Estrutura e Dinmica Social EDS Prof Yamila Goldfarb
Estrutura e Dinâmica Social (EDS) Prof. Yamila Goldfarb QS 2020
A emergência da Modernidade: contexto sócio-histórico de gênese da Sociologia
A emergência da modernidade: contexto sócio-histórico de gênese da Sociologia Material da aula: Documentários: Mundo Material, BBC Parte 1 e Revolução Francesa, History Channel HOBSBAWN, Eric. “A revolução industrial” e “A revolução francesa” In: A Era das Revoluções (1789 -1848). 18 a. ed. São Paulo, Paz e Terra, 2004.
• • Nosso curso se desenrola em meio à emergência da modernidade europeia (Ing; Fra; Ale; Hol) Rupturas na esfera religiosa (crenças), na esfera econômica (modo de produção), nas ideias (política) e na cultura (racionalização; distinção)
3 grandes processos decisivos na configuração da Era Moderna Revolução industrial • • • Revolução francesa Reforma protestante
Europa pré-Rev. Industrial • • • Modo de produção feudal e relações feudais de produção Europa fragmentada (feudos) – formação dos Estados Nacionais com a monarquia absolutista (que havia reduzido o papel da Igreja) Estrutura estamental: Clero; Nobreza Feudal; Nobreza de guerra (Cavaleiros); Servos
Alguns eventos-chave que antecedem: Descoberta do Novo Mundo (séc. XV-XVI) • Vitória do Iluminismo, Astronomia, Física, Navegação - desafio aos dogmas católicos • Renascimento (antropocentrismo) • Invenção da imprensa (europa mais crítica)
Alguns eventos-chave que antecedem: – Reforma Protestante (séc. XVI: 1517 - séc. XVII) • Martinho Lutero x Roma (Alemanha – Sacro Império Romano Germânico) - Quebra da unidade do mundo cristão - Lutero critica as indulgências, as simonias e os abusos e desvios morais da igreja.
Lutero vai propor: - Verdade religiosa se encontra apenas na bíblia (portanto não mais no Papa e bispos) - Fé como sinal da salvação (fim das indulgências e simonias) - Eliminação do celibato (o Papa tinha 7 filhos!) - Livre interpretação da bíblia - Tradução da bíblia para as língua locais - Subordinação da Igreja ao Estado ( estabeleceu as bases para a separação entre a Igreja e o Estado, ) - 2 sacramentos: batismo e comunhão
Ganhar dinheiro era sinal de ser predestinado ao paraíso – Calvinismo Lucro privado e desenvolvimento econômico se tornaram objetivo da política governamental 15/02/19
as 95 teses teriam sido fixadas porta da igreja do castelo de Wittenberg
Revolução Industrial (séc. XVIII-XIX) “Os deuses e os reis do passado eram impotentes diante dos homens de negócios e das máquinas à vapor do presente” Transformações nos modos de produção (Tecnologia insuficiente impunha crises de fome e morte) Tear mecanizado; máquina a vapor. “O Trabalhador tinha que aprender a trabalhar de uma maneira adequada à indústria. ”
Transformações nas relações de trabalho. Atividades agrícolas eram dirigidas ao mercado por proprietários rentistas. Proletariado; trabalho de mulheres e crianças = Altos índices de exploração. ludismo
Inglaterra se torna “a” potência econômica e o algodão, incentiva o investimento em indústrias novas. com o carro chefe sendo a produção de têxteis (produtos de consumo de massa) pois o mercado para isso já existia e porque a matéria prima era obtida por meio de “métodos drásticos e lucrativos” = escravidão. . Europa e América são inundadas com “especialistas” ingleses, com a máquina a vapor e maquinário para o processamento e transformação do algodão. Rev. Industrial inverteu a relação com o Oriente. . Grã-Bretanha compra matéria prima da Índia e vendia o tecido. Acabou desindustrializando-se. . Rev. Industrial é a vitória do mercado exportador (mercados coloniais e pós independência)
• • Invenção da locomotiva a vapor (séc. XIX: 1804) Antes do trem, a mineração já utilizava essa tecnologia. Construção da primeira linha férrea (séc. XIX: 1825) Stockton-Darlington, na Inglaterra; logo depois, Manchester-Liverpool. Depois EUA, França, Alemanha, Bélgica e Rússia. 96 km/hora “era o próprio símbolo do triunfo do homem pela tecnologia”
