ECONOMIA Prof Cristiane Gebran paginapessoal utfpr edu brcristianegebran
ECONOMIA Prof Cristiane Gebran paginapessoal. utfpr. edu. br/cristianegebran/ E-mail: cristianegebran@utfpr. edu. br 1 S-2014 1
Plano de Aula Introdução à Macroeconomia e Microeconomia. Economia de Mercado. Liberalismo Econômico. Neoliberalismo. Estado do Bem-Estar (Welfare State) Economias Socialistas. Introdução à Microeconomia. Curvas de Oferta e Demanda e Equilíbrio de Mercado. Elasticidade-preço da Demanda. Elasticidade-Renda. Bens Substitutos e bens complementares. Elasticidade Cruzada. Teoria da Produção. Custos de Produção. Taxonomia das Estruturas de Mercados Competitivos, Concorrência Monopolística, Oligopólio e Oligopsônio, Monopólio e Monopsônio. Estratégia: conceitos básicos. Estruturas de Mercado e Formação de Preços. Introdução à Macroeconomia. Mensuração do PIB e da Renda Nacional. Crescimento Econômico no Curto e no Longo Prazos. Determinação do PIB. Componentes do PIB. Poupança e Investimento. Moeda e Sistema Financeiro. O papel do Banco Central, Inflação. Curvas de Oferta e Demanda Agregadas. Mercado de Capitais. O papel das políticas econômicas. Política Fiscal. Política Monetária. Mecanismos do comércio internacional. Taxa de câmbio. A influência da taxa de câmbio na atividade econômica. Balança de pagamentos. Política cambial e o papel das reservas.
Avaliação O aluno será avaliado por meio das seguintes atividades e seus respectivos pesos: (i) Avaliação Parcial 1: 45% - 26/mai/14 (ii) Avaliação Parcial 2: 45% - 18/ago/14 (iii) APS 1: 5% - Estruturas de mercado - 26/mai/14 (iv) APS 2: 5% - Políticas Econômicas - artigo - 11/ago/14 Para ser aprovado o aluno precisa atingir nota final 6 e 75% de freqüência. As provas bimestrais serão sem consulta. O aluno com Média Parcial inferior a 4, 0 (quatro) e/ou com freqüência inferior a 75% (setenta e cinco por cento), será considerado reprovado na disciplina. O aluno com Média Parcial igual ou superior a 4, 0 (quatro) e menor que 6, 0 (seis), com freqüência igual ou superior a 75% (setenta e cinco por cento) e que não tenha sido aprovado por média terá direito a prestar Prova Final. O aluno deverá tirar na Prova Final nota maior e igual a 6, 0 (seis) para esta substituir a menor nota das provas. A Prova Final cobrirá a matéria de todo o semestre e será sem consulta. Não será aplicada prova de 2ª chamada das avaliações parciais. A entrega das APS fora da data prevista implicará em penalidade na nota da mesma.
Bibliografia Básica - MANKIW, N. GREGORY. Introdução à economia. São Paulo : Pioneira Thomson Learning, 2005. - EQUIPE DE PROFESSORES DA USP. Manual de Economia. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. - GREMAUD, P. G. , ET all. Introdução a economia. São Paulo, Atlas, 2007 Bibliografia Complementar - BLANCHARD, O. Macroeconomia: Teoria e Política Econômica. 4 ed. São Paulo: Prentice Hall Brasil: 2006. - DORNBUSCH, R. & FISHER, S. Macroeconomia. 5 ed. São Paulo: Makron Books, 1999. - KRUGMAN, P & OBSTIFELD, M. Economia Internacional. 6 ed. São Paulo: Addison Wesley Brasil, 2005. - KUPFER, DAVID, ORG. HASENCLEVER, LIA, org. Economia industrial : fundamentos teóricos e práticas no Brasil. Rio de Janeiro, RJ : Campus, 2002. - PORTER, MICHAEL E. A vantagem competitiva das nações / Michael E. Porter ; 7. ed. Rio de Janeiro : Campus, 1989. - PINDYCK, R. & RUBINFELD, D. Microeconomia. 6 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2005.
O que é Economia? Economia é a ciência da escolha , quando os recursos são escassos, ou seja, insuficientes para satisfazer necessidades e desejos ilimitados indivíduos. Estudar Economia é estudar o processo de tomada de decisão em um ambiente de escassez. Assim, o economista analisa o comportamento individual ou coletivo, partindo da hipótese de que os indivíduos cotidianamente possuem objetivos atingíveis e tendem a escolher a melhor forma para alcançá-los. Essencialmente, é essa a racionalidade econômica.
