Donald Winnicott Prof Kelly Macedo Alcantara Universidade So




























































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Donald Winnicott Profª Kelly Macedo Alcantara Universidade São Francisco
Biografia Winnicott ▪ Nascido em Plymouth (1896) e falecido em Londres (1971) ▪ Sendo o único filho homem da família, ele deveria ter se envolvido com os negócios de seu pai, mas ao invés disso desafiou as convenções e tornou-se médico em 1920, depois, psicanalista. ▪ Escreveu poemas , participou de teatro amador, destacou-se cantando e tocando piano, praticou esportes como: natação e corrida. ▪ Teve uma infância feliz. . . Casou-se duas vezes, porém nunca teve filhos.
Biografia Winnicott ▪ Base familiar amorosa: Vida plena, embora tenha tido momentos difíceis também ▪ Pediatra, psiquiatra infantil e psicanalista: atendeu aproximadamente sessenta mil pessoas ao longo da vida. ▪ Possuía um programa em uma rádio londrina para falar das crianças aos pais ▪ Discípulo de Klein: Escola Inglesa ▪ Apesar do rompimento: profundo respeito à tradição freudiana e kleineana
Alguns pontos importantes ▪ Uma teoria mais pautada na saúde, na vida e menos na redução de sintomas. ▪ Psicanálise para Winnicott era muito relacionada à vida e à possibilidade do indivíduo de viver criativamente. ▪ 1ª experiência criativa: criação do seio ▪ Mãe favorece a entrada da criança no mundo, oferecendo o mundo em pequenas doses.
Alguns pontos importantes ▪ A teoria do amadurecimento pessoal é a espinha dorsal da obra winnicottiana (um caminho a ser percorrido partindo da dependência absoluta e dependência relativa rumo à independência relativa), que, além de constituir uma teoria da saúde, com descrição das tarefas impostas, desde o início da vida, pelo próprio amadurecimento, configura também o horizonte teórico necessário para a compreensão da natureza e etiologia dos distúrbios psíquicos.
Melanie Klein Winnicott
Biografia Winnicott ▪ Formou-se primeiro como analista de adultos e mais tarde habilitou-se como analista de crianças ▪ Atendia crianças separadas de suas famílias nos processos de evacuação de cidades durante a Segunda Guerra. ▪ Experiência fundamental para estudar o papel da mãe na constituição do sujeito.
Biografia Winnicott ▪ Era um profissional discreto, distante das filosóficas especulações ▪ A experiência clínica foi a base da construção da sua teoria ▪ Sempre procurou dirigir-se em linguagem acessível aos ouvintes.
Winnicott x Freud ▪ Em Freud, a teoria da sexualidade é o carro-chefe para o estudo e o tratamento das neuroses. Em Winnicott, papel semelhante cabe à teoria do amadurecimento, espinha dorsal de seu ideário, usada no estudo e tratamento de todos os problemas maturacionais do existir humano. ▪ Freud estuda o homem em termos de processos mentais, conscientes e inconscientes. Winnicott vê o homem como manifestação da natureza humana no tempo, caracterizada pela tendência à integração que só se realiza num ambiente facilitador (o colo da mãe, a família, o grupo social). Viver significa alcançar e manter a continuidade de ser no mundo.
Winnicott x Freud ▪ Na psicopatologia de Winnicott, os distúrbios não são gerados pela expulsão, para fora da consciência, daquilo que aconteceu, mas não deveria (RECALQUE), e sim por aquilo que não aconteceu, embora precisasse acontecer. ▪ Os distúrbios são interrupções na continuidade do ser, cuja origem está nas falhas ambientais e nas reações do bebê a essas falhas, que acabam constituindo organizações defensivas mais ou menos rígidas.
Winnicott x Freud Para Winnicott, Mãe e Bebê são inicialmente como unidade psíquica: impossibilidade de pensar a mãe ou o bebê sem mencionar o outro.
Winnicott x Freud Winnicott e Freud ▪ Em Freud, a ordem social e a cultura são produtos da sublimação, processo pelo qual os indivíduos e sociedades inteiras buscam resolver seus inevitáveis conflitos sexuais de caráter edípico, marcados pela ameaça da castração do filho por parte do pai e, como reação, pelo assassinato do pai pelos filhos revoltados, acometidos posteriormente de culpa. A culpa torna-se o motor do processo cultural, basicamente o mesmo das neuroses. ▪ Para Winnicott: Cultura e ordem como parte do processo criativo
Winnicott x Klein ▪ Tamanha era sua confiança em Winnicott, que ele foi analista de um dos filhos de Klein ▪ Afastamento de Klein após defender a participação do ambiente na constituição do indivíduo e o papel dos pais no processo de maturação da criança.
