causas”, não seriam as razões últimas e supremas.
A estrutura do mundo das Ideias Existem ideias de todas as coisas: Dos valores estéticos, morais, dos diversos entes geométricos e matemáticos, das realidades corpóreas, etc. Mas, como as coisas sensíveis surgem amparadas no modelo das Ideias?
O Demiurgo Existe um Demiurgo, um Deus-artífice, um Deus que pensa e quer e que, assumindo como “modelo” o mundo das Ideias, plasmou a “chora”, ou seja, o receptáculo sensível, segundo esse modelo. Por que o Demiurgo quis gerar o mundo? Por “bondade” e por “amor” ao bem.
Mundo Sensível Mundo inteligível Diferença Identidade Aparência Essência Particular Universal Contingente Necessário Relativo Absoluto Corpo (soma) Alma (psiqué) Corpóreo Incorpóreo Finito Infinito Dóxa (opinião) Epistéme (ciência)
Assim, temos o mundo sensível da matéria, o mundo inteligível das puras formas imateriais, e, acima desses dois mundos, uma realidade suprema, separada de todo o resto, inalcançável pelo intelecto humano, luz pura e esplendor imaterial, o Uno ou o Bem. Se o mundo sensível é imperfeito, como passar para o inteligível? Antes de continuarmos, é importante usar uma alegoria criada por Platão: A alegoria da Caverna
Como é possível o acesso ao inteligível? �Se esse mundo é uma aparência (é o mundo dos prisioneiros da caverna), como conhecer as essências e abandonar as aparências? Como sair da caverna? �Através de um método do pensamento e da linguagem chamado dialética.
Dialética A dialética é um diálogo ou uma conversa em que os interlocutores possuem opiniões opostas sobre alguma coisa e devem discutir ou argumentar de modo a passar das opiniões contrárias à mesma ideia ou ao mesmo pensamento sobre aquilo que conversam. Devem passar de imagens contraditórias a conceitos pensantes idênticos para todos
Diagrama da Linha dividida MUNDO INTELIGÍVEL nóesis ou episteme intuição intelectual diánoia raciocínio ou pensamento matemático pístis e doxa crença e opinião eikasía imagens MUNDO SENSÍVEL
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