A Ciência Econômica Qual seu objeto de estudo? • O objeto de estudo da economia é o estudo da escassez e que ela se classifica entre as Ciências Sociais. A lei da escassez aborda a produção de um máximo de bens e serviços a partir dos recursos escassos disponíveis a cada sociedade; • A economia estuda a produção, a circulação e o consumo dos bens e serviços que são utilizados para satisfazer as necessidades humanas; • A economia estuda como a sociedade utiliza os recursos escassos entre as pessoas e grupos, visando satisfazer as necessidades humanas; Restrição de recursos gera escassez dos bens materiais e imateriais; A escassez de um bem está associada a demanda por este bem, se não houver demanda não há escassez; escassez = f(demanda do bem x) A demanda de um bem é uma função da sua utilidade, que é a capacidade que o bem tem de satisfazer as necessidades pessoais; demanda = f(utilidade)
TEORIA ECONÔMICA Divisão de níveis de estudo: Microeconomia lida com a análise do comportamento de agentes econômicos individuais – consumidores, trabalhadores, investidores, firmas etc. e de como interagem nos mercados Macroeconomia : foco de análise sobre o funcionamento da economia como um todo (agregados econômicos), inclusive inflação, desemprego e crescimento econômico.
TEORIA ECONÔMICA Microeconomia - Teoria do Consumidor: a microeconomia enaltece a intenção dos indivíduos, em face das respectivas rendas, de se apropriarem de uma combinação de quantidades de bens tal que lhes propicie a maximização de suas satisfações. Em outras palavras, originam-se aí as procuras (individuais e de mercado) que se traduzirão em rendimentos para as firmas; - Teoria da Firma: tem-se a figura do indivíduo-empresário esforçando-se para combinar os fatores de produção, dada a sua limitação orçamentária, com a intenção de maximizar o nível de lucro de sua organização. Colocado de outra maneira, obtêm-se a partir da análise desse procedimento os elementos necessários à derivação das ofertas individuais e de mercado.
TEORIA ECONÔMICA Macroeconomia - Mercado monetário: as trocas são realizadas sempre utilizando um elemento comum, a moeda. É intuitivo perceber que, se as trocas utilizam sempre a moeda, ela deve ter alguma importância na determinação dos preços e das quantidades produzidas; - Mercado de títulos: Em qualquer economia existe uma série de títulos que fazem essa função (títulos do governo, ações, duplicatas). Entretanto, a Macroeconomia, mais uma vez, agrega todos esses títulos e define um título (tradicionalmente é representado por algum título do governo) e nesse mercado se procura determinar o preço e a quantidade de títulos;
QUESTÕES BÁSICAS RELACIONADAS À ECONOMIA Problemas econômicos: Recursos Escassos Necessidades Ilimitadas Tríade de problemas econômicos - O QUE e QUANTO PRODUZIR? - COMO produzir? - PARA QUEM produzir? Possibilidade de produção: combinação de alternativas e/ou serviços que podem ser produzidos, em dado período de tempo, com o uso eficiente dos recursos e tecnologias disponíveis.
Tríade de problemas econômicos - O QUE e QUANTO PRODUZIR? Isto significa quais os produtos deverão ser produzidos e em que quantidades deverão ser colocados à disposição dos consumidores; deve-se partir das possibilidades econômicas, sendo necessário que as diferentes combinações se localizem sobre a curva de possibilidades de produção. “Uma economia em pleno emprego precisa sempre, ao produzir um bem, desistir de produzir um tanto de outro bem”; Os pontos A, B e C representam combinações alternativas de X e Y em que todos os recursos produtivos estão sendo utilizados (pleno emprego dos fatores de produção). No ponto D a sociedade não está ocupando totalmente seus recursos. O ponto E não pode ser atingido com os recursos atualmente disponíveis, isso ocorrerá com o aumento dos recursos ou progresso tecnológico;
Tríade de problemas econômicos - COMO produzir? Quem serão os produtores dos bens e serviços produzidos, com que recursos e de que maneira ou processo técnico; depende do nível tecnológico e quais serão os bens e serviços produzidos, com que recursos e de que maneira ou processo técnico; - PARA QUEM produzir? Para quem se destinará a produção; a eficiência distributiva deverá ser utilizada para maximizar o bem estar social e individual;