Winnicott x Klein ▪ Brincar não era apenas uma alternativa simbólica, mas uma possibilidade de criação e elaboração da realidade subjetiva e objetiva ▪ Se opôs aos que se ocupavam mais de interpretar no setting analítico. Propôs, assim, o brincar compartilhado como atividade autônoma de produção de sentido.
Winnicott x Klein ▪ Winnicott o brincar em si como um objeto de estudo. O brincar é, em si mesmo, psicoterápico, não propriamente por causa dos elementos simbólicos que veicula ou expressa, mas pelo que realiza: � É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto usufruem da sua liberdade de criação� ▪ Melaine Klein brincadeira como uma forma de comunicação extremamente importante para a sessão com crianças por expressar os conteúdos das fantasias infantis que serão interpretados.
Winnicott “A criança joga (brinca) para expressar agressão, adquirir experiência, controlar ansiedades, estabelecer contatos sociais como integração da personalidade e por prazer”. (Winnicott)
Winnicott Todo ser humano tem um potencial para se desenvolver e o faz através do processo de maturação, ou seja através da formação e evolução do ego, do superego e do desenvolvimento dos mecanismos de defesa. Entretanto, para tornar esse potencial como algo real, o ambiente se faz necessário. Inicialmente, esse ambiente é a mãe – ou alguém que exerça a função materna – e apoiada especialmente pelo pai. Ambiente agradável representado inicialmente pela mãe. Não é uma mãe perfeita, porque essa não existe. Mas é a mãe que sabe a hora certa para favorecer a ilusão no bebê e, logo após, a desilusão.
Winnicott Mãe suficientemente boa? ▪ Não necessariamente a própria mãe do bebê ▪ Alguém que efetue adaptação ativa às necessidades do bebê ▪ Esta adaptação diminui gradativamente, segundo a capacidade do bebê em suportar os resultados das frustrações
Winnicott ▪ Dificuldades da mãe em olhar para o filho como ser independente e diferente podem tornar o ambiente não suficientemente bom para o amadurecimento.
Winnicott Assim. . . ▪ Não basta suprir apenas as necessidades fisiológicas do bebê ▪ É necessário que ela perceba e reconheça suas particularidades.
Papel da mãe ▪ O papel da mãe é prover o bebê de um ego auxiliar que lhe permita integrar suas sensações corporais, os estímulos ambientais e suas capacidades motoras nascentes. ▪ Transitivismo ▪ Winnicott considera significativamente a imaturidade do bebê
Preocupação materna primária ▪ A “preocupação materna primária” se caracteriza como um estado de verdadeira fusão emocional com seu bebê, em que ela é o bebê, e o bebê é ela. Loucura Necessária ▪ É gradualmente dissipada com o estabelecimento da saúde física do bebê e da mãe, após : ▪ parto não traumático ▪ Amamentação tranquila ▪ Pouca interferência de elementos estressantes ▪ Após algumas semanas de intensa adaptação às necessidades do recém- nascido, este sinaliza que seu amadurecimento já o torna apto a suportar as falhas maternas.
A fase da Dependência absoluta ▪ Do nascimento aproximadamente aos 6 meses, ▪ Sem chances de sobreviver sem os cuidados do ambiente (mãe). ▪ Embora seja dependente, o bebê desconhece esse estado de dependência, pois entende que ele e o meio são uma coisa só. ▪ Necessidades do bebê são supridas por meio de três funções maternas (apresentação do objeto, holding, handling) exercidas simultaneamente
Dependência absoluta Apresentação do Objeto – apresentação do seio ou da mamadeira. O bebê tem a ilusão de ter “criado” esse objeto para a sua satisfação. É com esta “ilusão” que o bebê tem uma experiência de onipotência. À medida que a mãe vai sempre estando à sua disposição esta ilusão vai sendo reforçada e, ao mesmo tempo, protegendo-o de fontes de angústia que seriam insuportáveis
Dependência absoluta ▪ Holding – “Sustentação”, ou seja, a mãe instaura uma rotina (repetitiva) de cuidados cotidianos que vão sustentar, não somente corporal, mas psiquicamente, a criança. A realidade externa, para o bebê é muito simplificada e permite que ele crie pontos de referência simples e estáveis, facilitando sua integração no tempo e no espaço. ▪ Previsibilidade e Constância
Dependência absoluta Handling –“Manipulação” do bebê enquanto ele é cuidado. É uma função que harmoniza a vida psíquica com o corpo, e que Winnicott chama de “personalização”
A Mãe suficientemente boa ▪ Mãe que realiza as funções de apresentação de objeto, holding e handling. ▪ Boa o suficiente para que o bebê possa conviver com ela sem prejuízos psíquicos ▪ Representa o “ambiente bom” e permite que a criança coloque em prática sua tendência inata ao desenvolvimento e continuidade da vida fazendo emergir o verdadeiro self ▪ Função materna: escudo protetor ao desamparo
Mãe insuficientemente boa ▪ Mãe não se identifica com as necessidades do filho, não responde aos seus gestos ou é intrusiva e impositiva. ▪ Algumas dificuldades em ser uma mãe suficientemente boa: a criança e suas particularidades. ▪ as falhas provocam carências na satisfação de necessidades, dificultando desenvolvimento do bebê o desenrolar do ▪ Quando a mãe não cumpre rotineiramente a sua função de sustentação do ego, o que surge no bebê é uma angústia impensável.
