O JEITINHO BRASILEIRO A arte de ser mais
O JEITINHO BRASILEIRO A arte de ser mais igual do que os outros Lívia Barbosa Gabriela Souza Assis Ferreira Prof. André Lucirton Costa Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
Lívia Barbosa • Mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Chicago • Doutora em Antropologia Social pela UFRJ • Pós doutorado na Universidade de Tóquio • Professora da Universidade Federal Fluminense (Depto de Antropologia) • Diretora da empresa de pesquisa Socius Consultoria Ltda. • Livro: versão modificada da tese de doutorado (1986) • Orientador: Roberto Da. Matta Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
INTRODUÇÃO • Universalidade da expressão “jeitinho” – importância na compreensão de nosso universo social. • “Quando eu julgava que estava tudo irremediavelmente perdido, que daquela vez não tinha realmente jeitinho, tudo, “magicamente”, se resolvia” • “O não ou qualquer outro tipo de negativa, no Brasil, não significava o que semanticamente pretendia denotar” - “O não era o limite” • A lei, a norma e a constituição não implicam em barreiras definitivas • Longa permanência no exterior Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
SUMÁRIO 1 - O Jeitinho Escrito: Visões intelectuais 2 – Navegando em Águas Brasileiras: o mapa social do jeitinho 3 – O Jeitinho falado 4 – O Jeitinho e o “Você Sabe com Quem Está Falando? ” 5 – Hierarquia e Individualismo 6 – Individualismo e Hierarquia no Universo Social Brasileiro 7 – Igualdade Moral e individualismo Seletivo 8 – Jeitinho e Identidade Nacional 9 – Brasil, o País do Jeitinho 10 – Pequena História do Jeitinho Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
1 - O JEITINHO ESCRITO • Guerreiro Ramos (1966) • Categoria central da sociedade brasileira • Jeitinho e outros mecanismos: “processos crioulos” são comuns a vários países latino americanos • Resultado da discrepância entre nossas instituições sociais, políticas e jurídicas e nossas práticas sociais • Jeitinho condenado a desaparecer com o desenvolvimento econômico e social. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
O JEITINHO ESCRITO – críticas à Guerreiro Ramos • Jeitinho como simples reflexo de um estágio de desenvolvimento econômico e social. Pensava-se que industrialização exigiria implementação de regras impessoais que anulassem os laços de sangue e de amizade. • “O que a realidade tem demostrado é que o sistema burocrático impessoal, calcado na racionalidade, é, a todo momento, vazado pela atuação de variáveis exógenas a esses domínios, baseado em critérios diversos, mas que tem a uni-las as relações com valores que se colocam no eixo oposto ao da racionalidade e do econômico”. • Uma regra universalizante pode deixar de ser acionada e exigida, caso o requerente seja uma moça simpática, uma velhinha maternal ou um deputado. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
1 - O JEITINHO ESCRITO • Roberto Campos (1966) • Jeitinho não é legal nem ilegal: simplesmente paralegal • Raízes ligadas a três fatores: • Origem histórica: relações feudais no domínio jurídico e econômico – desigualdade jurídica • Atitude em relação a lei e o fato social: para o inglês a lei é uma cristalização do costume. Para os latinos o direito civil é um sistema apriorístico e formal de relações – descompasso entre a norma e o comportamento “descumprimento da lei é um questão de sobrevivência”. • Atitude religiosa: religião católica – dogma rígido e intolerante Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
O JEITINHO ESCRITO – crítica à Roberto Campos • Relações Feudais: • As desigualdades expressas no sistema jurídico de Portugal, posteriormente transposto para o Brasil, não refletem de forma obrigatória uma estrutura feudal, mas uma visão hierárquica de mundo. • Rigidez no catolicismo versus o utilitarismo protestante: • “O que Lutero e seus seguidores contestavam na igreja era a multiplicidade ética do comportamento de seus líderes e seguidores” – condenava o lucro mas cobrava penitências e vendia absolvições. ” • Protestante deve ter uma unidade ética – valores que uso na igreja é o mesmo que devo acionar em casa, no trabalho e na rua (essa postura exige mais que a anterior). • Dispositivo da confissão e do perdão reforça prática social mais maleável. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