Evolução do pensamento econômico • Mercantilismo (início do século XVI até o final do século XVIII): a riqueza de uma nação se media pelo volume de “tesouro” (ouro e prata) que ela possuía; a riqueza de cada nação dependia de se garantir uma “balança comercial” favorável; conjunto de ideias protecionistas; a riqueza era o principal fim do Estado; houve em decorrência do crescimento do capitalismo comercial; • Fisiocratas (século XVIII): combatiam as ideais mercantilistas e formularam uma Teoria do Liberalismo Econômico – criticavam o intervencionismo estatal mercantilista; a riqueza vem da terra; a nação não pode se desenvolver apenas com o acúmulo de metais preciosos, mas era necessário o investimento em produção, no caso a produção agrícola – única capaz de geração e ampliação de excedentes; o sistema econômico é regido por uma ordem natural; • Escola Clássica: economia de livre mercado – livre concorrência; “homem econômico racional”; especialização do trabalho e valor dos bens; abordagem teórica do valor, cuja única fonte original era identificada no trabalho em geral; a riqueza das nações estava pautada no trabalho, sendo elevada com o aumento da produtividade, a extensão da especialização do trabalho e acumulação do produto sob a forma de capital; princípios do individualismo e liberalismo;
Evolução do pensamento econômico • Marxismo: o capitalismo era uma etapa historicamente necessária no progresso econômico, substituindo considerados atrasados como o feudalismo e o mercantilismo; capitalismo seria apenas uma etapa de transição e um sistema imperfeito cujas falhas levariam inevitavelmente à sua queda e substituição; análise centrada na divisão da sociedade entre a “burguesia” e o “proletariado”; o trabalhador deve produzir um valor maior do que ele recebe em salários, assim os capitalistas extraem a mais-valia – o lucro; • Neoclássicos: (de 1870 até 1929): a crise financeira atingiu os países colocando em suspense os pressupostos da escola clássica; abordagem matemática para a construção de um sistema de equilíbrio geral, com independência dos preços, da micro e da macroeconomia; buscou-se a compreensão do comportamento humano na organização econômica, embora ciente de que nem todas as variáveis poderiam ser medidas; • Pensamento Keynesiano: sistema capitalista instável, não produz harmonia no mercado; em momentos de crise a intervenção do Estado pode gerar demanda, mediante os investimentos, com vistas a garantir níveis elevados de emprego; pensamento de Keynes oposto aos postulados Clássicos e Neoclássicos; para a sobrevivência do capitalismo era necessário uma ação efetiva do Estado na regulação das crises do capital;
Princípios de economia - Como as pessoas tomam decisões: #1 As pessoas enfrentam tradeoffs Tradeoff é uma situação de escolha, de conflito. “Para obter uma coisa que desejamos, em geral temos que abrir mão de outra coisa da qual gostamos. Tomar decisões exige comparar um objetivo com outro. Quando as pessoas estão agrupadas em sociedade, elas se deparam com diferentes tipos de tradeoff”. Exemplo: eficiência e equidade. #2 O Custo de alguma coisa é do que você desiste para obtê-la A tomada de decisão exige comparar os custos e benefícios das várias hipóteses de ações. No entanto em algumas situações não é tão simples identificar tais custos. “O custo de oportunidade de um item é aquilo que se abre mão para obter aquele item”. #3 As pessoas racionais pensam na margem Alterações marginais são pequenos ajustes aos planos que estão sendo realizados. “Um tomador de decisões racional empreende uma ação se e somente se o benefício marginal de tal ação exceder seu custo marginal”
Princípios de economia - Como as pessoas tomam decisões: #4 As pessoas reagem a incentivos As decisões são tomadas comparando custos e benefícios e o comportamento pode ser alterado quando os custos ou os benefícios se alteram. “Ao analisar qualquer política é preciso considerar não só os impactos diretos, mas também as consequências indiretas que decorrem da aplicação de incentivos. Se a política alterar os incentivos, ela provocará uma alteração no comportamento das pessoas”. - Como as pessoas interagem: #5 O comércio pode melhorar a situação de todos “O comércio entre dois países pode beneficiar a ambos”. Também funciona para a concorrência entre empresas, pois a concorrência promove a especialização, qualidade e diversificação dos produtos, além preços mais baixos. A concorrência permite o aprimoramento da especialização.
Princípios de economia - Como as pessoas interagem: #6 Os mercados são, em geral, uma boa forma de organizar a atividade econômica “ Em uma economia de mercado as decisões do planejador central são substituídas pelas decisões de milhões de famílias e empresas. As empresas decidem quem contratar e o que produzir. As famílias decidem em que empresa trabalhar e o que comprar com seus rendimentos. Essas empresas e famílias interagem no mercado, no qual o preço e o interesse próprio orientam as decisões”. #7 Os governos podem às vezes melhorar os resultados do mercado Existem duas razões de modo geral para que o governo intervenha na economia: a promoção da eficiência e equidade. As falhas de mercado são as situações em que o mercado por si só não consegue alocar os recursos de forma eficiente. Exemplos: externalidades e o poder de mercado.
