Desenho de Sistema de Disputas DSD Daniela Monteiro

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Desenho de Sistema de Disputas (DSD) Daniela Monteiro Gabbay

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) Daniela Monteiro Gabbay

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Conceitos, etapas e técnicas q. Experiências na

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Conceitos, etapas e técnicas q. Experiências na Justiça Federal q. Potencialidades e desafios q. Aprendizados a partir de uma pesquisa empírica q. Reflexões finais

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Desenho customizado de sistemas de gestão/solução de

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Desenho customizado de sistemas de gestão/solução de conflitos para contextos específicos. q conflitos complexos, recorrentes, com impactos sociais, econômicos, múltiplos atores, etc. q. Criação de procedimento “sob medida” – busca de maior adequação e efetividade q. Pode ser desenvolvido para conflitos em múltiplas áreas e contextos

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Insuficiência de respostas do processo coletivo e

Desenho de Sistema de Disputas (DSD) q. Insuficiência de respostas do processo coletivo e do processo individual: processo estrutural q. Novas práticas e procedimentos que promovam maior participação, para além do antagonismo do processo: audiências públicas, amicus curiae, audiências de conciliação, análise dos interesses envolvidos de forma ampla, envolvimento contínuo nas execuções. q. Qual é o papel que se espera do Judiciário? Qual é a resposta que pode dar? Como legitimar procedimentos customizados?

Etapas do DSD (i) análise do conflito e das partes interessadas e afetadas; (ii)

Etapas do DSD (i) análise do conflito e das partes interessadas e afetadas; (ii) definição dos objetivos e prioridades do sistema de solução de conflitos; (iii) criação de consenso e desenvolvimento do sistema; (iv) Implementação do sistema e treinamento; (v) Avaliação

Etapas do DSD (i) análise do conflito e das partes interessadas e afetadas; -

Etapas do DSD (i) análise do conflito e das partes interessadas e afetadas; - Diagnóstico: quem são as partes, quais são os temas sobre os quais versam as disputas (teses, questões processuais e de mérito) e como são resolvidas no sistema existente (identificar deficiências e melhorias). - Exemplo acidente da TAM (CI 3054).

Etapas do DSD (ii) definição dos objetivos e prioridades do sistema de solução de

Etapas do DSD (ii) definição dos objetivos e prioridades do sistema de solução de conflitos; - Objetivo: indenizar os beneficiários das vítimas de acidente aéreo: ¡identificar os legitimados a receber indenização; ¡atendê-los e ouví-los; ¡verificar seus documentos e informações; ¡calcular o valor da indenização; ¡efetuar o pagamento. ¡Alternativa não vinculante aos beneficiários das vítimas.

Etapas do DSD ¡confiança no sistema: fatores-chave do programa: ¡transparência ¡isonomia ¡apoio em critérios

Etapas do DSD ¡confiança no sistema: fatores-chave do programa: ¡transparência ¡isonomia ¡apoio em critérios objetivos ¡eficiência ¡tratamento digno das partes ¡participação governamental (Defensoria, MP, Procon e SDE-MJ) e legitimidade ¡Custos arcados pelas empresas seguradoras e resseguradoras.

Etapas do DSD (iii) criação de consenso e desenvolvimento do sistema: co-criação do sistema

Etapas do DSD (iii) criação de consenso e desenvolvimento do sistema: co-criação do sistema e validação pelos partícipes. Caso da TAM: seguradoras, empresa aérea, beneficiários e autoridades de proteção de consumidores. (iv) implementação do sistema e treinamento; (v) Avaliação constante

Fases do procedimento § Fase preparatória ao ingresso do requerimento; formulários específicos disponíveis on

Fases do procedimento § Fase preparatória ao ingresso do requerimento; formulários específicos disponíveis on line. § O procedimento em si: reuniões com a empresa aérea e a seguradora e apresentação da proposta de indenização, contando com a presença de Observadoras/mediadoras.

Fases do procedimento ¡Surgindo controvérsias, as partes poderiam submeter consultas ao Conselho Arbitral Consultivo

Fases do procedimento ¡Surgindo controvérsias, as partes poderiam submeter consultas ao Conselho Arbitral Consultivo (CAC), composto pelos Órgãos de proteção e defesa do consumidor participantes. O CAC emitia pareceres nãovinculantes para a resolução das controvérsias. ¡Retorno à mesa de negociações (loop-backs) com informações mais claras sobre suas alternativas e interesses, para a continuidade das tratativas.

