Crime e Desigualdade Causalidade Reversa Igor Barenboim Harvard
Crime e Desigualdade: Causalidade Reversa? Igor Barenboim Harvard University 21 de Outubro, 2007
Motivação “O Presidente Lula estava parcialmente certo, quando ele atribuiu crime à desigualde de renda no Brasil. ”* Sr. Bono Vox *The Independent, 05/16/2006
A Hipótese Teórica “Desiguadade Gera Crime” • Becker (1968), Teoria Racional: Desigualdade Indivíduos com baixa remuneração de mercado ao lado de indivíduos com posses Atividade criminal atraente. • Merton (1938), Teoria da Tensão: Desigualdade leva a frustração de indivíduos de menos sucesso Crime
Resultados da Literatura Econômica não são fortes sobre a hipótese “Desiguadade Gera Crime” • Pesquisas empíricas anteriores como Freeman (1996), Allen (1996), Kelly (2000), não encontram evidência que confirme a hipótese “Desigualdade Gera Crime” • Kelly (2000) encontra que desigualdade contribui para crime violento, mas não crime contra a propriedade. • Esse resultado está em profunda tensão com a teoria racional sobre o crime de Becker (1968). Será que crime violento tem um melhor perfil de risco retorno do que crime contra a propriedade? • Crime violento corresponde a 10% do total de crimes cometidos nos EUA.
Três Mecanismos palusíveis para a causalidade reversa. 1. Alta criminalidade leva a população a escolher morar perto de pessoas de mesma renda e status social, diminuindo portanto a interação entre ricos e pobres. Por essa razão as oportunidades de educação e de trabalho que chegam aos moradores de áreas pobres são reduzidas. Wilson descreve esse mecanismo no seu livro "The Truly Disadvantaged“ (1987).
Três Mecanismos palusíveis para a causalidade reversa. 2. Crime é uma forma de redução do direito de propriedade. Field (2007), mostra usando dados do Peru, que ao dar o direito de propriedades aos habitantes de favelas, a quantidade de horas que os favelados se dispõe a trabalhar aumenta. Não ter que proteger sua própria propriedade aumenta o tempo que os favelados tem para trabalhar no mercado e portanto a sua renda. 3. Criminosos prósperos podem servir como modelo de sucesso para as crianças de comunidades pobres, reduzindo o sucesso delas na escola.
O mecanismo a ser explorado nesse trabalho. • Quando o crime aumenta Individuos valorizam mais proteção. • A tecnologia para proteção tem retornos de escala decrescentes. [Di Tella et al. 2006] • Portanto, indivíduos encontram no seu melhor interesse deixar de fazer despesas que podem aumentar sua renda futura para garantir a sua segurança e a segurança de sua propriedade. • Os ricos podem se proteger sem deixar de investir fatia siginificativa no seu futuro.
Literatura Relacionada • Levitt (99): Evidência de Investimento em Segurança. Pessoas que ganharam menos de 25 k (1994 $s) ao ano foram 60% mais roubadas do que pessoas que ganharam mais do que 50 k. • Banerjee e Duflo (03): Evidência de baixo investimento em capital pelos pobres. Indivíduos que vivem com menos de $1 por dia, não poupam devido ao crime. • Grogger (97) e Barrera & Ibanez (2004): Evidência de menor investimento em educação devido a alta criminalidade. Indivíduos que vivem em regiões de criminalidade mais alta tem maiores chances de não concluir o segundo grau e de não ir à faculdade.
Agenda • Apresentar um modelo teórico para checar as hipóteses necessárias para o mecanismo 4. • Mostrar evidência de que crime distorce o comportamento de indivíduos. O que é mais custoso em termos relativos para os mais pobres. – Decisão de se mudar – Decisão de transporte para o trabalho • Quantificar o impacto do crime na desigualdade de renda usando uma abordagem de variável instrumental
Um Modelo de Competição de Despesas • Mundo com dois períodos: “Presente“ e “Futuro”. • No presente indivíduos tem distribuição de renda exógena. • No presente indivíduos decidem o quanto alocar entre consumo, educação e proteção. • Proteção tem retornos decrescentes. • No futuro, a renda é determinada pelo nível educacional escolhido no presente.
Intuição: Crime, um Imposto Regressivo
Teoria em um Gráfico Proteção Maior Utilidade Capital (Humano)
Dados: ACS e UCR
Crime contra a Propriedade afeta a decisão de mudança de ganhadores anuais de $25 k+ da mesma maneira
Crime contra a Propriedade afeta a decisão de mudança de ganhadores anuais de $25 k+ da mesma maneira
Dados Adicionais: ACS e UCR
Crime Violento leva mais pobres a usar carros para ir ao trabalho.
Quantificando o Impacto do crime na desigualdade de renda • Necessidade de um instrumento • Litígio por superlotação de presídios Menos incapacitação de criminosos Mais Crime • Esse instrumento foi usado por Levitt (1996) para quantificar o impacto de aprisionamento sobre crime. • Supostamente o instrumento não é correlacionado com desigualdade de renda a não ser através do crime. • Dados de estados americanos 1970 -1994 • Controles: Medida de heterogeneidade de raças e de desigualdade educacional.
O instrumento de litígio por superlotação para estados americanos (1970 -1994)
Regressão do primeiro estágio
Resultados Quantitativos: Se o crime contra a prop. per-capita dobrar, o Gini deverá subir de 10% a 15% em 6 ou mais anos.
Conclusão • Esse estudo mostra que crime distorce o comportamento dos indivíduos de forma diferente para grupos com rendas distintas e por isso gera desigualdade. • Essa teoria não implica que crime é a principal fonte de desigualdade. O crime apenas contribui nessa direção.
Implicações para Políticas Públicas. • A luz dessa evidência, uma política pública para reduzir crime deverá ser mais efetiva caso tenha foco em punir crimes, ao invés de nadar contra a correnteza tentando diminuir desigualdade. • Menor desigualdade deverá ser consequência dessa política.
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