Princípios de economia - Como a economia funciona: #8 O padrão de vida de um país depende da sua capacidade em produzir bens e serviços “Quase toda a variação nos padrões de vida pode ser atribuída a diferenças na produtividade – isto é, a quantidade de bens e serviços produzida em uma hora de trabalho. Nos países onde os trabalhadores podem produzir grande quantidade de bens e serviços por unidade de tempo, a maior parte das pessoas tem um alto padrão de vida; nos países onde os trabalhadores são menos produtivos, a maior parte das pessoas vive com menor conforto”. #9 Os preços sobem quando o governo emite moeda demais Muitos casos de inflação alta e persistente foram associados ao rápido crescimento da quantidade de moeda.
Princípios de economia - Como a economia funciona: #10 A sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego A Curva de Philips está associada ao tradeoff entre inflação e desemprego. O combate a inflação quase sempre está associado a um aumento temporário no desemprego. Exemplo: governo reduz a quantidade de moeda – as pessoas gastam menos – os preços no curto prazo ainda estão altos – redução da quantidade de bens e serviços que as empresas vendem – vendas menores levam a demissão de trabalhadores. Assim, o combate a inflação pode ocasionar um aumento temporário do desemprego até que os preços se ajustem completamente à mudança.
Economia de mercado - Economia de mercado: livre iniciativa e sem intervenção do governo. O Estado participa da vida econômica com atividades regulatórias, quando o mercado não é capaz de solucionar seus conflitos; o papel do governo é pouco expressivo; - Sistema de preços no livre mercado: na economia privada de livre iniciativa nenhum agente econômico (indivíduo ou empresa) se preocupa em desempenhar o papel de gerenciar o bom funcionamento do sistema de preços. Cada agente se preocupa isoladamente com seu próprio negócio; todos correm riscos no sistema e se apoiam em probabilidades de ocorrência dos fenômenos, sendo que o lucro pode ser o prêmio pelo risco assumido; - Adam Smith (1723 -1790) abordou que o homem, com sua liberdade, rivalidade e desejo de ganhar, é “guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção” – ele age de modo involuntário em nome do interesse maior da sociedade; - Na visão de Smith os governos não deveriam interferir no comércio, sendo seu papel importante o de promover a defesa, a justiça e certos “bens públicos” que os mercados privados dificilmente forneceriam, como estradas;
Economia de mercado - Para Smith a “mão invisível” do mercado se auto regula, não há necessidade de fixação dos preços; a inflação é corrigida pelo reequilíbrio entre oferta e procura; glorificação do mercado; - Organização do sistema: no sistema de concorrência de mercados, por mais imperfeitamente que ele possa funcionar, não é um sistema caótico ou anárquico, existe ordem e coordenação; - Determinação dos preços: o desejo das pessoas determinará a magnitude da demanda, e a produção das empresas determinará a magnitude da oferta. O equilíbrio entre a demanda e a oferta será sempre atingido pela flutuação do preço; Smith descreveu como seu sistema de “liberdade perfeita” teria resultados positivos. Primeiro, fornece os bens que o povo quer. Se a demanda de um produto superar a oferta, os consumidores vão competir entre si para oferecer um preço mais alto. Isso cria uma oportunidade de lucro para os produtores, que competem entre si para fornecer mais do produto; - Problemas econômicos: o que e como produzir? , como produzir? E para quem produzir? – podem ser resolvidos pela concorrência dos mercados e pelo mecanismo dos preços. O consumidor tentará maximizar utilidade e o produtor, o lucro;
Economia de mercado - O sistema de preços gera “preços justos”. Todos os bens têm um preço natural, que reflete apenas o esforço para fazê-lo. Os preços e margens de lucro do mercado podem diferir de seus níveis naturais em certo períodos, como na escassez. Nesse caso, as oportunidades de ganho surgirão e os preços aumentarão, mas só até a concorrência trazer novas empresas ao mercado e os preços caírem ao seu nível natural; - Smith estabeleceu uma relação entre preço de mercado e natural. O preço de mercado era o verdadeiro preço da mercadoria e era determinado pelas forças da oferta e procura. O preço natural era o preço ao qual a receita da venda fosse apenas suficiente para dar lucro, era o preço de equilíbrio determinado pelos custos de produção, mas estabelecido no mercado pelas forças da oferta e da procura; - No longo prazo, diz Smith, os preços de “mercado” e os “naturais” serão os mesmos – os economistas modernos chamam a isso equilíbrio; - O pré-requisito para qualquer mercadoria ter valor era que ela fosse produto do trabalho humano (Teoria do Valor-Trabalho). O valor do produto era a composição do salário, os lucros e os aluguéis;
