Malformaes cardiovasculares em crianas de mes diabticas um

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Malformações cardiovasculares em crianças de mães diabéticas: um estudo de caso – controle retrospectivo

Malformações cardiovasculares em crianças de mães diabéticas: um estudo de caso – controle retrospectivo Cardiovascular Malformations in Infants of Diabetic Mothers: A Retrospective Case-Control Study. Akbariasbagh P, Shariat M, Akbariasbagh N, Ebrahim B. Acta Med Iran. 2017 Feb; 55(2): 103108. PMID: 28282706 Free article. Artigo Livre! Apresentação: Gabriela Rabelo Cunha R 4 - Medicina Intensiva Pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília Coordenação: Nathalia Bardal Revisão: Paulo R. Margotto Brasília, 5 de setembro de 2020 www. paulomargotto. com. br

Introdução • Anomalias cardíacas são o tipo de defeito congênito mais comuns • 6

Introdução • Anomalias cardíacas são o tipo de defeito congênito mais comuns • 6 a 8 casos em 1000 nascidos vivos • Etiologia geralmente desconhecida • 1% de todos os casos são relacionados ao Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) • O DMG afeta 5% das mulheres e é a doença mais comum em grávidas

Objetivo • Determinar a relação entre os vários tipos de diabetes materna, controle glicêmico

Objetivo • Determinar a relação entre os vários tipos de diabetes materna, controle glicêmico e a prevalência das complicações cardiovasculares em: Neonatos de mãe diabéticas (18 casos) X Neonatos de mães não diabéticas (36

Métodos • Estudo caso-controle, retrospectivo, realizado entre 2008 e 2010, em dois grupos de

Métodos • Estudo caso-controle, retrospectivo, realizado entre 2008 e 2010, em dois grupos de recém-nascidos, em um hospital do Teerã, Irã. - Grupo caso: bebês nascidos de mães com diabetes (diabetes prévia 51, 4% e diabetes gestacional 48, 6%) - Grupo controle: bebês nascidos de mães não diabéticas * critérios de diagnóstico para diabetes foram feitos de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde

Critérios de inclusão • Grupo caso: bebês nascidos de mães com diabetes (incluindo diabetes

Critérios de inclusão • Grupo caso: bebês nascidos de mães com diabetes (incluindo diabetes prévio e diabetes gestacional), recém-nascido a termo (RNT) e gestações com pré-natal. • Grupo controle: mãe saudável não diabetes, RNT e gestações com pré-natal.

Exclusão • Prematuridade • Crescimento intrauterino restrito • Baixo índice de Apgar • Mães

Exclusão • Prematuridade • Crescimento intrauterino restrito • Baixo índice de Apgar • Mães que não fizeram pré-natal • Mães que não fizeram exames para identificação do DMG

Coleta de dados • Dados gerais: - RN: idade, sexo, peso ao nascer e

Coleta de dados • Dados gerais: - RN: idade, sexo, peso ao nascer e idade gestacional ao nascer, Apgar ao nascimento, registros ecocardiográficos de recém-nascidos, manifestações clínicas - Mãe: idade materna, história da doença materna, o tipo e a duração do diabetes, diagnóstico e tratamento, registros de gestações anteriores e a presença ou falta de pré-natal

Observações § Os exames físicos foram realizados por um ginecologista e pediatra § O

Observações § Os exames físicos foram realizados por um ginecologista e pediatra § O ecocardiograma foi realizado por um cardiologista pediátrico em todos os RNs • Os dados foram analisado pelo software SPSS Versão 19. • As análises estatísticas também foram extraídas de teste do qui-quadrado • para comparar informações qualitativas entre os dois grupos; dados • quantitativos foram coletados a partir de um teste t independente. § Os dados foram analisados pelo software SPSS versão 19. § Um valor P. <0, 05 foi considerado significativo. § O poder do estudo foi 80% e β era 0, 20. § O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Ciências Médicas do Teerã.

