Misso Artstica Francesa NEOCLASSICISMO NO BRASIL Professora Consuelo
Missão Artística Francesa NEOCLASSICISMO NO BRASIL Professora Consuelo Holanda @consueloholanda 201114@gmail. com
Contexto Histórico Em 1816, durante a estada da família real portuguesa no Brasil, chega ao Rio de Janeiro um grupo de artistas franceses com a missão de ensinar artes plásticas na cidade que era, então, a capital do Reino unido de Portugal e Algarves. O grupo ficou conhecido como Missão artística francesa. O convite para a vinda do grupo teria partido de Antonio Araújo Azevedo, Conde da Barca, ministro de dom João 6 o. Preocupado com o desenvolvimento cultural da colônia que havia se transformado em capital, o rei trouxe para cá material para montar a primeira gráfica brasileira, onde foram impressos diversos livros e um jornal chamado "A Gazeta do Rio de Janeiro".
Objetivos da Missão Artística Francesa O objetivo é fundar a primeira Academia de Arte no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Há duas versões sobre a origem da Missão. A 1 a afirma que, o príncipe Dom João (1767 -1826) requer ao marquês de Marialva, então representante do governo português na França, a contratação de um grupo de artistas capaz de lançar as bases de uma instituição de ensino em artes visuais na nova capital do reino. Aconselhado pelo naturalista Alexander von Humboldt (1769 -1859), Marialva chega a Lebreton, que se encarrega de formar o grupo. A outra versão afirma que os integrantes da Missão vêm por iniciativa própria, oferecendo seus serviços à corte portuguesa. Formados no ambiente neoclássico e partidários de Napoleão Bonaparte, os artistas se sentem prejudicados com a volta dos Bourbon ao poder. Decidem vir para o Brasil e são acolhidos por D. João, esperançoso de que possam ajudar nos
A explicação mais atual para a Missão Artística Francesa e seus objetivos: Recentemente historiadores buscaram um meio termo entre a duas versões, que parece a mais plausível. Fala-se em casamento de interesses: por um lado, o rei teria se mostrado receptivo à criação da academia; a par dessa informação, Lebreton, com o intuito de sair da França, teria oferecido seus serviços, arregimentando artistas dispostos a se refugiar em outro país. Historicamente, além da importância da Missão Artística Francesa como fundadora do ensino formal de artes no Brasil, pode-se dizer que durante o tempo em que esses artistas permanecem no país, dentro ou não da Academia, eles ajudam a fixar a imagem do artista como homem livre numa sociedade de cunho burguês e da arte como ação cultural leiga no lugar da figura do artista-artesão, submetido à Igreja e seus temas, posição predominante nos séculos anteriores.
Mercado da Rua do Valongo – Jean Baptiste Debret É na rua do Valongo que se encontra, no Rio de Janeiro, o mercado de negros, verdadeiro entreposto onde são guardados os escravos chegados da África. Às vezes pertencem a diversos proprietários e são diferenciados pela cor do pedaço de pano ou sarja que os envolve, ou pela forma de um chumaço de cabelo na cabeça inteiramente raspada. Essa sala de venda, silenciosa o mais das vezes, está infectada pelos miasmas de óleo de rícino que se exalam dos poros enrugados desses esqueletos ambulantes, cujo olhar furioso, tímido ou triste lembra uma menagérie.