Economia de mercado - As economias de mercado geram rendimentos justos que podem ser gastos em bens, num “fluxo circular” sustentável, em que o dinheiro pago em salários volta para a economia quando o trabalhador paga pelos bens e será devolvido em salários, repetindo o processo. - O capital investido em instalações de produção ajuda a aumentar a produtividade da mão de obra, o que implica os empregadores poderem arcar com salários mais altos. E, se puderem pagar mais, eles pagarão, porque tem que competir entre si pelos trabalhadores; - A concepção de Smith da interdependência entre terra, mão de obra e capital foi um avanço real. Ele observou que os trabalhadores e os proprietários tendiam a consumir sua renda, e os empregadores eram mais econômicos, investindo sua poupança no estoque de capital; - Smith afirmou que a própria mão invisível estimula o crescimento econômico. A fonte de crescimento tem dois lados. Um é a eficiência obtida pela divisão do trabalho, sendo que como se produzem e consomem mais bens, a economia e os mercados crescem. Com a expansão dos mercados vêm oportunidades para a especialização do trabalho;
Economia de mercado - A segunda força de crescimento é a acumulação de capital, movida pela poupança e pela oportunidade de lucro. O crescimento pode ser reduzido por fracassos comerciais, falta de recursos necessários para estabilizar o estoque de capital, um sistema monetário inadequado e uma proporção alta de trabalhadores improdutivos; - Smith olhou para a classe dos trabalhadores, distinguindo empreendedores, como agricultores e donos de fábricas, dos fornecedores de mão de obra. Em essência, ele criou os parâmetros da economia “clássica”, que enfoca os fatores de produção – capital, mão de obra e terra – e seus rendimentos. Depois, a teoria do livre mercado assumiu outra forma, “neoclássica”, com a teoria geral do equilíbrio, que procurou mostrar como os preços de uma economia inteira atingiriam um estado de equilíbrio estável; - A nova macroeconomia clássica usa a hipótese de Smith de que os mercados sempre se ajeitam e adiciona o ponto de que, como as pessoas notam os efeitos futuros das ações do governo e entendem o mecanismo do sistema econômico, a intervenção do Estado não funciona. Mesmo assim, a maioria dos economistas acredita hoje que o mercado pode falhar.
Economia de mercado - Economistas comportamentais têm questionado a ideia de racionalidade e consideram a irracionalidade do ser humano uma razão para que os mercados falhem. - Tomada de decisão: Como indivíduos somos egoístas Procuramos melhorar nosso bemestar pessoal consumindo bens e serviços e atingindo metas Tomamos decisões coletando informações e calculando que ações nos ajudarão a atingir as metas sem custar tanto O homem é um calculista frio e racional
Economia de mercado Todo indivíduo age em interesse próprio Isso pode levar a uma mistura caótica de produtos e preços, mas. . . outras pessoas interesseiras fazem a competição – elas tiram proveito da ganância alheia Se um vendedor cobra caro demais. . . outro vai reduzir o seu preço, e o primeiro vendedor não venderá seus produtos. Se um empregador paga salários baixos demais. . . outro vai pegar os empregados dele, e sua empresa falirá. As empresas vão à falência se não pagarem os salários de mercado e não fizerem os produtos que o mercado exige, pelo preço que as pessoas se dispõem a pagar. A mão invisível do mercado impõe ordem.
Exemplo: fluxo circular da renda Mercado de Fatores Indivíduos Empresas Mercado de produtos Fluxo Monetário Fluxo de bens e serviços
Economia de mercado - Preços e quantidade de equilíbrio: os consumidores estabelecem os preços máximos que estão dispostos a pagar (maximização da utilidade); os produtores definem os preços mínimos que estão dispostos a receber por cada quantidade ofertada, diante da restrição dos custos incorridos e seu objetivo de maximizar lucros.