Resultados • Os dados foram extraídos de prontuários médicos e foram aplicadas as estatísticas

Resultados • Os dados foram extraídos de prontuários médicos e foram aplicadas as estatísticas descritivas e analíticas desta informação. • Algumas das informações relevantes estão na Tabela 1 Houve diferenças significativas de peso entre os dois grupos (menor peso no grupo dos bebês de mães diabéticas)

Resultados

Resultados

Resultados • No grupo de crianças das pacientes diabéticas, foram observados 15 casos (42,

Resultados • No grupo de crianças das pacientes diabéticas, foram observados 15 casos (42, 8%) com várias anomalias cardiovasculares • Já no grupo de crianças de mães não diabéticas apenas 6 casos (17%) de anomalias cardiovasculares foram relatados (P = 0, 018). • Assim, em um total de 70 casos estudados , foram diagnosticados 21 casos (30%) de anomalias cardiovasculares. • Todos submetidos a Ecocardiograma em média 3, 45 dias após o nascimento

Resultados • Na maioria dos casos (76, 2%), múltiplas complicações foram detectadas, e foi

Resultados • Na maioria dos casos (76, 2%), múltiplas complicações foram detectadas, e foi relatada apenas uma única anomalia em 5 crianças (23, 8%) pela ecocardiografia. • A maior parte da anomalia cardíaca única era cardiomiopatia hipertrófica. Onze bebês do grupo de 15 foram diagnosticados com anomalias congênitas com: -persistência do canal arterial, -forame oval patente -hipertensão arterial pulmonar, -insuficiência tricúspide e -cardiomiopatia hipertrófica que requerem apenas cuidados de suporte e acompanhamentos. Os quatro (11, 4%) casos restantes de doenças cardiovasculares observadas incluíram um caso de: -defeito do septo ventricular, um caso de atresia pulmonar e -dois casos de transposição de grandes vasos com defeito do Septo ventricular

Resultados Grupo de lactentes de mães não diabéticas Dos 6 casos (17%) com anomalia

Resultados Grupo de lactentes de mães não diabéticas Dos 6 casos (17%) com anomalia cardíaca * 2 casos (5, 7%) apresentaram complicações: -- um caso de comunicação interatrial e ventricular com transposição dos grandes vasos Na Tabela 2 podemos observar as prevalências das anomalias cardiovasculares

Resultados • No grupo de 35 mães diabéticas: - 18 (51, 4%) sofria de

Resultados • No grupo de 35 mães diabéticas: - 18 (51, 4%) sofria de diabetes prévio e 9 crianças (50%) com anomalias cardiovasculares 17 (48, 6%) tiveram diabetes gestacional 6 (35%) com anomalias cardiovasculares (p=0, 29)

Resultados • Em mães com hipertensão durante a gravidez (incluindo hipertensão gestacional e crônica)

Resultados • Em mães com hipertensão durante a gravidez (incluindo hipertensão gestacional e crônica) ) um caso (14, 3%) de anomalias cardíacas foi relatado no grupo de caso e um (12, 5%) no grupo de mães não diabéticas

Resultados • Em média, as mães com diabetes prévio, tinham a doença há 5,

Resultados • Em média, as mães com diabetes prévio, tinham a doença há 5, 28 anos. • A média de duração do diabetes prévio nas mães com bebês com anomalias cardíacas foi de 6, 42± 1, 2 anos e para as mães que tiveram os bebês saudáveis foi de 4. 13± 1. 9 anos (P=0. 336). Sem diferenças significaivas • Em média as mães com diagnóstico de DMG tinham a doença há 4, 43 meses: 4, 83 ± 2, 5 meses para aqueles que tiveram recém-nascidos com anomalias cardíacas e 4, 2 ± 2, 2 meses para mães com diagnóstico de DMG que • tiveram bebês sem malformações (P = 0, 612). Sem diferenças significativas

Resultado • Os lactentes com anomalias cardíacas apresentaram média de Apgar de 8, 33