▪ O bebê humano nasce sempre imaturo incapaz de cuidar de si “ O bebê não existe sozinho. ” ▪ O adulto, após o nascimento do bebê, vai tentar reproduzir para o bebê o cuidado, conforto e privação existente antes do corte do cordão umbilical. ▪ “Olho e sou visto, logo existo” (Winnicott)
Desejo e o Papel do Pai ▪ A presença do pai tem valor desde o início da vida. Se ele não é o principal responsável pela edificação das bases da saúde psíquica, contribui de maneira fundamental para que a mãe tenha as condições de dar conta da sua tarefa, dando apoio e sustentação a ela, sendo que, em breve, já na fase final de dependência relativa da criança, torna-se a pessoa importante com a qual ela passa a contar, aquele que, nos bons casos, além de colocar limites às fantasias sexuais infantis, é confiável e, também por isso, é aquele que fornece a moldura ambiental, que estabelece balizas e protege a criança, assim como a mãe.
Dependência relativa Acontece por volta dos 6 meses aos 2 anos. É relativa porque a criança se conscientiza de sua sujeição (na primeira fase ela não se vê separada, mas fundida à mãe), e tolera melhor as falhas de adaptação Aqui, o bebê já percebe a existência de uma realidade, externa, separada dele. Ela também já consegue se antecipar aos acontecimentos e prever as ações de sua mãe.
Dependência relativa ▪ A criança, por exemplo, pensa estar relacionando-se com duas mães. Uma é a mãe dos momentos calmos, e a outra é a dos momentos de excitação em que a agressividade está presente ▪ O bebê pode imaginar que a satisfação de sua fome acarreta a deterioração do corpo da mãe. Isso agora lhe preocupa pois ele reconhece que depende da mãe
Dependência relativa ▪ Por isso, e para evitar este sentimento, é importante que ele perceba que se trata da mesma pessoa. É um processo de integração das duas figuras maternas. Para isso, é fundamental a presença da mãe suficientemente boa. Ela deve sobreviver, prevalecer! ▪ Com a desilusão gradual por parte da mãe, o bebê percebe-se aos poucos como alguém separado dela ▪ Surgimento da percepção do Eu e do Não-Eu ▪ O rosto da mãe como espelho
Culpa depressiva ▪ É a representação da mãe e a crença em sua existência que devem ser interiorizadas pela criança. A criança passa a perceber que, com sua agressividade, é a essa mãe total e única, que ela pode destruir (angústia depressiva). É daí que advém a culpa, pois a mesma mãe que ataca é a mãe que lhe cuida – ambivalência do objeto total.
Reparação ▪ É por esta angústia e culpa que a criança desenvolve atividades de reparação e restauração, quando sentida como danifica ou destruída, sob a forma de presentes e gestos de ternura. Isso só pode ocorrer, se a criança tiver uma mãe suficientemente boa. ▪ Com isso, a criança continua em sua evolução psíquica.
Fase de Desilusão Separação da mãe a criança desenvolve atividades como, levar os dedos ou algum objeto à boca, como a ponta de um lençol ou fralda; começa a puxar fiapos de lã e fazer bolotas com que se acaricia; sons bucais diversos, etc. Estas atividades tem algo em comum: elas surgem em momentos em que poderia surgir a angústia (separação da mãe, hora de dormir).
Objetos Transicionais ▪ Localiza-se na zona intermediária entre a mãe e o bebê, favorecendo uma melhor passagem pelo processo de separação, uma vez que este objeto representa o acalento da mãe e faz com que sua ausência seja suportada. ▪ É um objeto achado e criado simultaneamente. ▪ Lavar, substituir pode levar à ruptura da familiaridade e consistência características fundamentais desses objetos.