Economia de mercado. Walras (Equilíbrio Econômico) A escassez de oferta em uma área da economia cria excedentes de oferta em outro lugar Onde há escassez, os preços sobem. Onde há excedentes, os preços caem. Quando o preço sobe, a procura cai e a oferta cresce, eliminando a escassez Quando os preços caem, a procura cresce e a oferta cai, eliminando excedentes As economias como um todo tendem ao equilíbrio, desde que tenham liberdade para tanto Um sistema de livre mercado é estável
Economia de mercado - Falhas do funcionamento da economia: as falhas de mercado geram imperfeições no seu funcionamento: eficiente alocação dos recursos escassos, distribuição justa da renda, estabilidade dos preços e crescimento econômico; - Falhas de mercado: imperfeiçoes na concorrência dos mercados (poder de mercado) e externalidades;
Economia de mercado Debreu (Mercados e Resultados Sociais) Os preços de mercado refletem a procura e a oferta de cada mercadoria Na teoria, os preços refletem completamente as preferências dos consumidores e os limites dos recursos numa economia Mas isso só acontece quando se fazem suposições que raramente ocorrem no mundo real Isso significa que os mercados levam a um resultado econômico “eficiente” Teorias de eficiência do mercado exigem muitas suposições
Liberalismo econômico - Queremos manter uma sociedade livre! - Principal pensador: Hayek (1899 -1992) “Quanto mais o Estado “planeja”, mais difícil se torna o planejamento para o indivíduo” (Hayek). - A escola austríaca era defensora do livre mercado, mas crítica da corrente dominante voltada para fórmulas matemáticas e suposições amplas sem evidências empíricas; - Os textos da escola austríaca abordavam um conjunto de princípios coerentes, bem argumentados, que consideravam estar na tradição do liberalismo clássico: apoio aos mercados livres, apoio à propriedade privada e profundo ceticismo com a capacidade dos governos de moldar a sociedade; - Para Hayek todas as tentativas de impor qualquer planejamento obrigatoriamente contra a “ordem espontânea” do mercado, ele só pode ocorrer com certo grau de força ou coerção. Quanto mais esse governo faz planos e os imponha, mais coerção é necessária;
Liberalismo econômico - Em oposição ao socialismo argumentaram que não há meios racionais de precificação dos produtos, pois depende de um planejador ou comitê central para realizar as decisões de distribuição, que num mercado livre são executadas por centenas de milhares de pessoas. A quantidade de informação necessária para avaliar a escassez e o excedente de um mercado e fixar os preços corretamente é tão grande que a tentativa está fadada ao fracasso. - O Socialismo é a “abolição da economia racional”. Só um mercado livre, com propriedade privada, pode propiciar a base das decisões de preço descentralizadas que uma economia complexa exige; - Escola austríaca: determinaram que pelo fatos das pessoas e empresas serem mal informadas e a sociedade imperfeita, o mecanismo de mercado é a melhor maneira de distribuir os produtos. Essa visão tornou-se um preceito importante da Escola Austríaca; - Em situação de ignorância permanente, o mercado é o melhor meio existente não para dar informação, mas para adquiri-la. Cada indivíduo e cada empresa sabem melhor de sua situação: têm produtos e serviços que as pessoas querem, podem planejar para o futuro e veem os preços que são relevantes para elas;
Liberalismo econômico - A informação é específica e dispersa entre todos na sociedade. Os preços se movem em reação às ações de indivíduos e empresas e portanto refletem a quantidade total de informação disponível para toda a sociedade; - Para Hayek a “ordem espontânea” é a melhor forma de organizar a complexa economia moderna, já que o conhecimento sobre a sociedade nunca é perfeito. As tentativas de impor restrições coletivas a essa ordem representam um retorno às ordens instintivas, primitivas, da sociedade – e o mercado livre deve ser defendido contra isso; - A propriedade privada e os contratos são sagrados, e a sociedade livre deve seguir regras que se apliquem a todos – ao próprio Estado inclusive. Além disso, se necessário, o Estado pode agir contra essas forças coletivistas que ameaçam solapar o primado da lei;
Estado do Bem-Estar - A economia social de mercado: não só uma “economia mista”, em que o governo prevê o mínimo dos bens públicos necessários, mas uma via intermediária entre o capitalismo de livre mercado e o socialismo, a fim de obter o melhor dos dois; esteve em seu ápice entre 1930 e 1950; - A indústria continuou privada e tinha liberdade de concorrência, mas o governo propiciava vários bens e serviços públicos, como seguridade social com assistência de saúde universal, pensões, auxílio desemprego e medidas que baniam monopólios e cartéis (acordo entre empresas). Em tese, isso permitiria o crescimento econômico de mercados livres, mas ao mesmo tempo produziria inflação baixa, baixo desemprego e uma distribuição de renda mais igualitária; - A mistura de mercados livres com elementos do socialismo funcionou espantosamente bem. A Alemanha viveu seu “milagre econômico” nos anos 1950 que a transformou de uma nação destruída pela guerra em uma nação desenvolvida. Economias sociais de mercado evoluíram em outros lugares; - Quando a Europa iniciou a união econômica, a economia social de mercado foi levada a modelo para a Comunidade Econômica Européia nos anos 1950;