Resultado • Os lactentes com anomalias cardíacas apresentaram média de Apgar de 8, 33 ± 1, 15, e os recém-nascidos sem malformações apresentaram média de 9, 24 ± 0, 69 (P = 0, 002). • Entre os bebês com malformações cardiovasculares, houve, no exame inicial: - 6 casos (28, 6%) de cianose - 5 casos (23, 8%) bradicardia - 3 casos (14, 3%) de dificuldade respiratória e - 3 pacientes com icterícia (4 [19%]com exame físico inicial normal)

Resultados • Houve um bebê nascido de mãe diabética que sofria de fissura palatina

Resultados • Houve um bebê nascido de mãe diabética que sofria de fissura palatina e espinha bífida oculta e outra criança que foi diagnosticada com galactosemia.

Discussão • Resultados deste estudo são predominantemente compatíveis com os resultados de estudos publicados

Discussão • Resultados deste estudo são predominantemente compatíveis com os resultados de estudos publicados anteriormente. • A incidência de anomalias cardiovasculares em RNs de mães diabéticas foi significativamente maior (P = 0, 018). • A frequência de anomalias é 2, 5 vezes maior entre estes RNs ( filhos de mães diabéticas).

Discussão • Anomalias cardíacas em RNs de mães diabéticas mais comuns: - persistência canal

Discussão • Anomalias cardíacas em RNs de mães diabéticas mais comuns: - persistência canal arterial (PCA) - forame oval patente - cardiomiopatia hipertrófica • Outros estudos: PCA, hipertrofia ventricular, prolapso valvar mitral e regurgitação mitral: mais comuns

Resultados • A prevalência de anomalias cardiovasculares para todos tipos de malformações em bebês

Resultados • A prevalência de anomalias cardiovasculares para todos tipos de malformações em bebês nascidos de mães diabéticas foi de 42, 8% e a incidência de outras doenças, como defeito do septo ventricular, defeito do septo atrial, deslocamento de grandes vasos mediastinais e atresia de válvula foi estimada em 11, 4%.

Discussão • Neste estudo, o tipo de diabetes da mãe (diabetes prévio ou gestacional)

Discussão • Neste estudo, o tipo de diabetes da mãe (diabetes prévio ou gestacional) não trouxe nenhuma diferença significativa na incidência de malformações cardíacas em lactentes (P = 0, 29). • Entretanto, em estudo realizado por Ferencz et al. , foi observada maior prevalência de anomalias cardíacas de RNs de mãe com diabetes prévio.

Resultados • Além disso, de acordo com esse estudo, a duração do • diabetes

Resultados • Além disso, de acordo com esse estudo, a duração do • diabetes mellitus em termos de anos de diabetes prévio e em meses de diabetes gestacional durante a gravidez não causou nenhuma diferença significativa na incidência de anomalias cardiovasculares em bebês. No entanto, a duração média de diabetes mellitus em mães que tiveram bebês com anomalias cardíacas tinha 6, 4 anos e apenas 4, 1 anos para mães de bebês sem anomalias cardíacas Em um estudo conduzido por Weber, Botti e Baylen (1994), concluiu-se que o controle apropriado glicêmico da futura mãe pode reduzir anomalias cardiovasculares em seu bebê

Discussão • O método de tratamento de ambos os tipos de Diabetes não trouxe

Discussão • O método de tratamento de ambos os tipos de Diabetes não trouxe diferenças significativas na prevalência de anomalias cardiovasculares em RNS. • Obs: Não foi medido Hg. Glicada das mães.

Discussão • A frequência na consulta de pré-natal foi de 100% em mães diabéticas

Discussão • A frequência na consulta de pré-natal foi de 100% em mães diabéticas e não diabéticas. • Todas as gestantes realizaram exames de rastreamento para diabetes gestacional após 24 semanas de gestação.