TAM – Câmara de Indenização 3054 ¡Sedes da CI 3054 em São Paulo e

TAM – Câmara de Indenização 3054 ¡Sedes da CI 3054 em São Paulo e Porto Alegre; ¡Regimento Interno da CI 3054: conjunto de princípios e regras criados pelas empresas e autoridades; ¡Papel das observadoras; ¡Procedimento simples - formulários específicos, com a indicação de documentos para a comprovação de renda das vítimas, dependência econômica e vínculo afetivo. ¡As partes normalmente eram representadas por advogados. Confidencialidade ¡Falso positivo. Vários caminhos possíveis (tracks).

Acidentes aéreos “Câmara de Indenização do Acidente de 11/11/2001”: pagou aproximadamente 9 bilhões de

Acidentes aéreos “Câmara de Indenização do Acidente de 11/11/2001”: pagou aproximadamente 9 bilhões de dólares a mais de 7. 000 vítimas e beneficiários de vítimas do evento terrorista. Programa de Indenização originado com o acidente do voo 447 da Air France Criação da Câmara de Indenização 3054, desenvolvida junto à empresa, seguradoras e familiares das vítimas do acidente de 17 de julho de 2007. 13

Algumas experiências de DSD na Justiça Federal q. Desapropriação dos entornos do aeroporto de

Algumas experiências de DSD na Justiça Federal q. Desapropriação dos entornos do aeroporto de Guarulhos (Paulo Almeida); q. Desocupação humanizada da Fundação Navantino Alves (Dayse Castro) q. ACP do Carvão para recuperação ambiental de região degradada pela mineração em Criciúma (Paulo Afonso Brum Vaz).

Potencialidades q Prevenção de litígios e mapeamento de interesses envolvidos q Priorização de consenso

Potencialidades q Prevenção de litígios e mapeamento de interesses envolvidos q Priorização de consenso (desde o início da controvérsia) q Credibilidade/ Eficácia (validação pelas partes envolvidas) q Participação ampliada (comunitária, especialistas) e decisão qualificada pela escuta ativa. q Espaço das audiências públicas q Customização dos procedimentos

Desafios q. Identificação dos interessados (stakeholders), seus representantes e demais atores institucionais. q. Participação

Desafios q. Identificação dos interessados (stakeholders), seus representantes e demais atores institucionais. q. Participação & Igualdade: garantia de voz dos afetados e vulnerabilidades. Cuidados possíveis e limites institucionais. q. Papel do Judiciário é de designer? Como conciliar com o papel de decisor e/ou fiscalizador? q. Processo decisório vs. processo colaborativo: como convivem? q. Custos do desenho

¡Equipe: ¡Adolfo Braga ¡Coordenação: ¡Carlos Alberto de Salles ¡Daniela Gabbay ¡Eduardo Paiva ¡Marco Lorencini

¡Equipe: ¡Adolfo Braga ¡Coordenação: ¡Carlos Alberto de Salles ¡Daniela Gabbay ¡Eduardo Paiva ¡Marco Lorencini ¡Natalia Langenegger ¡Nathalia Mazzonetto ¡Luciana Cunha Gross

Percurso da pesquisa 1ª Fase q. Diagnóstico 2ª Fase q Estudo de casos i.

Percurso da pesquisa 1ª Fase q. Diagnóstico 2ª Fase q Estudo de casos i. Escolha de três casos ii. Entrevistas, mapeamento dos dados e descrição dos casos. iii. Casos comparativos 3ª Fase q Finalização da análise dos casos e elaboração de parte propositiva da pesquisa.

Eixos centrais da análise dos casos Replicabilidade Poder Judiciário como ponto de partida? Critérios

Eixos centrais da análise dos casos Replicabilidade Poder Judiciário como ponto de partida? Critérios objetivos Quem fiscaliza? Quem paga a conta? Forma de solução do conflito Incentivos Desincentivos Diálogo interinstitucional Oportunismos e vulnerabilidades

Caso dos Autistas q. Descrição: Saúde e Educação, Intervenção do Poder Judiciário em políticas

Caso dos Autistas q. Descrição: Saúde e Educação, Intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas q. Atores: Ministério Público, Secretarias Estaduais de Saúde e Educação, Defensoria Pública, Judiciário, Entidades de tratamento aos autistas, Sociedade Civil (familiares dos autistas) q. Características específicas: i. caso permanente (assistência continuada); ii. judicialização de políticas públicas; iii. diálogo interinstitucional; iv. custos e padronização de critérios; v. replicabilidade do caso; vi. oportunismos.

Caso Choque de Trens CPTM q. Descrição: Acidente. Vítimas. Indenização. q. Atores: Associação em

Caso Choque de Trens CPTM q. Descrição: Acidente. Vítimas. Indenização. q. Atores: Associação em Defesa das vítimas e familiares, CPTM, Judiciário q. Características específicas: i. relação entre demandas individuais e coletivas; ii. critérios para a fixação de indenização (judicial e extrajudicial); iii. barreiras e desincentivos à Administração para solucionar extrajudicialmente os conflitos; iv. replicabilidade do caso; v. oportunismos.