Estado do Bem-Estar - Muitos países europeus prosperaram sob alguma forma de economia social de mercado, mas, nos anos 1980, alguns – especialmente a Grã-Bretanha – foram atraídos pelas ideais de Milton Friedman, que defendia um governo menor; - As ideais monetaristas de Milton Friedman contra a intervenção do governo são adotadas por EUA e Reino Unido; - A primeira-ministra britânica Margaret Thatcher criticou o modelo europeu por sua intervenção estatal e impostos altos, que, para ela, impediam a concorrência; - Na China, por exemplo, foram adotados elementos da economia de livre mercado na economia centralizada, no que ele chamou de “economia de mercado socialista com características chinesas”. Seu objetivo era estimular o crescimento econômico e se tornar competitivo no mercado mundial. Hoje a economia da China ainda está bem distante do modelo social de mercado europeu, mas deu passos significativos na direção de uma economia mista;
Estado do Bem-Estar - O dito modelo nórdico caracteriza-se por sistemas de bemestar social generosos e compromisso com uma justa distribuição de riqueza, obtida com impostos e gastos públicos altos. Esses países têm usufruído de alto padrão de vida e forte crescimento econômico, auxiliados por uma população pequena e indústria forte; - Hoje existe uma pressão para reduzir o papel do Estado para manter sua competitividade internacional. Contudo, a mudança é gradual: os governos sabem que a desregulamentação na Islândia, nos anos 1990, levou a crescimento econômico seguido de crise financeira;
Estado do Bem-Estar Uma economia de livre mercado. . . Uma economia socialista . . . estimula o crescimento econômico e o desenvolvimento. Garante distribuição de renda mais igualitária da riqueza Também pode ser instável, sofrer falhas de mercado e produzir monopólios Reduz os efeitos dos monopólios e das falhas de mercado e estabiliza a economia Isso pode levar a desigualdade Mas pode refrear o crescimento econômico e o desenvolvimento A economia social de mercado procura tornar os mercados justos, criando uma via intermediária
Economias socialistas - Para Karl Marx a economia socialista requer que o Estado possua os meios de produção (como fábricas). Concorrência é desperdício. Marx propôs que a sociedade funcionasse como uma fábrica enorme e acreditava que o capitalismo invitavelmente causaria a revolução; - A Revolução Russa de 1917 deu um exemplo da tomada socialista da economia, e as potências derrotadas na guerra – Alemanha, Áustria e Hungria viram os partidos socialistas tomarem o poder; - Os economistas do livre mercado eram incapazes de apresentar contra-argumentos teóricos ao socialismo. Mas então, em 1920, o austríaco Von Mises levantou uma objeção fundamental ao dizer que o planejamento no socialismo era impossível; - Como as economias planificadas não têm informações básicas sobre a procura, o comitê de planejamento central tem de adivinhar o tipo e o nível de procura de cada artigo. Suas ideias sobre o que o povo quer ou necessita tendem a não ter precisão;
Economias socialistas - Em parte da sua existência a União Soviética usou uma forma de socialismo de mercado. De início pareceu ir bem, mas o sistema econômico sofria de problemas persistentes. Houve tentativas periódicas de reforma, mudando as metas de produção para vendas e tentando dar mais discrição às empreas estatais. Houve desperdício considerável, e a produção ficou bem aquém das metas. Quando o sistema ruiu, a preocupação da Escola Austríaca com incentivos e informação parecia justificada; - Após a segunda guerra as economias de planejamento central da Europa Oriental enfrentaram problemas cada vez mais óbvios. Conseguiram mobilizar recursos em ampla escala para tarefas bem definidas, como produção de armamentos, mas tinham dificuldade em questões mais complexas. A escassez era constante, pois produtos e serviços – ao contrário do planejado – não eram entregues na hora, na quantidade necessária ou com qualidade adequada; o hiato entre Oriente e Ocidente se ampliou; - Ineficiências de uma restrição orçamentária fraca se somaram à grave fraqueza das economias planificadas. O socorro garantido e a falta de disciplina orçamentária acarretavam pouco incentivo às empresas para fornecer bens e serviços com eficiência;