Discussão • Complicações na gravidez: Morte fetal intrauterina e macrossomia foram encontrados em 11,

Discussão • Complicações na gravidez: Morte fetal intrauterina e macrossomia foram encontrados em 11, 4% dos bebês de mães diabéticas e não em bebês de mães não diabéticas • Nesse estudo, dos lactentes de mães diabética: 4 casos (11, 4%) = problemas respiratórios 5 casos (14, 3%)= bradicardia 3 casos (8, 3%) = diagnosticados com sepse

Discussão • Neste estudo, 4 casos de bebês diagnosticados com • anomalia cardíaca (19%),

Discussão • Neste estudo, 4 casos de bebês diagnosticados com • anomalia cardíaca (19%), não mostrou qualquer sintoma clínico inicial. • Esses resultados indicam a importância do exame clínico e acompanhamento de bebês nascidos de mães diabéticas. • Enquanto a pontuação de Apgar no nascimento em bebês de mães diabéticas e não diabéticas não diferem muito, os escores médios de Apgar de bebês com anomalias cardíacas são significativamente menores do que em bebês sem anomalias cardíacas (P = 0, 002)

Discussão • De acordo com a presente pesquisa em comparação com os resultados de

Discussão • De acordo com a presente pesquisa em comparação com os resultados de estudos semelhantes, a importância do atendimento médico para diabetes materno e o seu efeito sobre a prevalência de doenças cardíacas em bebês é claramente aparente. Entre 70 pacientes que participam desta pesquisa, apenas 3 realizaram ecocardiografia fetal. • Portanto, apesar da prevalência de 42% de anomalias cardíacas em recém-nascidos de mães diabéticas, apenas 8, 5% destas complicações foram encontradas durante o diagnóstico pré-natal. • Procedimentos de diagnóstico pós-natal para mães diabéticas foram realizados 3, 3 dias após o nascimento (parto).

Discussão Cuidados especiais com bebês de mães diabéticas também são essenciais para prevenir complicações

Discussão Cuidados especiais com bebês de mães diabéticas também são essenciais para prevenir complicações como problemas respiratórios, sepse e hipoglicemia.

Discussão/ Conclusão • Outras estudos devem ser propostos para gestantes diabéticas avaliando o controle

Discussão/ Conclusão • Outras estudos devem ser propostos para gestantes diabéticas avaliando o controle do diabetes e nível sérico de glicose, a fim de revelar o impacto das intervenções terapêuticas na redução da morbidade infantil entre mães diabéticas.

Nota do Editor da página neonatal www. paulomargotto. com. br Dr. Paulo R. Margotto.

Nota do Editor da página neonatal www. paulomargotto. com. br Dr. Paulo R. Margotto. Consultem também! Estudando Juntos! Aqui e Agora! João Pessoa (PB) [email protected] com

Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de

Malformações entre as crianças de mães com diabetes insulino-dependente: Há uma padrão reconhecível de anormalidade? Malformations among infants of mothers with insulin-dependent diabetes: Is there a recognizable pattern of abnormalities? Nasri HZ, Houde Ng K, Westgate MN, Hunt AT, Holmes LB. Birth Defects Res. 2018 Jan; 110(2): 108 -113. doi: 10. 1002/bdr 2. 1155. Apresentação: Gustavo Borela Valente Coordenação: Joseleide de Castro/Paulo R. Margotto

 • Mais importante, sua ocorrência pode ser reduzido significativamente pela mãe conseguindo um

• Mais importante, sua ocorrência pode ser reduzido significativamente pela mãe conseguindo um controle muito melhor de seu diabetes mellitus antes da concepção. • Revisão bibliográfica entre 1979 2 2014 mostrou que o risco de malformações congênitas está aumentando em mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional, quer do tipo 1 como do tipo 2( 1, 9 a 10 vezes superior à população geral). • Mais de 50% destas malformações afetam os sistemas nervoso central (OR= 1. 55, 95%, IC: 1. 13– 2. 13) e o cardiovascular (OR= 2. 20, 95%, IC: 1. 88– 2. 58). • A associação entre a diabetes mellitus gestacional e as anomalias fetais mantém-se controversa, havendo aumento quando se faz necessário o uso de insulina. Alguns estudos reconhecem uma associação entre ambas (OR=1. 4, 95%, IC 1, 22 -1, 62), enquanto outros estudos atribuem esse aumento de risco ao diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 durante a gravidez, verificando nesse caso taxas de malformações congênitas equiparáveis às de mulheres com diabetes mellitus pré-gestacional.