1 - O JEITINHO ESCRITO • Oliveira Torres (1973) • Jeito é uma maneira de ser peculiar brasileira, fruto de condições históricas particulares que permitiram a criação desse tipo de filosofia de vida • Capacidade de adaptação a situações inesperadas ou difíceis. • “Durante uma campanha nos Alpes Suíços na Segunda Guerra Mundial, uma atitude da tropa brasileira intrigou tanto o nosso corpo médico como o americano. Embora se esperasse um grande número de baixas em nossos contingentes, devido ao frio e a neve, surpreendentemente as baixas brasileiras foram inferiores às do exercito norte americano, familiarizados com a neve e o frio em seu país de origem. Descobriu-se que os brasileiros forravam as botas com jornal, para esquentar os pés. Os soldados norte americanos nada faziam, esperando instruções do serviço médico do exército. ” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
1 - O JEITINHO ESCRITO • Keith Rosen (1971) • Considera apenas um lado do jeitinho (aspecto de instituição paralela ao nosso sistema jurídico e legal) – • Jeitinho intimamente ligado à corrupção • Origem no passado português • Administração portuguesa era autoritária, paternalista, particularista. Legislação confusa, detalhista e numerosa. • Prática ibérica de encorajar seus funcionários a apelarem diretamente para o rei caso discordassem de ordem ou política. • Caráter português de tolerância com a corrupção e falta de responsabilidade civil (ênfase nas relações pessoais, de amizade e família) • “Aos amigos, tudo; aos indiferentes, nada; e aos inimigos, a lei. ” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
1 - O JEITINHO ESCRITO • Clóvis de Abreu et ali (1982) • Tese central do artigo: Jeitinho é um recurso de poder • Baseia-se em uma pesquisa empírica e abandona causas histórica como tema central; • Conclusões calcadas nas respostas à 20 perguntas formuladas a 20 pessoas: • • • Jeitinho decorrente da constante necessidade do formalismo Jeitinho, como fuga à formalização neutra e igualitária, é um instrumento de poder Jeitinho não se constitui uma singularidade brasileira Jeitinho é uma relação de poder nos moldes do “Você sabe com quem está falando? ” O jeitinho não está em extinção Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Pesquisa empírica com 200 pessoas • Diferentes cidade (Recife, Rio de Janeiro, João Pessoa, Porto Alegre) • 1984 -1986 • Questionários e entrevistas com diferentes segmentos e faixas etárias da população Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • O que é o jeitinho • Uma forma “especial” de se resolver algum problema ou situação difícil ou proibida; ou uma solução criativa para alguma emergência • Burlando regra ou normas ou • Conciliação, esperteza ou habilidade. • Para que uma situação seja considerada jeito, necessita-se de um acontecimento imprevisto e adverso aos objetivos do indivíduo. Para resolvê-la é necessário uma maneira especial: eficiente e rápida. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
JEITINHO POR ROBERTO DAMATTA • Um modo simpático, desesperado ou humano de relacionar o impessoal com o pessoal; • Nos casos – ou no caso – de permitir juntar um problema pessoal (atraso, falta de dinheiro, ignorância das leis por falta de divulgação, confusão legal, ambiguidade do texto da lei, má vontade do agente da norma ou do usuário, injustiça da própria lei, feita para uma dada situação, mas aplicada universalmente etc. ) com um problema impessoal. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Jeito se distingue de favor e corrupção (+)/(-) favor jeito (-) Corrupção • O que caracteriza a passagem de uma categoria para outra é mais o contexto em que a situação ocorre e o tipo de relação existente entre as pessoa envolvidas do que natureza peculiar a cada uma. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Diferença entre favor e jeito • Posso pedir um jeito a um desconhecido, favor não se pede a qualquer um. • Favor não envolve a transgressão de alguma norma ou regra enquanto que jeitinho envolve quase sempre algum tipo de infração. • Favor é mais formal, jeitinho é mais informal • Entretanto, na práticas eles se encontram bastante misturados Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Diferença entre corrupção e jeito • Existência ou não de uma vantagem material advinda da situação. • Mas algumas envolvem ganho material e não são consideradas corrupção e sim jeito: • “Dar um dinheirinho a um guarda que resolveu não multar” • Distinção está em relação ao montante de dinheiro envolvido • Enquanto ficasse no nível da “cerveja”, “cafezinho” e “gorjeta” seria jeito Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Os fatores mais decisivos para a obtenção de um jeitinho são puramente individuais “Um indivíduo que não ocupe posição privilegiada dentro do nosso sistema social está igualmente