Objetos Transicionais ▪ O Objeto transicional ocupa para um lugar que Winnicott chama de ilusão. Ao contrario do seio, que não está disponível constantemente, o objeto transicional é conservado pela criança. Ela é quem decide a distância entre ela e tal objeto. ▪ Winnicott aponta algumas características que são comuns aos objetos transicionais: a criança afirma uma série de direitos sobre o objeto; o objeto é afetuosamente ninado e excitadamente amado e mutilado; deve sobreviver ao ódio, ao amor, e à agressão. É muito importante que o objeto sobreviva à agressão, possibilitando a criança neutralizala, dando-lhe, posteriormente, um fim construtivo, ao notar que esta não destrói os objetos.
Objetos Transicionais ▪ Uma das bases de criar, fazer cultura ▪ A ligação e o afastamento do objeto transicional deixa em cada sujeito uma marca: fica na mente do indivíduo um espaço que, assim como o objeto transicional, é intermediário entre o interno e o externo. É nesse espaço que se produz muitas das atividades criativas do homem, como as artes, a musica, etc. que “representam” o mundo interno para o exterior e, em certo sentido, “representa” a realidade para si mesmo.
Um bebê que cresce. . . ▪ Para Winnicott, ó nos tornamos humanos por estarmos em relação com um outro que nos humaniza ▪ “Eu sou”: algum tempo depois da experiência de dependência relativa, a criança começa a se perceber como um ser com interior e exterior, alguém com identidade. ▪ “Eu sou e você é”: após mais algum tempo, conquista que requer maior trabalho psíquico pois consiste na elaboração da realidade externa.
Natureza Humana ▪ Winnicott: “ Minha preocupação é fazer um estudo da natureza humana. ” ▪ Tendência inata à integração ▪ valorização da saúde, dos aspectos sadios da personalidade ▪ Tendência à realização, à criatividade
Natureza Humana ▪ O ser humano, para Winnicott, nasce como um conjunto desorganizado de pulsões, instintos, capacidades perceptivas e motoras que conforme progride o desenvolvimento vão se integrando, até alcançar uma imagem unificada de si e do mundo externo. ▪ O papel da mãe é prover o bebê de um ego auxiliar que lhe permita integrar suas sensações corporais, os estímulos ambientais e suas capacidades motoras nascentes.
Natureza Humana ▪ A compreensão winnicottiana relaciona a saúde psíquica à possibilidade do sujeito de se sentir verdadeiramente vivo, real e capaz do gesto espontâneo. Entende-se, portanto, que o indivíduo saudável é aquele que se encontra integrado, vivendo no interior da psique, habitando o próprio corpo e sentindo que o mundo é real. ▪ A saúde não se caracteriza pela ausência de sintomas ou doenças, mas pela correspondência entre a maturidade e a idade do indivíduo, de modo que a "continuidade de ser significa saúde. "
Natureza Humana ▪ Winnicott parte da premissa de uma concepção de desenvolvimento saudável, em que, perante as condições ambientais adequadas, o indivíduo tende a seguir rumo ao amadurecimento pessoal saudável e à integração da personalidade.
Natureza Humana ▪ Todo ser humano está de modo contínuo crescendo e se desenvolvendo a partir dos fatores hereditários, inserido em um ambiente, evoluindo da dependência absoluta à independência relativa. Para o autor, "a integração da personalidade não é alcançada num determinado dia ou numa determinada época. Ela vai e vêm, e mesmo quando alcançada em alto grau pode ser perdida devido a uma situação ambiental adversa" ▪ Esse processo dinâmico e complexo é que leva à possibilidade de uma existência saudável.
Natureza Humana ▪ Aprender a estar só quando estou “autorizado” a internalizar o outro – Objeto Interno ▪ A importância da solidão ▪ Fenômeno transicional e a possibilidade lidar com a ausência
Self verdadeiro ▪ Aspectos espontâneos, autêntico, criativos e não submissos ▪ “Mãe boa” responde a onipotência do bebê e, de certo modo, dá-lhe sentido. ▪ O self verdadeiro começa a adquirir vida, através da força da mãe, em sua capacidade de suprir as necessidades da criança
Falso self É a principal reação do bebê às falhas do ambiente. Bebê renuncia à esperança de ver suas necessidades satisfeitas e vai adaptando-se aos cuidados que não lhe convêm. Passa a adotar um modo de ser falso e artificial. Com isso, o indivíduo experimenta sentimentos de irrealidade e vacuidade a respeito de si mesmo, dos outros e da vida, e pode se comportar como um ser que se, não se adapta, mas se funde ao ambiente passando a reagir especularmente (como espelho, reflexo). Aspectos submissos da personalidade para agradar o outro.