Classe média industrial e comerciante enriquecia em meio a uma população faminta. Buscavam formas de investir
Revolução Francesa (séc. XVIII: 1789) “A Franc a forneceu o vocabula rio e os temas da poli tica liberal e radical-democra tica para a maior parte do mundo. A Franc a deu o primeiro grande exemplo, o conceito e o vocabula rio do nacionalismo. A Franc a forneceu os co digos legais, o modelo de organizac a o te cnica e cienti fica e o sistema me trico de medidas para a maioria dos pai ses. A ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civilizac o es que tinham ate enta o resistido às ideias europeias inicialmente atrave s da influe ncia francesa. Esta foi a obra da Revoluc a o Francesa” (p. 38)
“Revoluc a o Francesa foi a u nica ecume nica. Seus exe rcitos partiram para revolucionar o mundo; suas ideias de fato o revolucionaram. A revoluc a o americana foi um acontecimento crucial na histo ria americana, mas (exceto nos pai ses diretamente envolvidos nela ou por ela) deixou poucos trac os relevantes em outras partes. A Revoluc a o Francesa e um marco em todos os pai ses. Suas repercusso es, ao contra rio daquelas da revoluc a o americana, ocasionaram os levantes que levaram a libertac a o da Ame rica Latina depois de 1808. ” (p. 39)
• Fim do direito divino de governar; democracia (criação do estado laico; voto censitário) • Liberdade, Igualdade Universais (e Fraternidade) (rompe com os estamentos; vai acabar com os títulos de nobreza; burguesia tinha dinheiro mas não tinham direitos) • Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (divide nos três poderes - Montesquieu; liberdades individuais; direito à propriedade privada; ir e vir; resistir à tirania)
Monarquia constitucional - fim do absolutismo 1792 - Proclamação da República (Girondinos - alta burguesia)
Emergência da Sociologia
• • Sociologia: estudo científico da vida humana em sociedade, desde o encontro entre indivíduos nas ruas chegando até a investigação de relações internacionais e das formas globais de ação individual e coletiva (micro; meso e macro) Entender as maneiras sutis, porém complexas e profundas, pelas quais nossas vidas individuais refletem os contextos de nossa experiência social (biografia e história)
Busca de um diagnóstico científico (sociológico) dos tempos modernos, do nosso tempo Identificação dos males; caracterização; funcionamento (diagnóstico) Quem somos nós? Qual a nossa identidade? Quem são os outros? (do nosso tempo)
• • • Êxodo rural (industrialização do campo), surgimento das metrópoles e difusão do uso do dinheiro Novos estilos de vida, emergência da moda, aceleração da velocidade da vida Consciência epocal do indivíduo moderno – o nosso tempo é uma nova Era
• A base do surgimento da sociologia está nas mudanças avassaladoras trazidas pela dupla Revolução, Francesa e Industrial no séc. XVIII, atuando sobre o cenário forjado pela Reforma Protestante
• • Percepção moderna de que o tempo é também uma construção social e histórica, pode ser contínuo ou descontínuo. A história depende de quem a conta; não é dada pela mão de Deus, mas sim pela mão dos Homens. Na época moderna coexistem histórias e culturas muito diferentes e descontínuas. – Intensifica-se o uso de conceitos como progresso; avanço; evolução
• Na modernidade o tempo presente passa a ser muito mais instável, mais complexo, um tempo de constante transição. • Desprendimento relativamente maior com relação às tradições – Tradição = passado = negativo (religião, velhos costumes) – Progresso = futuro = positivo (ciência, novidades)
Séc. XIX com a aceleração da velocidade da vida e do ritmo das invenções e transformações sociais. . . . o passado torna-se o mais recente possível e o presente torna-se o imediato. . . portanto, o moderno torna-se o imediato, aquilo que é efêmero, que é fugidio
