Nutrio de Bovinos O que um animal ruminante
Nutrição de Bovinos
O que é um animal ruminante? ? ?
O que é um animal ruminante? • Animais poligástricos – estômago composto • Capacidade de utilizar a fibra para produção de energia • A tomada do alimentos é feita com a ajuda da língua como se fosse uma “foice” que recolhe o alimento no pasto • O alimento é imediatamente deglutido e chega no primeiro compartimento (retículo). É no rúmen, onde vários microrganismos se encarregam de quebrar polisacarídeos • Após isso o alimento volta a boca do animal para ser mastigado e, então, deglutido novamente para o término da digestão do alimento.
O rúmen e o retículo funcionam como uma câmara de fermentação perfeita que mantêm um ambiente favorável ao desenvolvimento da população microbiana. O maior dos pré-estômagos; Movimenta-se continuamente, proporcionando divisão física; Não é completamente separado do rúmen; Não secreta enzimas; Movimentos em sintonia com o rúmen. Absorção da água, minerais, AGV; Estômago verdadeiro ou glandular; p. H baixo morte dos microrganismos do rúmen Secreta enzimas, hormônios, ácidos e água Redução das partículas alimentares; Órgão selecionador.
CARACTERISTICAS DO RÚMEN COMO C MERA DE FERMENTAÇÃO Fatores que Mantêm as Condições de Câmara do Rúmen: • Temperatura – entre 38º a 42ºC mantida pelos mecanismos de regulação térmica do animal; • Ausência de ar – embora possa ocorrer a presença de oxigênio livre, agregado a alimentos ou a água; – Existem ainda, outros gases reguladores como: gás carbônico, metano, amônia e hidrogênio. • p. H – varia de 5, 5 a 7, 0 – ácidos graxos voláteis (AGV) que podem ser prontamente absorvidos no rúmen podem variar o p. H; – A quantidade de ácidos produzidos pela fermentação é regulada pelo nível de acidez no liquido do rúmen. – O tipo de alimento também influi decisivamente no p. H; – A manutenção do p. H é importante porque mantém em atividade os microrganismos da fermentação. – bactérias e protozoários, responsáveis pela fermentação dos alimentos, habitam o rúmen e se mantêm pela constância da temperatura, do p. H e pela ausência de ar.
GRUPOS DE MICROORGANISMOS DO RÚMEN E PRODUTOS DA FERMENTAÇÃO
PRODUTOS FINAIS DA DIGESTÃO Os AGV são absorvidos pelas paredes do rúmen e passam à corrente sangüínea nas formas de: • ácido acético, acético que irá formar as gorduras do leite e do corpo; • ácido propiônico, propiônico que irá formar a lactose (açúcar do leite) e a glicose sangüínea; • ácido butírico. • Em reduzidas quantidades são formados açúcares, a partir de celulose.
• Alimentos equilibrados e de boa digestibilidade, gramíneas e leguminosas no ponto ótimo de consumo, normalmente produzem as seguintes percentagens de AGV: – Ácido acético: 50 a 65% – Ácido propiônico: 18 a 20% – Ácido butírico: 12 a 20% • Diminuir as quantidades de celulose em relação ao amido da ração: – Formação de maior quantidade de ácido propiônico e menor quantidade de ácido acético – Diminuição da gordura do leite e o animal ganha gordura no corpo, aumentando o peso.
CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS O volume dos alimentos indica a forma em que se pode agrupalos com a finalidade de estabelecer uma classificação • Assim temos: – alimentos de alta concentração de nutrientes: concentrados – Alimentos que possuem baixa concentração: volumosos. • Geralmente, as rações são compostas dois grupos; • Algumas vezes, usam-se somente os volumosos, entretanto, nunca se usam exclusivamente concentrados na alimentação dos ruminantes.
Volumosos • São aqueles que contêm mais de 18% de fibra bruta na MS. – Constituem a maior parte da ração – Fornecem nutrientes – Desempenham papel especial no metabolismo ruminal. • A vacas leiteiras em produção necessitam, no mínimo de 17% de fibra na MS para que seja produzido um teor de gordura normal no leite, cuja fonte principal é a fibra celulósica dos alimentos volumosos.
Concentrados • São alimentos ricos em energia e proteínas, ou em ambos • Possuem de 85 -95% ou mais de MS. • A sua fração energética compreende, principalmente, o amido, seguido dos açúcares mais simples e das gorduras. • Em geral possuem mais de 60% de NDT e baixo teor de fibra.