Winnicott e o Feminismo ▪ O psicanalista inglês reivindica é que a mãe se dedique ativamente ao seu bebê, porém, não há nenhum indício de que a mãe winnicottiana deva abandonar os outros setores de sua vida, constrangendo-os sob o funil da maternidade. ▪ Considerando-se que é nesse período inicial que estão sendo constituídas as bases da saúde psíquica, evitando-se graves psicopatologias, é importante possibilitar à mãe a estreita experiência da relação com seu bebê. A sociedade civil reconhece esse papel da mãe ao conceder, pela Constituição, a licença maternidade.
Winnicott e o Feminismo ▪ Para Freud e a identidade da mulher como castrada. ▪ Winnicott retira o caráter constitutivo da falta na identidade feminina. Embora ele não negue o fenômeno da inveja do pênis, este é apenas uma passagem necessária, embora curta, do processo de desenvolvimento sexual das meninas, e que vai terminar, quando há saúde, com o reconhecimento da complementariedade sexual, e até mesmo com o vislumbre de uma certa superioridade da mulher em relação ao homem, em virtude do medo da dependência, que surge sobretudo no homem com relação à mãe.
Winnicott e o Feminismo ▪ Portanto, a mulher é compreendida por Winnicott não como um ser castrado, mas tendo seu próprio perfil, pela identidade de gênero, mediante a identificação com a mãematerna ou com a mãe-fêmea, ou com ambas, é claro. Será bastante útil à menina se o elemento fêmea da mãe estiver disponível para identificação.
Sobre o trauma ▪ Para Winnicott, não podemos pensar o trauma sem considerar que a provisão ambiental, que era necessária, efetivamente falhou no passado. ▪ Traumas iniciais e decisivos resultam de um padrão de intrusões reais que interrompem a linha do ser, a continuidade do amadurecimento e, portanto, a sua constituição como pessoa inteira, isto é, impede a realização da tendência à integração.
Privação e Delinquência ▪ Experiência com as crianças na guerra fez com que Winnicott identificasse traços de origem da tendência antissocial e da delinquência. ▪ Privação: experiência catastrófica de abandono experimentada por um bebê antes de saber diferenciar o eu e o não-eu, que poderia levar à psicose infantil precoce. ▪ Deprivação: experiência catastrófica de abandono experimentada depois de certo tempo de desenvolvimento e cuidados.
Privação e Delinquência ▪ A experiência de deprivação estaria fortemente ligada às tendências antissociais. ▪ A criança reconhece que lhe falta algo e passa a dirigir agressividade à mãe. ▪ Mais tarde comportamentos como roubos e desconfiança podem surgir com a intenção inconsciente de recuperar o que lhe foi tomado.
“A conduta antissocial é um grito de desespero para o sujeito que reivindica do social aquilo que lhe foi prometido” (Winnicott, em Privação e Delinquência)
Alguns pontos primordiais ▪ O processo perturbado não é o desenvolvimento sexual, mas sim o amadurecimento pessoal. ▪ O ambiente externo, facilitador, tem importância decisiva na etiologia dos transtornos psíquicos. ▪ O objeto de estudo da psicanálise winnicottiana é sempre íntimo da relação indivíduo-ambiente. ▪ O indivíduo é caracterizado pela tendência para o crescimento por amadurecimento e o ambiente é investido do papel de facilitador desse processo.
Alguns pontos primordiais ▪ O insconsciente winnicottiano consiste também do não- acontecido (mas que precisava acontecer) e do desacontecido (mas que precisava continuar sendo), algo que pode escapar à recordação ou à elaboração simbólica. ▪ Viver criativamente constitui um estado saudável e a submissão é a base do adoecimento.
Jogo dos Rabiscos Winnicott utiliza este jogo como técnica de comunicação com a criança. O psicólogo e o paciente (criança) executam, alternadamente, traços livres; cada parceiro deve modificar o rabisco do outro à medida que for sendo realizada a tarefa. Jogo do Rabisco é apenas uma maneira de entrar em contato com o paciente pelo uso do lápis e papel. Podemos dizer que os dois, psicólogo e paciente, vão realizar no espaço potencial, através do gesto criativo - o rabisco que se transforma em imagem e depois em discurso.
Referências dessa aula ▪ J-D. Nasio. Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1995. (Capítulo sobre Winnicott) ▪ Cambuí, Heloisa Aguetoni, Neme, Carmen Maria Bueno, & Abrão, Jorge Luís Ferreira. (2016). A constituição subjetiva e saúde mental: contribuições winnicottianas. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, 19(1), 131 -145.