Caso de São Luiz do Paraitinga q. Descrição: loteamento irregular, enchente, moradia, indenização. q.

Caso de São Luiz do Paraitinga q. Descrição: loteamento irregular, enchente, moradia, indenização. q. Atores: Ministério Público, Defensoria Pública, Prefeitura, CERESTA, Governo do Estado de SP (CDHU), Judiciário, Sociedade Civil (Associação AMI Paraitinga, dentre outras) q. Características específicas: i. visibilidade do conflito no Judiciário; ii. diálogo interinstitucional; iii. custos (critérios objetivos); iv. Fundos (doações); v. replicabilidade do caso; vi. oportunismos.

Parte propositiva q Objetivo q Proposição normativa ü Regras claras para autorizar os entes

Parte propositiva q Objetivo q Proposição normativa ü Regras claras para autorizar os entes públicos a celebrarem acordos e transacionar ü Matéria e limite de valores ü Programa extrajudicial de prevenção e reparação de danos para interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos q Criação de Câmaras de Solução de Conflitos ü Provisórias ou permanentes? ü CCAF ü Proposta de Câmara de Mediação no MP-SP

Parte propositiva q A figura do designer, special master e observador ü Deve ser

Parte propositiva q A figura do designer, special master e observador ü Deve ser alguém que conheça mais a matéria do conflito ou alguém que conheça mais a técnica para o desenho de solução de conflitos? ü Deve estar mais próximo do juiz (auxiliar) ou das partes? ü O que confere legitimidade ao designer? Em quem as partes confiam para ser o designer? ü Deve ser individual ou coletivo? O designer deve ser um novo player ou um dos atores que já existem e atuam no desenho?

Parte propositiva q Criação de Fundos ü Previsão normativa ü Fundo de Compensação para

Parte propositiva q Criação de Fundos ü Previsão normativa ü Fundo de Compensação para as vítimas do 11 de setembro ü Caso SLP: doações. ü Lei no 12. 340, de 01. 12. 2010, dispõe sobre o Fundo Especial para Calamidades Públicas

CAPI TULO XI DO PROGRAMA EXTRAJUDICIAL DE PREVENC A O OU REPARAC A O

CAPI TULO XI DO PROGRAMA EXTRAJUDICIAL DE PREVENC A O OU REPARAC A O DE DANOS Art. 57. O demandado, a qualquer tempo, podera apresentar em jui zo proposta de prevenc a o ou reparac a o de danos a interesses ou direitos difusos, coletivos ou individuais homoge neos, consistente em programa extrajudicial. § 1º. O programa podera ser proposto no curso de ac a o coletiva ou ainda que na o haja processo em andamento, como forma de resoluc a o consensual de controve rsias.

§ 2º. O programa objetivará a prestac a o pecunia ria ou a obrigac

§ 2º. O programa objetivará a prestac a o pecunia ria ou a obrigac a o de fazer, mediante o estabelecimento de procedimentos a serem utilizados no atendimento e satisfac a o dos interesses e direitos referidos no caput. § 3º. Em se tratando de interesses ou direitos individuais homoge neos, o programa estabelecera sistema de identificac a o de seus titulares e, na medida do possi vel, devera envolver o maior nu mero de partes interessadas e afetadas pela demanda.

§ 4º. O procedimento poderá compreender as diversas modalidades de métodos alternativos de resolução

§ 4º. O procedimento poderá compreender as diversas modalidades de métodos alternativos de resolução de conflitos, para possibilitar a satisfação dos interesses e direitos referidos no caput, garantidos a neutralidade da condução ou supervisão e o sigilo. Art. 58. A proposta poderá ser apresentada unilateralmente ou em conjunto com o legitimado ativo, no caso de processo em curso, ou com qualquer legitimado a ação coletiva, no caso de inexistir processo em andamento.

Art. 59. Apresentado o programa, as partes terão o prazo de cento e vinte

Art. 59. Apresentado o programa, as partes terão o prazo de cento e vinte dias para a negociação, prorrogável por igual período, se houver consentimento de ambas. Art. 60. O acordo que estabelecer o programa devera necessariamente ser submetido a homologação judicial, após prévia manifestação do Ministério Público. Art. 61. A liquidac a o e execuc a o do programa homologado judicialmente contara o com a supervisa o do juiz, que podera designar auxiliares te cnicos, peritos ou observadores para assisti-lo.

Reflexões finais para o debate q Customizar ou institucionalizar? q Como incentivar o uso

Reflexões finais para o debate q Customizar ou institucionalizar? q Como incentivar o uso das audiências públicas? Em que técnicas capacitar? q Mapeamento de boas práticas q Críticas: qual é o BATNA?