habilitado a pedir um jeitinho, desde que saiba pedir, tenha um bom papo, seja simpático ou charmoso. ” • Um general poderá ficar sem o “seu jeitinho” se tentar valer-se de sua patente de forma autoritária – Terá que recorrer ao “Você sabe com quem está falando? ” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho Malandro (usuário típico do jeitinho) Jeitinho 1 - Tipo que frequenta as zonas ambíguas da ordem social e localiza-se nos lugares intersticiais da sociedade 1 - Expediente ambíguo. Situa-se entre o favor considerado honesto (positivo) e a corrupção desonesta (negativa) 2 - Ser que se situa dentro da classificação nativa entre 2 - Instituição nem legal nem ilegal o honesto e o marginal 3 – Vive no mundo da improvisação, do sentimento e da criatividade 3 - Procedimento social definido como uma forma de criatividade e de improvisação, criando espaços pessoais em domínios impessoais 4 - Um ser altamente individualizado seja pelo modo de andar, falar ou vestir-se 4 - Processo individualizante; baseia-se na identidade pessoal do indivíduo 5 - Vive sempre do e no presente. Não tem um projeto de vida definido 5 – Não é uma forma de ação social planejada. Surge e é utilizada a partir da situação. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
2 - Navegando em águas brasileiras O mapa social do jeitinho • Outro personagem que também representa a encarnação alternativa do jeitinho: o carioca – oposição ao paulista Carioca Paulista Bem-humorado, simpático, boa-vida, piadista, preguiçoso, gosta de chope, praia, mulher e carnaval Trabalhador, bem-sucedido economicamente, seguidor das leis e das normas, Desenvolveu ojeriza pelo trabalho e não é Mora numa cidade sem sol e sem mar, uma potência econômica fria e cinza onde tudo funciona eficientemente, “carrega o Brasil nas costas” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
3 – O JEITINHO FALADO • Discurso Positivo: nasce da experiência diária das pessoas e não da reflexão crítica e profunda sobre nossas instituições • Resposta criativa a uma situação de emergência ou uma forma de agilizar algum tipo de procedimento por meio de quebra de lei ou norma • Elemento universal na sociedade brasileira • Parte do caráter do brasileiro. Sintetiza nosso lado cordial, simpático, alegre e esperto • Humaniza as relações • Pouca associação com a corrupção • Característica típica do brasileiro Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
3 – O JEITINHO FALADO • Discurso Negativo: prega mudanças numa ordem política, social e legal • Ênfase na transgressão • Jeitinho não é original do Brasil • Relação íntima entre jeitinho e corrupção • Classe política e o governo são vistos como responsáveis diretos por todos os males sociais Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
4 – O JEITINHO E O “VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? ” • Expressão “Você sabe com quem está falando” expressa nossa vertente hierárquica e autoritária • Ocorre uma situação de confronto – solução é a hierarquização • Não pode ser usada por todos • Estabelece sempre uma relação negativa • Jeitinho – encarna nosso lado cordial • Situação de confronto – barganha ou argumentação • Utilizado democraticamente por todos • Estabelece sempre uma relação positiva Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
5 – HIERARQUIA E INDIVIDUALISMO 6 - INDIVIDUALISMO E HIERARQUIA • Indivíduo x pessoa • Indivíduo: característico das sociedades modernas; universo constituído por leis e decretos universalizantes e impessoais que buscam a igualdade. Sem mediação entre ele e a totalidade. • Pessoa: típico das sociedades tradicionais (Índia, China , Japão) contato com a totalidade se estabelece pela mediação de clãs, linhagens, famílias. Participação na sociedade é compulsória • Por Roberto Damatta • Indivíduo: sujeito das leis universais que modernizam a sociedade • Pessoa: sujeito das relações sociais • “Entre os dois o coração do brasileiro balança” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
5 – HIERARQUIA E INDIVIDUALISMO 6 - INDIVIDUALISMO E HIERARQUIA • “você sabe” e o jeitinho transforma indivíduos em pessoas • Quem usa tanto um como o outro de separa dos demais membros da sociedade ao se tornar alvo de um tratamento “personalizado”, que não o deixa submetido às leis universalizantes e impessoais. • “você sabe”: coloca os inferiores em seus devidos lugares • Jeitinho: permite que determinados indivíduos sejam alvo de tratamento personalizado Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