Negros Cangueiros Debret “Esse tipo de carregadores tão útil aos negociantes não o é menos ao artista, que encontra entre esses homens as formas atléticas mais puras, cujo estudo lhe é precioso” Debret em “Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil” *Academicismo e tecnicismo; *Idealização dos modelos são características típicas da arte e estética neoclássica
Um funcionário a passeio com a sua família - Debret Após dois meses de travessia, percorrendo pela primeira vez as ruas do Rio de Janeiro
Um jantar brasileiro- Debret “(. . . ) de uma sopa de pão e caldo gordo, chamado caldo de substância, porque é feita com um enorme pedaço de carne de vaca, salsichas, tomates, toucinho, couves, imensos rabanetes brancos com suas folhas, chamados impropriamente nabos etc. , tudo bem cozido. No momento de pôr a sopa à mesa, acrescentam-se algumas folhas de hortelã e mais comumente outras de uma erva cujo cheiro muito forte dá-lhe um gosto marcado bastante desagradável para quem não está acostumado. Serve-se ao mesmo tempo o cozido, ou melhor, um monte de diversas espécies de carnes e legumes de gostos muito variados embora cozidos juntos; ao lado coloca-se sempre o indispensável escaldado (flor de farinha de mandioca) que se mistura com caldo de carne ou de tomates ou ainda com camarões; uma colher dessa substância farinhosa semi-líquida, colocada no prato cada vez que se come um novo alimento, substitui o pão, que nessa época não era usado ao jantar. Ao lado do escaldado, e no centro da mesa, vê-se a insossa galinha com arroz, escoltada porém por um prato de verduras cozidas extremamente apimentado. Perto dela brilha uma resplendente pirâmide de laranjas perfumadas, logo cortadas em quartos e distribuídas a todos os convivas para acalmar a irritação da boca já cauterizada pela pimenta. Felizmente esse suco balsâmico, acrescido a cada novo alimento, refresca a mucosa, provoca a salivação e permite apreciar-se em seu devido valor a natural suculência do assado. Os paladares estragados, para os quais um quarto de laranja não passa de um luxo habitual, acrescentam sem escrúpulo ao assado o molho, preparação feita a frio com a malagueta esmagada simplesmente no vinagre, prato permanente e de rigor para o brasileiro de todas as classes. Finalmente, o jantar se completa com uma salada inteiramente recoberta de enormes fatias de cebola crua e de azeitonas escuras e rançosas (tão apreciadas em Portugal, de onde vêm, assim como o azeite de tempero que tem o mesmo gosto detestável). . ” (DEBRET, 1839)
Caboclo de Debret "Caboclo", De Jean-Baptiste Debret (1768 -1848) Retrata Um Mestiço Que, A Rigor, Já Teria Deixado A Vida Selvagem E Aderido À Civilização, Mas Esses Limites Talvez Fossem Muito Difíceis De Se Ver No Brasil, Em Especial Aos Olhos De Um Francês. Mas Debret Não Faz Julgamentos, Apenas Retrata
Nicolas Antoine Taunay O primeiro passeio de D. João VI e D. Leopoldina na Quinta da Boa Vista. *Técnica *estudo da paisagem e da luz *retrato/representação (não ressignificação) Óleo sobre tela de Nicolas-Antoine Taunay, c. 1818. Domínio público. In: Taunay e o Brasil, Obra Completa 1816 -1821
Vista do Rio de Janeiro - Taunay
Grandjean de MOntigny Solar de Montigny que é construído dentro do estilo neoclássico
Grandjean de Montigny Portal da Antiga Academia de Belas Artes do Rio
Trecho do livro “Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil” de Debret para análise: "É o mulato no Rio de Janeiro, o homem cuja organização pode ser considerada mais robusta: esse indígena, semiafricano, dono de um temperamento em harmonia com o clima, resiste ao grande calor. Ele tem mais energia que o negro e a parcela de inteligência que lhe vem da raça branca serve-lhe para orientar mais racionalmente as vantagens físicas e morais que o colocam acima do negro. É naturalmente presunçoso e libidinoso, e também é irascível e rancoroso, oprimido, por causa da cor, pela raça branca que o despreza e pela negra que detesta a superioridade de que ele se prevalece".
Bibliografia DEBRET, Jean Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1978, 2 v. Neves, Lúcia M. B. Pereira das. A missão artística francesa. Rede da Memória Virtual Brasileira. Schwarcz, Lilia Moritz. O sol do Brasil: Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na corte de d. João. Companhia das Letras, 2008, pp. 176 -188 Missão Artística Francesa. Enciclopédia Itaú Cultura
“temos a arte para não morrer da verdade” FRIEDRICH NIETZSCHE
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