 • A diabetes mellitus gestacional (DMG) desenvolve-se por volta da 24ª semana de

• A diabetes mellitus gestacional (DMG) desenvolve-se por volta da 24ª semana de gestação, após a embriogênese estar completa, o que significa que não contribui diretamente para a embriopatia diabética. Mesmo assim, verifica-se um aumento do risco de anomalias congênitas nestes casos, atribuindo-se a sua causa a uma possível diabetes mellitus tipo 2 apenas diagnosticada durante a gravidez. • A hiperglicemia conduz às dismorfogênese através de uma série de cadeias moleculares que levam à hipoxia do embrião, à produção de radicais de superóxido mitocondriais, à diminuição da atividade de anti-oxidantes e a um aumento das vias apoptóticas. Os efeitos da hiperglicemia têm repercussão nos estádios iniciais da cardiogênese, podendo provocar anomalias maiores cardiovasculares e auriculoventriculares, defeitos no fluxo sanguíneo e nas válvulas auriculoventriculares. • Nas fases mais tardias da gravidez, desde o final do segundo trimestre até ao início do terceiro, a diabete mellitus pode causar cardiomiopatia hipertrófica

 • Estes casos são encontrados em 25 -30% dos recém-nascidos de mães com

• Estes casos são encontrados em 25 -30% dos recém-nascidos de mães com DM, 13% dos quais são assintomáticos. • Assim, no primeiro trimestre pode ocorrer alteração de genes que controlam a cardiogênese e no 2 o/3 o trimestres, hipertrofia ventricular patológica. O risco de malformações fetais pode ser previsto através da medição dos valores de hemoglobina A 1 c materna às 14 semanas de gestação. • A Síndrome de regressão caudal é 200 vezes mais prevalentes em pacientes com história materna de diabetes insulinodependente. Vários fatores, entre os quais, a hiperglicemia, hipóxia, cetonemia e anormalidade nos aminoácidos, a glicosilação de proteínas ou equilíbrio hormonal, assim como os genéticos, tem sido relatados como potenciais teratogênicos.

Recém-nascido de mãe diabética: Implicações a curto e longo prazo The offspring of the

Recém-nascido de mãe diabética: Implicações a curto e longo prazo The offspring of the diabetic mother--short- and long-term implications. Mitanchez D, Yzydorczyk C, Siddeek B, Boubred F, Benahmed M, Simeoni U. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2015 Feb; 29(2): 256 -69. doi: 10. 1016/j. bpobgyn. 2014. 08. 004. Epub 2014 Aug 20. PMID: 25267399 Review. Realizado pela Dra. Fabiana Márcia Alcântara de Moraes. • O diabetes materno, principalmente o diabetes pré-gestacional tem enormes consequências sobre a incidência de anomalias congênitas. Oito milhões de crianças (185. 000 nos Estados Unidos) nascem a cada ano no mundo com grandes anomalias congênitas. • Bebês de mães pré-diabéticas gestacionais são mais propensos a sofrer malformações cardíacas (transposição das grandes artérias, defeitos do septo ventricular ou atrial e coarctação da aorta), síndrome de regressão caudal, defeitos do sistema nervoso central (defeito do tubo neural (DTN), incluindo anencefalia), malformações gastrintestinal (duodenal e atresia anoretal, hipoplasia do cólon esquerdo), e anomalias do trato esquelético e genital e urinário. • Um fraco controle da glicemia materna no período periconcepcional aumenta o risco de malformações, em particular no caso de diabetes pré-existente. O risco de malformações congênitas no diabetes preexistente é 1, 9 -10 vezes maior do que na população total e ligeiramente aumentada, no caso de diabetes mellitus gestacional em comparação com a população em geral (ORs entre 1, 1 e 1, 3), mas este risco é muito mais baixo do que em mulheres com diabetes pré-gestacional.