Concentrados energéticos • São os concentrados com 18% ou menos de proteínas • Representados pelos grãos de cereais e seus subprodutos. • O teor de fibra é variável, sempre menor que 18% • O teor de matéria gordurosa varia bastante, conforme o grão utilizado ou subproduto deste. • • • Farelo de arroz desengordurado Grão triturado de milho Farelo de trigo Grão triturado de sorgo Grãos de aveia
Concentrados protéicos • Origem vegetal: • farelos e farinhas de cereais: 20 a 30% de proteínas • farelos de oleaginosas: 30 a 50% de proteínas – são os mais usados para alimentação do gado • Em geral, são usados os subprodutos das agroindústrias de extração de óleo comestível, como as tortas e farelos de soja, amendoim, girassol, algodão e outros. • Origem animal: contém de 34 a 82% de proteínas.
Proteínas Valor Protéico Bruto: • As proteínas de um alimento podem ser estimadas quimicamente a partir de seu conteúdo em nitrogênio. • A porcentagem de nitrogênio obtida se expressa em termos de proteína bruta, multiplicando-se por 6, 25. Este processo se baseia em duas suposições: – Todas as proteínas contêm 16% de nitrogênio – Todo o nitrogênio contido no alimento está em forma protéica. • Ambas suposições não são inteiramente corretas. • Em verdade, o teor de proteína varia de 13 a 18%.
Valor biológico das proteínas • O valor biológico de uma proteína é a percentagem dela que é utilizada pelo organismo animal, relativamente a quantidade absorvida, ou seja: • O valor biológico de uma proteína é determinado pela seguinte fórmula:
Digestão da proteína • As proteínas dietas dos animais ruminantes contêm nitrogênio sob duas formas: – nitrogênio protéico (proteína verdadeira) que se constitui de cadeias longas de aminoácidos unidas por ligações peptídicas; – nitrogênio não protéico que compreende a uréia, ácidos nucléicos, nitratos, nitritos sais de amônia, aminoácidos e outros.
A proteína verdadeira consumida pelo animal pode ser metabolizada no rúmen segundo dois caminhos diferentes: 1. Escapar da degradação microbiana e passar para o omaso e abomaso, atingido o intestino, onde sofrerá digestão e seus aminoácidos absorvidos. 2. Sofrer proteólise (quebra da cadeia protéica aminiácidos) e deaminação pelas enzimas microbianas, com formação de amônia e esqueletos carbônicos de cadeia curta.
• A produção de amônia no rúmen: – ocorre após os microorganismos proteolíticos realizarem a chamada proteólise, ou seja, a “quebra” das ligações peptídicas que unem as cadeias protéicas, liberando peptídeos e aminoácidos. – Posteriormente os aminoácidos podem ser deaminados (retirado o radical amina), resultando na produção de amônia (NH 3) e esqueletos carbono. • A amônia é o principal constituinte nitrogenado solúvel presente no fluído ruminal. – Sua concentração é influenciada principalmente pela quantidade e pela solubilidade da proteína dietética (soma das frações protéicas de todos os alimentos
Fonte não protéica (uréia) • Uréia alcança o rúmen – enzima urease, produzida pelas bactérias – rapidamente desdobra a uréia em amônia e CO 2 • O mesmo processo de transformação ocorre quando o animal ingere uma fonte de proteína verdadeira, proveniente do volumoso e concentrado. • A amônia presente no rúmen (p. H 5, 5 a 7) é utilizada pelos microorganismos (ureolíticos e proteolíticos) para síntese sua própria proteína. • Para que isso ocorra, é essencial a presença de uma fonte de energia (celulose, e amido, por exemplo). • A proteína assim formada é chamada de proteína bacteriana
• Todo o alimento ingerido pelo animal, junto com as bactérias e seus produtos, continua a avançar pelo trato digestivo. • O bolo alimentar alcança o abomaso: – p. H de 2 a 3, “estômago verdadeiro” – as bactérias são destruídas e o seu conteúdo é liberado. – todas as frações alimentares são digeridas. • A digestão da proteína bacteriana nada mais é do que sua quebra em aminoácidos, os quais serão absorvidos no intestino e novamente transformados em proteínas, agora pelo próprio animal.