Economias socialistas - A forma mais conhecida foi a adotada nos anos 70 pela União Soviética, bem como pela China. As economias socialistas sofreram grande derrocada nos anos 80 e 90, pela ausência de ganhos de produtividade e inovação tecnológica;
Economias socialistas Sob o capitalismo . . . os meios de produção pertencem a uma minoria . . . a ganância do lucro leva à superprodução dos bens procurados, causando baixas na economia A minoria explora o trabalho da maioria e obtém lucro O capitalismo falha constantemente; a economia sofre uma série infindável de crises econômicas Mas inadvertidamente ela torna os trabalhadores mais capazes e instruídos A instabilidade econômica ocasiona agitação social Os trabalhadores percebem sua posição e querem se livrar da opressão Ocorre uma revolução que os trabalhadores derrubam a classe dominante e controlam os meios de produção Que a classe dominante trema diante da revolução comunista
Economias socialistas Nos mercados competitivos, a receita das empresas deve ser mais alta que os custos, ou elas vão a falência. Nas economias planificadas, se as empresas não cobrem seus custos, o Estado intervém para protegê-las da falência Isso significa que os custos (materiais e laborais) não precisam se aproximar da produção ou da procura Socialismo faz as lojas ficarem vazias
Neoliberalismo econômico - O capitalismo é movido pela tendência à generalização da formamercadoria, a máxima ampliação possível do âmbito da produção de mercadorias como proporção do produto da sociedade como um todo; - Entre 1930 e 1950 o Liberalismo deu lugar a social democracia como forma política e ideológica preponderante desse estágio, que tem como um de seus suportes a elevação dos níveis de reprodução da força de trabalho, necessário tanto para acompanhar os requisitos de qualificação da força de trabalho impostas pela evolução das técnicas de produção, quanto para assegurar mercado de escoamento da produção; amplia-se o âmbito de intervenção do Estado na organização da produção; - As manifestações externas da crise constituem as “características” do capitalismo tardio, ou contemporâneo, entre as quais as principais são, além da continuada expansão da intervenção do Estado, a tremenda expansão da capacidade produtiva via desenvolvimento tecnológico resultado ao mesmo tempo em superprodução e em diminuição da força de trabalho empregada na indústria e a sua realocação em serviços, colocando a questão adicional da medida em que a provisão dos serviços em expansão pode ser produzida enquanto mercadorias;
Neoliberalismo econômico - A crise provoca a reação neoliberal, procura sustentar-se como algo novo, através de um arsenal de conceitos como globalização e privatização; Numa segunda vertente, o discurso de desqualificação do Estado enquanto provedor de infraestrutura física e institucional ou como representante do interesse coletivo, ligitimando as mais variadas formas e sub-formas de uma “sociedade organizada”; - As políticas neoliberais, sem lograr reconstruir o âmbito do mercado, acabam se resumindo em movimentos de desmonte do Estado do Bem Estar, de concentração de capital e de renda e o prolongamento insustentável do endividamento para financiar o consumo, enquanto o centro de gravidade da produção social deslocase da indústria para os serviços, dando origem aos fenômenos conhecidos como “desindustrialização” e “terciarização”; - As políticas neoliberais perseguidas ao final dos anos 70 e no começo dos anos 80 por parte dos governos racionais dos países centrais constituem precisamente uma tentativa (crescente desesperada) de “remercadorização” de suas economias; com livre circulação de capitais interncionais, medidas contra o protecionismo, desburocratização do estado, diminuição do tamanho do estado, aumento da produção, pouca intervençã do governo no mercado de trabalho;
Neoliberalismo econômico - O Neoliberalismo ganhou força e teve suas bases lançadas/institucionalizadas com o Consenso de Washington (1989), com recomendações de políticas econômicas que deveriam ser seguidas e que passaram a ser recomendadas a países emergentes, tais como: redução de gastos públicos, reforma tributária, câmbio flutuante, privatizações, desregulamentações, disciplina fiscal; - A queda da URSS e a hegemonia do modelo neoliberal dos EUA, trouxe a desmoralização do socialismo, do Estado e da economia planificada. A crise de 2008 se encarregou de terminar com o consenso das políticas econômicas neoliberais (Emir Sader);
Referências - MANKIW, N. GREGORY. Introdução à economia. São Paulo : Pioneira Thomson Learning, 2005. -EQUIPE DE PROFESSORES DA USP. Manual de Economia. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. -Material de aula do Prof Caio César Zerbato
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