7 – IGUALDADE MORAL E INDIVIDUALISMO SELETIVO • Jeitinho é holista e hierárquico • Mecanismo de transformação de indivíduos em pessoas, ao tentar fugir da submissão à universalidade da lei • Jeitinho é um mecanismo de promoção da igualdade. Não uma igualdade dada pela lei, mas pela condição humana das pessoas. Uma igualdade de fato, e não de direito. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
7 – IGUALDADE MORAL E INDIVIDUALISMO SELETIVO “Todos tem direito a um tratamento igualitário por parte de um caixa de banco. Mas uma pessoa superatrasada, que, em voz baixa, expõem sua situação ao caixa, terá sua vez antecipada pela compreensão de seu drama humano que todos poderão compreender, porque poderão, um dia, encontrar-se em situação semelhante. ” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
7 – IGUALDADE MORAL E INDIVIDUALISMO SELETIVO • Intimidade individualista: compartilhar experiência de vida bastante pessoal com estranhos. • Ex: Relações entre um chofer de taxi e passageiro: Normalmente chega-se ao final do percurso sabendo-se que o motorista tem um filho “que não quer nada” uma filha que “vai se casar com um bom rapaz” e todas as suas estratégias para sobreviver. Pelo seu lado, ele termina por saber que você é casado, tem x número de filhos, é professor universitário e que, com esse governo não dá para continuar. • Fazer confissões a um estranho é supor que o interlocutor tem a capacidade de “entendê-lo” e de “compartilhar” de seus sentimentos. Por isso é que peço jeitinho a estranhos, expondo-lhes todo o meu drama. • Queremos a eficácia de um sistema individualista nas bases norteamericanas, mas o queremos seletivamente. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
8 – JEITINHO E IDENTIDADE NACIONAL • Quando definimos o jeitinho brasileiro como um elemento de identidade social, não significa dizer que acreditamos que ele simbolize a totalidade da sociedade brasileira em todas as suas extensões, nem que expresse o comportamento típico do brasileiro. Significa, apenas, que em determinados contextos ele sintetiza um conjunto de relações e procedimentos que os brasileiros “percebem” como sendo deles. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
9 – BRASIL, O PAÍS DO JEITINHO • O que é privilegiado como “expressivo” de nossa “brasilidade” é justamente o tipo de nossas relações sociais, um determinado modo de ser e uma forma específica de lidar com determinadas situações. • Jeitinho brasileiro surge como o vetor através do qual a sociedade brasileira estabelece uma igualdade e uma justiça social. • Se expressa por uma hierarquia de necessidades que desconhece desigualdades sociais e igualdades legais. • Promove uma homogeneização positiva, anulando toda nossa adversidade interna. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
9 – BRASIL, O PAÍS DO JEITINHO • No discurso negativo • Representa a vertente da sociedade brasileira que se faz necessário coibir para que o modelo individualista possa se realizar plenamente. • Extinguir o peso maior dado às relações do que aos indivíduos • Espaços só devem ser deixados para o aspecto “adaptativo” do jeitinho • Jeitinho promove homogeneizações positivas e negativas de nosso universo social, sem nunca impor escolhas excludentes definitivas. Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
O JEITINHO NO PASSADO (ROBERTO DAMATTA) Disse Pero Vaz de Caminha, no finalzinho de sua carta histórica, fundadora do nosso modo de ser, depois de dar ao rei as maravilhosas notícias da terra brasileira. Ali, naquele pedaço terminal e naquela hora de arremate, Caminha arrisca, malandramente, o seguinte: “E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez por assim pelo miúdo. E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza. há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da Ilha de São Tomé a Jorge de Osorio, meu genro – o que dela receberei em muita mercê. ” E conclui Caminha, como até hoje manda o nosso figurino de malandragem: “Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro de Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500. Pero Vaz de Caminha. ” Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
http: //brasil. elpais. com/brasil/2013/12/30/opinion/1388424661_871576. html
Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto http: //epoca. globo. com/economia/noticia/2016/11/o-jeitinho-brasileiro-de-fazer-pedaladas-fiscais. html ABORDAGEM ATUAL DO JEITINHO
ABORDAGEM ATUAL DO JEITINHO Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
OBRIGADA! Grupo de Pesquisa em Administração e Economia da Saúde Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto
- Slides: 36