 • Resultados da hiperglicemia materna no metabolismo excessivo de glicose no embrião em

• Resultados da hiperglicemia materna no metabolismo excessivo de glicose no embrião em desenvolvimento, que podem alterar várias reações em cadeia molecular: • 1) alteração do metabolismo lipídico de células, nomeadamente a produção de prostaglandina E 2 envolvida na desobstrução do canal arterial no útero; • 2) altos níveis de glicose induzem um excesso de produção de espécies reativas de oxigênio (ERO), que se demonstrou que causa estresse oxidativo (EO) e, posteriormente, aumenta o risco de malformações fetais, nomeadamente DTN; e também • 3) elevado teor de glicose induz a ativação de muitas proteínas envolvidas na morte celular por apoptose, incluindo membros das famílias caspase. Embora seja crescente, a compreensão dos mecanismos moleculares de base do diabetes embriopático ainda está incompleta

Cuidados com o recém-nascido de mãe diabética Apresentação: Juliana Ferreira Gonçalves (R 3 em

Cuidados com o recém-nascido de mãe diabética Apresentação: Juliana Ferreira Gonçalves (R 3 em Neonatologia) Coordenação: Fabiana Márcia de AM Altivo Care of the infant of the diabetic mother. Hay WW Jr. Curr Diab Rep. 2012 Feb; 12(1): 4 -15. doi: 10. 1007/s 11892 -011 -0243 -6. Review. PMID: 22094826. Similar articles MALFORMAÇÕES CARDÍACAS • • São comuns em filhos de mães diabéticas porém, dentro desse grupo são quase exclusivas de filhos diabéticas tipo 1 descompensadas; 30% dos RN filhos de mães diabéticas tanto gestacional quanto pré-existente apresentam malformações cardíacas; Aproximadamente metade dos defeitos cardiovasculares são anomalias que incluem transposição de grandes artérias, persistência do tronco arterioso, heterotaxia visceral e ventrículo único; Outras malformações cardíacas frequentes incluem defeitos do septo ventricular e miocárdio espessado; A hipertrofia septal ocorre em 25 -75% dos filhos de diabéticas (elevada variabilidade); Na cardiomiopatia há hipertrofia miocárdica com hipertrofia septal e obstrução da via de saída ou insuficiência cardíaca congestiva; Essas crianças devem ser acompanhadas por um cardiologista pediátrico; A morte súbita de fetos filhos de mãe diabética na fase tardia da gestação ou natimortos, podem ser atribuídas as malformações citadas anteriormente embora arritmias inexplicáveis também podem ser consideradas;

 ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS • As malformações do sistema nervoso central são 16 vezes mais

ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS • As malformações do sistema nervoso central são 16 vezes mais frequentes em RN de mães diabéticas; • O risco de anencefalia, espinha bífida e displasia caudal é 13, 20 e 600 vezes, respectivamente, mais frequente nesses RN; • A policitemia promove redistribuição do ferro para medula e fígado podendo levar a deficiência de ferro no cérebro e consequente limitação ao desenvolvimento cognitivo; • Por esses motivos, os bebes de mães diabéticas tem maior risco de déficit neurológico e alterações neurocomportamentais;

