Dirio gneros digitais e relato Turmas 01 m


















- Slides: 18
Diário, gêneros digitais e relato Turmas 01 m 1, 01 m 2, 01 m 3 Profª. : Maria Anna Gerk
Diário • Finalidade: registro de fatos do cotidiano ou impressões produzidas por eles, pensamentos, observações, opiniões, ideias, sentimentos, segredos etc. • Locutor: quem escreve. • Interlocutor: a própria pessoa que escreve. Obs. : se publicado, o interlocutor passa a ser o público em geral.
Diário • Suporte: caderno, folhas de papel. • Tema: assuntos pessoais, fatos do cotidiano, reflexões. • Estrutura: relativamente, livre: geralmente apresenta data, mas o vocativo e a assinatura são facultativos. • Linguagem: varia conforme o locutor; os verbos são empregados na 1ª pessoa, no presente ou no pretérito.
Diário • Os diários podem participar da construção da História: Diário de Anne Frank, Diário de Zlata etc. • Além dos livros, alguns ocuparam os cinemas:
Quarto de Despejo: Diário de uma favelada (1960), a primeira obra da escritora afro-brasileira Carolina Maria de Jesus. Literatura memorialística em consonância com sua função de crítica social. “Eu classifico São Paulo, assim: O Palácio é a sala de visita. A prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos [. . . ]. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo” “[. . . ] Quando um politico diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na política para melhorar as nossas condições de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, já está ciente que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olha o povo com os olhos semi-cerrados. Com o orgulho que fere a nossa sensibilidade. ”
Nesta obra, a escritora que também é narradora, relata seu cotidiano em forma de diário, gênero autobiográfico, que é bastante recorrente na literatura. Na narrativa, ao mesmo tempo em que a mulher/personagem/escritora expressa as angústias de seu eu, também evidencia uma crítica contundente da realidade em que vive através de sua condição de minoria social.
O texto e o hipertexto • Na Internet, o processo de ler ou escrever um texto deixou de ser linear, ou seja, da esquerda da direita e de cima para baixo, com um procedimento de cada vez. • O internauta pode, simultaneamente ao processo de leitura de um texto, acessar links, ler outros textos, ouvir música, examinar imagens, redigir e-mails.
O texto e o hipertexto • A essas múltiplas possibilidades oferecidas pelo texto digital, que envolve uma nova forma de acessar, produzir e interpretar informações, chama-se hipertexto. • Hipertexto exprime a ideia de leitura e escrita não linear de texto, em um contexto tecnológico, mediado pelo computador e pela Internet.
E-mail • Para os jovens, o e-mail é uma forma de alcançar os mais velhos (os pais, os professores ou chefes) ou para receber um arquivo anexado. • A estrutura assemelha-se à da carta: vocativo, saudação, desenvolvimento do assunto, despedida e assinatura.
Blog • A princípio era uma espécie de diário virtual. • Os blogs comportam textos, fotos, em alguns casos, vídeos. • Os blogs levam às últimas consequências dois princípios da Internet: a interatividade e a formação de comunidades.
Relato Pessoal • Finalidade: relatar experiências vividas, episódios marcantes da vida de quem escreve. • Locutor: é o escritor. • Destinatário: público em geral. • Suporte: livros, revistas e sites da Internet. • Temas: assuntos pessoais, lembranças, memórias.
Relato Pessoal • Apresenta, geralmente, tempo e espaço bem marcados. • Os fatos relatados se situam normalmente no passado. • É escrito na 1ª pessoa, pois o locutor é protagonista, e costuma apresentar trechos descritivos. • A linguagem é pessoal, subjetiva e direta, geralmente na variedade padrão.
Relato Pessoal “Não me lembro do amanhecer do sexto dia. Tenho uma ideia nebulosa de que, durante toda a manhã, fiquei prostrado no fundo da balsa, entre a vida e a morte. Nesses momentos, pensava em minha família. . ” “No começo me pareceu impossível permanecer três horas sozinho no mar. Mas as cinco, quando já se tinham passado cinco horas, achei que ainda podia esperar uma hora mais. O sol estava descendo. Ficou vermelho e grande no ocaso, e então comecei a me orientar. Sabia agora por onde apareceriam os aviões: pus o sol à minha esquerda e olhei em linha reta, sem me mexer, sem desviar a vista um só instante, sem me atrever a piscar, na direção em que devia estar Cartagena, segundo minha orientação. As seis, doíam meus olhos. Continuava, porém, olhando. Inclusive depois que começou a escurecer, continuei olhando com uma paciência firme e rebelde. Para um esfomeado marinheiro solitário no mar, a presença das gaivotas é uma mensagem de esperança. Geralmente, um bando de gaivotas acompanha os navios, mas só até o segundo dia de navegação, sete gaivotas sobre a balsa significavam a proximidade da terra. ”
Estavam num dos bolsos da calça, quase completamente desfeitos pela umidade. Rasguei-os, levei-os à boca e comecei a mastigar. Foi um milagre: a garganta se aliviou um pouco e a boca se encheu de saliva. Lentamente continuei mastigando, como se aquilo fosse chiclete. Na primeira mastigada, doeram as mandíbulas. Depois, à medida que mastigava o cartão que guardei sem saber por que, desde o dia em que fui fazer compras com Mary Address, me senti mais forte e otimista. Pensava continuar mastigando os cartões indefinidamente para aliviar a dor nas mandíbulas e até achei que seria um desperdício jogá-los ao mar. Senti descer até o estômago a minúscula papa de papelão moído e desde esse instante tive a sensação de que me salvaria, de que não seria destroçado pelos tubarões.
Há um instante em que não se sente mais dor. A sensibilidade desparece e a razão começa a se embotar até que se perde a noção de tempo e espaço. De bruços na balsa, com os braços apoiados na borda e a barba nos braços, senti, no começo, as impiedosas picadas do sol. Vi o ar povoado de pontas luminosas, durante várias horas. Finalmente fechei os olhos, extenuado, mas então o sol já não me ardia o corpo. Não sentia nem sede nem fome. Não sentia nada, a não ser uma indiferença total pela vida e pela morte. Pensei que estava morrendo. E essa ideia me encheu de uma estranha e obscura esperança.