Séc. XIX – época de esperanças sem precedentes e ansiedades desconhecidas – modificações na própria natureza das mudanças – É na cidade grande que se observa o ambiente mais propício para o surgimento inicial do individualismo. A cidade grande comporta os diversos conflitos de interesse – crescimento dos subúrbios – surgimento de novas formas de segregação e discriminação – emergência da questão social (público|privado)
Séc. XIX – forte influência das teorias evolucionistas – tudo evolui do mais simples para o mais complexo; do indiferenciado para o diferenciado – todos os fenômenos naturais são decorrentes de causas naturais (e não divinas ou metafísicas) – evolução = progresso – • a ordem é uma condição necessária da vida social para que haja progresso. • “Ordem e Progresso” Herbert Spencer: darwinismo social; os pobres seriam os menos adaptados e ajudá-los seria ir contra a seleção natural (Sucesso nos EUA: legitima o mito americano do self made man )
Séc. XX - - 1ª Guerra – guerra de trincheiras e de baionetas, resquícios históricos 2ª Guerra – avanços tecnológicos sem precedentes mudam o modo de se fazer guerra - Bomba atômica – consequências imprevistas dos avanços tecnológicos da modernidade - Humanidade atinge a capacidade de autodestruição pela primeira vez na história
Séc. XX - Holocausto - Racionalização máxima da civilização moderna aplicada à realização do mais alto grau de barbárie - Racismo ideológico e científico - Rotinização burocrática do mal – banalidade do mal – Desumanização (H. Arednt) - Nazismo, campos de extermínio como paradigma da “racionalidade irracional” moderna
- Modernidade mostra seu lado obscuro, assustador e fora do controle dos Homens - novos problemas; novos desafios à Sociologia também
Tese da aula: o moderno é o tema por excelência da sociologia
• O que é estrutura social? – ● os contextos sociais de nossas vidas não são variedades aleatórias de fatos ou atos; eles são estruturados, persistentes, padronizados de diferentes maneiras. Contexto: inter-relação de circunstâncias que acompanham um fato ou uma situação. – Existem regularidades na maneira como agimos e nas relações que temos uns com os outros – As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação, que é o resultado histórico das relações sociais. Mas por que são estruturadas como são?
• O que é dinâmica social? – • Como e por que as sociedades mudam (ou não). O que é teoria social? – precisamos de teorias para conferir sentido aos fatos que observamos na sociedade – teorias podem responder a questões de natureza filosófica ou empírica – a teoria nos ajuda a saber o que procurar, por onde começar a estudar nosso objeto – a teoria nos ajuda a interpretar os resultados finais da
• O trabalho sociológico depende da imaginação sociológica. – exige que nos afastemos, em nosso pensamento, das rotinas cotidianas para enxergá-las como algo novo – ex. tomar um cafézinho: • • • valor simbólico como parte coadjuvante de outras atividades sociais cotidianas os Cafés como espaços de fofoca, intriga e debate, esfera pública em formação a partir do séc. XVIII um droga estimulante socialmente aceitável, ligada à produtividade geopolítica do café conecta e separa ricos e pobres, sistemas econômicos e culturais, sobretudo a partir do XIX politização do consumo de café (comércio justo, etc) e sua relação com estilos de vida (mov. consumo consciente; fitness)
• Imaginação sociológica consiste basicamente em: – ver que muitos fatos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo na verdade refletem questões sociais mais amplas – Ex: casamento, divórcio, suicídio, desemprego, linguagem, profissão, riqueza, gênero, raça, religião, etc. – todas as ocasiões de interação social e encenação de rituais sociais são tema de interesse da sociologia
Instrumental analítico: MÉTODO CONCEITOS CATEGORIAS TIPOS Escala de Análise: MICRO MESO MACRO
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