SINDROME DE REGRESSÃO CAUDAL EM GESTANTE GEMELAR COM DIABETES TIPO II Realizado por Paulo

SINDROME DE REGRESSÃO CAUDAL EM GESTANTE GEMELAR COM DIABETES TIPO II Realizado por Paulo R. Margotto Caudal Regression Syndrome in twin pregnancy with type II diabetes. Zaw W, Stone DG. J Perinatol. 2002 Mar; 22(2): 171 -4. PMID: 11896527. Free Article. Similar articles. Artigo Integral • • • A síndrome de Regressão caudal (SRC) é caracterizada pela agenesia sacrococgineana ou lombossacrococgineana, freqüentemente acompanhado de múltiplos anormalidades músculoesqueléticos da pelves e pernas. Os autores relatam um caso de gêmeos com a SRC: o diabetes materno foi diagnosticado no 7º mês antes da gravidez; a paciente já havia tido um aborto com 8 semanas de gestação, 3 meses antes desta gravidez atual. O tratamento com insulina foi iniciado. A Hb. A 1 C mantê-se sempre < 8, 2% durante o início da gravidez. Ultrassom seriado não detectou nenhuma anormalidade. Ao nascimento, o gêmeo 1 apresentava óbvias anormalidades compatíveis com a SRC (veja figura). O peso ao nascer deste RN foi de 1580 g (percentil 3). A mãe: com 28 anos, idade Gestacional de 33 semanas. Rx de tórax revelou ausência do sacro. Ressonância magnética evidenciou que a medula espinhal termina aproximadamente em T 12. O gêmeo 2 foi normal. O seu peso ao nascer foi de 1500 g (percentil 3). A placenta pesou 551 g. As membranas pareceram ser dicoriônicas e diamnióticas. Os fetos eram monozigóticos (teste de DNA).

 • • Gêmeos monozigóticos de mãe diabética (o gêmeo da direita tem a

• • Gêmeos monozigóticos de mãe diabética (o gêmeo da direita tem a síndrome de regressão caudal) Etiologicamente, a SRC é 200 vezes mais prevalentes em pacientes com história materna de diabetes insulino-dependente. Nas pacientes normais, a incidência da SRC ocorre em 0, 2 a 1%. No entanto, a história de diabetes materna ocorre em somente 16% a 22% nos RN com SRC. O mecanismo teratogênico da SRC no RN de mães diabéticas insulinodependentes não está completamente compreendido. Vários fatores, entre os quais, a hiperglicemia, hipóxia, cetonemia e anormalidade nos aminoácidos, a glicosilação de proteínas ou equilíbrio hormonal tem sido relatados como potenciais teratogênicos. Um dos gêmeos idênticos não apresentou a SRC, sugerindo que o ambiente não explica totalmente a ocorrência da SRC. Assim, os fatores genéticos devem ser considerados.

 • • • Aparentemente, o pai diabético não tem efeito no desenvolvimento de

• • • Aparentemente, o pai diabético não tem efeito no desenvolvimento de malformações nos seus filhos. No entanto, a teratogenicidade da hiperglicemia parece aumentar na presença da predisposição genética (estudo experimental em ratos de mães diabéticas). O diabetes materna altera a expressão gênica dos componentes da matriz extracelular no embrião do rato em desenvolvimento. Estas moléculas da matriz extracelular são importantes na morfogênese, assim como modula as interações célula a célula. O efeito genotóxico do diabetes tem sido evidenciado em um modelo transgênico de rato, no qual foi evidenciado maior freqüência de mutação no loci lacl no feto exposto a um ambiente diabético. Em um modelo animal de embriopatia diabética, tem sido evidenciado a associação de defeitos no tubo neural caudal com haploinsuficiência Pax 3. O insulto teratogênico na embriopatia diabética ocorre da 3ª a 7ª semana de gestação no inicio da organogênese. Em ratos, diabetes não controlado produziu malformações lombossacras somente durante o período de diferenciação do órgão. A placenta é uma barreira efetiva à insulina materna e a insulina fetal não é produzida antes da 8ª semana de gestação. Assim, o feto parece ser vulnerável ao insulto hiperglicêmico durante este período. Assim, bom controle diabético no período periconcepcional e durante a gestação, principalmente no 1º trimestre de gravidez é de suma importância na prevenção de malformações congênitas.

