No perodo que antecedeu descoberta do Brasil em
No período que antecedeu à descoberta do Brasil, em 1500, muitas civilizações habitaram a região Amazônica. A origem desses povos remonta ao ano 980 a. C. Eles viviam na região de Santarém, no Rio Tapajós e na Ilha de Marajó, faixas que cobriam uma extensão de mais de 50 mil quilômetros quadrados. Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, cercada pelos rios Amazonas e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico. Localiza-se no estado do Pará-PA, região norte do Brasil. A Cerâmica Marajoara tem origem com os índios da Ilha de Marajó, que se destacaram pela produção de uma cerâmica altamente elaborada e sofisticada com técnicas de excisão (relevo), empregada na produção de peças tanto para uso doméstico como ritualístico. O período conhecido então como a "fase marajoara da tradição policrômica da cerâmica amazônica", se refere ao período de 400/1350 d. C. É a quarta fase arqueológica da Ilha do Marajó e considerada como a fase de maior desenvolvimento.
Os marajoaras, também conhecidos por “nheengaíbas” faziam peças modelando o barro manualmente, com a técnica das cobrinhas, sem o uso de torno de oleiros. Para aumentar a resistência do barro eram misturadas substâncias-minerais ou vegetais: cinzas de cascas de árvores e de ossos, pó de pedra e concha e o cauixi, uma esponja que recobre a raiz de árvores. Cauixi Depois de queimadas em fornos de buraco ou em fogueira a céu aberto, as peças recebiam uma espécie de verniz obtido do breu do jutaí, material que dava um acabamento lustroso às peças produzidas. Jutaí
A coloração era obtida com o uso do barro em estado líquido e com pigmentos de origem vegetal. Para o tom vermelho usavam o urucum, para o branco o caulim, para o preto o jenipapo, além do carvão e da fuligem. Urucun Caulim Tesos Jenipapo
A produção pode ser dividida entre vasos de uso doméstico e vasos cerimoniais e funerários (igaçabas). Os primeiros são mais simples e geralmente não apresentam a superfície decorada. Já os vasos cerimoniais possuem uma decoração elaborada, resultante da pintura bicromática ou policromática de desenhos feitos com incisões na cerâmica e de desenhos em relevo. Os sítios onde eles se encontram são os conhecidos tesos, elevações artificiais erguidas acima dos níveis de alagamento da ilha e às margens de rios e igarapés. Nesses tesos eram erguidas as aldeias indígenas, onde se enterravam as urnas funerárias. Vaso Globular - Museu Nacional - UFRJ Peça de uso cerimonial - em relevo o tema das duas serpentes - Museu Nacional - UFRJ.
Urna Funerária (Igaçaba) - Museu Nacional - UFRJ
Igaçaba - Museu Goeldi, Belém, PA
Igaçaba Marajoara Museu do Encontro, Forte do Presépio, Belém - PA
Desenho geométrico sobre urna funerária Museu Nacional da UFRJ Símbolos Marajoara
Os temas frequentes das peças de cerâmica marajoara eram os animais da fauna amazônica, além de figuras híbridas de homem e animal, com peças antropozoomorfas, antropomorfas, e falomorfas, possivelmente representando entidades mitológicas ligadas ao mundo sobrenatural. A decoração era feita com traços gráficos simétricos e harmoniosos, em baixo e alto relevo, entalhes, aplicações e outras técnicas. Banco marajoara - acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi
Dentre os outros objetos da cerâmica marajoara, tais como bancos, colheres, apitos, porta-veneno para as flechas, tangas de cerâmica e adornos para orelhas e lábios, as estatuetas representando seres humanos despertam um interesse especial, porque levantam a questão da sua finalidade. Ou seja, os estudiosos discutem ainda se eram objetos de adorno ou se tinham alguma função cerimonial. Essas estatuetas, que podem ser decoradas ou não, reproduzem as formas humanas de maneira estilizada, pois não há preocupação com uma imitação fiel da realidade. Estatueta Feminina Museu Nacional - UFRJ Parte Superior de Estatueta Oca Museu Nacional - UFRJ Museu Paraense Emílio Goeldi
Estatueta Museu Paraense Emílio Goeldi Estatueta Antropomórfica
Estatuetas
Prato de Cerimonial Peça Antropomorfa - Museu Nacional - UFRJ Recipiente Antropomorfo - Museu Nacional - UFRJ
Tigela Cerimonial - Museu Nacional - UFRJ
Oferendas encontradas em sepultamentos: colares e adornos Museu Paraense Emílio Goeldi Máscara
Tangas - Museu Nacional - UFRJ
A fase Marajoara conheceu um lento, mas constante declínio e, em torno de 1350, desapareceu, talvez expulsa ou absorvida por outros povos que chegaram à Ilha de Marajó. O povo marajoara deixou um legado inestimável, considerado pelos pesquisadores entre as cerâmicas mais belas, elaboradas e disputadas por colecionadores de todo o mundo. Os traços simétricos e cores da decoração marajoara podem ser encontrados até hoje no artesanato local de Belém e da Ilha de Marajó. O mais importante centro produtor e divulgador da cerâmica marajoara e indígena no Estado do Pará encontra-se em Icoaraci, no bairro do Paracuri, onde se concentram cerca de 90% da comunidade de ceramistas. A cerâmica marajoara pode ser conhecida por meio das grandes coleções do “Museu Emílio Goeldi”, em Belém; “Museu Nacional”, no Rio de Janeiro; “Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo MAE/USP”, em São Paulo; além de museus fora do Brasil, como o “American Museum of Natural History”, em Nova York, e o “Barbier – Mueller”, em Genebra.
Reprodução moderna da Cerâmica Marajoara Vasos, Potes e Tigelas
Técnica de produção da Cerâmica Marajoara
Fontes: http: //www. itaucultural. org. br/ http: //pt. wikipedia. org/wiki/Marajoaras http: //www. recantodasletras. com. br/artigos/737106 http: //www. marajoara. com/Cultura_Marajoara. html http: //www. artesanato. com/expo/artesanato-2701. html http: //parahistorico. blogspot. com/2009/02/indios-no-para. html http: //www 2. uol. com. br/spimagem/fotografia/marajo. html#foto http: //www. arteducacao. pro. br/hist_da_arte_prebrasil. htm http: //crcpa-org-br. dnswin 2. dnscenter. com. br/novo 2007/candidatura 2207_2. asp http: //danbrandao. blogspot. com/2011/04/arte-marajoara-ceramica-marajoara-para. html http: //www. museunacional. ufrj. br/Museu. Nacional/arqueologia/ARQUEOBRA/ESTFEM. htm http: //www. ceramicanorio. com/artepopular/ceramicamarajoara/cer%C 3%A 2 mica_marajoara. htm http: //abakmatematicamaya. blogspot. com/2010/06/bak-matematica-maya-los-marajoaras-los. html
Créditos Música: Lundu Marajoara Altino Pimenta, 1921 -2003 Pesquisa e Formatação: Julia Zappa juliazappa@uol. com. br Revisão: Ida Aranha sabercultural@sabercultural. com http: //www. sabercultural. org Ceramista Junho 2011
Posição dos ossos encontrados nas Igaçabas
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