Existe ainda outro processo de produção de uréia, no próprio metabolismo do animal: • A uréia assim produzida é chamada “uréia endógena” e é sintetizada no fígado. • amônia proveniente da degradação da proteína ou da uréia • é absorvida pela parede do rúmen, alcança o fígado pela veia porta. • No fígado, a amônia é convertida em uréia. • Parte dessa uréia volta ao rúmen, parte vai para saliva e parte é excretada pela urina. • Esse processo é conhecido como “ciclo da uréia”.
• O equivalente protéico da uréia gira em torno de 260% – o fornecimento de 100 g de uréia a um animal resultaria em 260 g de proteína microbiana, caso a uréia fosse totalmente utilizada pelos microorganismos. • Entre os fatores que afetam a utilização da uréia, o mais importante é o fornecimento de energia. – Em condições de deficiência de energia, as bactérias não se desenvolvem de maneira eficiente.
Recomendações de utilização do Nutriente Não Protéico (NNP) Para utilização segura e eficiente da uréia, os seguintes pontos devem ser considerados: • A população microbiana deve estar adaptada para a utilização da uréia. • O aumento da quantidade de NNP deve ser gradativo, de modo a favorecer uma alteração no equilíbrio entre os diversos micro-organismos do rúmen, favorecendo o desenvolvimento das bactérias capazes de utilizar a amônia; • Os animais devem ser adaptados por um período de duas semanas, no mínimo. Se a quantidade de uréia a ser administrada for alta, recomenda-se um período de adaptação maior;
• Quanto maior a quantidade de uréia, mais parcelado deverá ser seu fornecimento, para evitar a formação de altas concentrações de amônia no rúmen e melhorar o aproveitamento do N amoniacal; • A quantidade máxima de uréia que pode ser fornecida e aproveitada gira em torno de 40 g/100 kg de peso vivo. (orientação limites dependem da quantidade de energia na dieta. • Com dietas com baixa energia e em animais não adaptados, 40 g/100 kg de peso vivo podem causar intoxicação.
Sintomas de intoxicação: • • • Inquietação Surdez Tremores da pele e músculos Salivação excessiva Micção e defecação constante • Respiração ofegante • Falta de coordenação motora • Enrijecimento das pernas • Colapso respiratório • e morte. Em caso de intoxicação por uréia, sugere-se administrar, por via oral, de 3 a 4 litros de uma solução de ácido acético a 5%, ou mesmo de vinagre comum, repetindo o tratamento três horas mais tarde, caso persistam os sintomas. Não havendo esses produtos na fazenda, aconselha-se forçar o animal a ingerir de 20 a 30 litros de água bem fria, de preferência gelada.
Sistemas de manejo da alimentação De maneira geral, os alimentos podem ser fornecidos de duas maneiras: 1. Volumoso separado de concentrado; 2. Dietas ou rações totais – Individualmente (tie stall) – Em grupos (free stall)
Volumoso separado do concentrado • Sistemas individuais – A quantidade de concentrado e volumoso ficam a disposição de cada animal durante o dia todo – De acordo com as necessidades nutricionais • Sistemas em grupos – Concentrado durante a ordenha – Volumoso durante o dia todo – Dominantes x subordinados
Dieta ou ração total • Concentrado e forragem são misturados e oferecidos como alimento completo • Vantagens: – Variação no consumo voluntário da forragem; – Permite o consumo de pequenas quantidades de uma ração balanceada ao longo do dia – Suprimento mais constante para os microrganimos – Melhor controle do valor nutricional da dieta total – Utilização de alimentos menos palatáveis – Pode ser usada em qualquer sistema de manejo
• Desvantagens: – Vacas de baixa produção podem ganhar peso excessivo; – Agrupamento do rebanho de acordo com o nível de produção; – Custos com equipamentos;
Pastejo contínuo • Mais simples • Animais permanecem o ano todo e/ou por vários anos em uma mesma pastagem; • Cuidados com a qualidade dos pastos e número de animais; • Carga fixa • Carga variável *As gramíneas não fornecem os nutrientes necessários para a produção máxima dos animais durante o ano todo – Pastos de reserva
Pastejo rotacionado • • • Período de descanso fixo da pastagem Rotação dos animais Permite maiores taxas de lotação Adubação correta e frequente Respeitar a fisiologia da planta. • Acompanhado de técnicas de suplementação durante a seca – – Capineira Cana-de-açúcar+uréia Suplementação com silagem Misturas múltiplas
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