Defeitos congênitos específicos em gestações de mulheres com diabetes: National Birth Defects Prevention Study,

Defeitos congênitos específicos em gestações de mulheres com diabetes: National Birth Defects Prevention Study, 1997 -2011. Specific birth defects in pregnancies of women with diabetes: National Birth Defects Prevention Study, 1997 -2011. Tinker SC, Gilboa SM, Moore CA, Waller DK, Simeone RM, Kim SY, Jamieson DJ, Botto LD, Reefhuis J; National Birth Defects Prevention Study. Am J Obstet Gynecol. 2020 Feb; 222(2): 176. e 11. doi: 10. 1016/j. ajog. 2019. 08. 028. Epub 2019 Aug 24. PMID: 31454511 • O diabetes pré-gestacional foi associado a fortes razões de chance estatisticamente significativas (variação, 2, 5 -80, 2) para 46 dos 50 defeitos congênitos considerados. A maior odds ratio foi observado para agenesia sacral (odds ratio ajustado, 80, 2; intervalo de confiança de 95%, 46, 1139, 3). Um risco maior que 10 vezes maior também foi observado para holoprosencefalia (odds ratio ajustado, 13, 1; intervalo de confiança de 95%, 7, 0 -24, 5), deficiência de membro longitudinal (odds ratio ajustado, 10, 1; intervalo de confiança de 95%, 6, 2 -16, 5), heterotaxia (odds ratio ajustada, 12, 3; intervalo de confiança de 95%, 7, 3 -20, 5), truncus arteriosus (odds ratio ajustada, 14, 9; intervalo de confiança de 95%, 7, 6 -29, 3), defeito do septo atrioventricular (odds ratio ajustada, 10, 5; 95% de confiança intervalo, 6, 217, 9) e complexo de ventrículo único (odds ratio ajustada, 14, 7; intervalo de confiança de 95%, 8, 9 -24, 3). Para diabetes gestacional, os odds ratios estatisticamente significativos foram menores (12 de 56) e de menor magnitude (intervalo, 1, 3 -2, 1; 0, 5 para gastrosquise).

Conclusão • O diabetes pré - gestacional está associado a um risco acentuadamente aumentado

Conclusão • O diabetes pré - gestacional está associado a um risco acentuadamente aumentado de muitos defeitos congênitos específicos. • Como o controle glicêmico antes da gravidez está associado a um risco reduzido de defeitos congênitos, o cuidado contínuo de qualidade para pessoas com diabetes é uma oportunidade importante de prevenção.

Portanto. . . • A prevalência de anomalias cardiovasculares para todos os tipos de

Portanto. . . • A prevalência de anomalias cardiovasculares para todos os tipos de malformações em bebês nascidos de mães diabéticas foi de 42, 8% e a incidência de outras doenças, como defeito do septo ventricular, defeito do septo atrial, deslocamento de grandes vasos mediastinais e atresia de válvula foi estimada em 11, 4%. Interessante que 19% não apresentaram nenhum sintoma, enfatizando a importância do acompanhamento desses recém-nascidos. Nos complementos, informações recentes mostram que mais de 50% destas malformações afetam o sistema nervoso central (OR= 1. 55, 95%, IC: 1. 13– 2. 13 - 10 x mais para holoprosencefalia!) e o cardiovascular (OR= 2. 20, 95%, IC: 1. 88– 2. 58) principalmente se diabetes preexistente (200 vezes ais de ocorrência de síndrome de regressão caudal!). O diabetes mellitus gestacional pode constituir uma possível diabetes mellitus tipo 2 apenas diagnosticada durante a gravidez. A hiperglicemia e a causa da dismorfogênese (repercussões nas fases iniciais da cardiogênese). Como o controle glicêmico antes da gravidez está associado a um risco reduzido de defeitos congênitos, o cuidado contínuo de qualidade para pessoas com diabetes é uma oportunidade importante de prevenção Paulo R. Margotto

OBRIGADO!

OBRIGADO!