COLOQUIALISMO EM ESTRUTURAS E DOENAS ABDOMINAIS COMO SURGIRAM
COLOQUIALISMO EM ESTRUTURAS E DOENÇAS ABDOMINAIS: COMO SURGIRAM OS NOMES? ASPECTOS HISTÓRICOS Revisão da Literatura André Spenzieri C. De Mendonça Ricardo Tavares Daher Diogo Figueiredo Guedes D’amorim Centro de Reabilitação e Readaptação – Goiânia - GO
Introdução • Epônimos e termos coloquiais são rótulos que fornecem dois tipos de informações: o primeiro homenageia o descritor de determinada estrutura ou patologia, enquanto o segundo fornece informações sobre o padrão de determinada patológia. • O trabalho ilustra o contexto histórico de muitos dos termos e nomes coloquiais comuns aplicados a estruturas anatômicas do abdome vistos na prática diária do radiologista.
Introdução • Devido a uma determinação do Comitê Internacional de Nomenclatura Anatômica, em 1955, a utilização dos epônimos foi proibida na nomenclatura macroscópica. Esta proibição facilitou a comunicação, já que muitas estruturas anatômicas tinham diversos epônimos relacionados, no entanto a proibição enfraqueceu a tradição histórica e a busca por cultura. • A utilização de epônimos valoriza o aspecto histórico e homenageia o descobridor e descritor da estrutura anatômica.
Francis Glisson • 1597 - 1677 • Médico, anatomista e escritor britânico. • Foi durante quarenta anos Professor de física em Cambridge. Contribuições na anatomia do fígado, estudos sobre o raquitismo e o mecanismo da contração muscular. • Descreveu a capsula de Glisson: capsula que envolve o fígado
Jean-François Calot • 1861 -1944 • Cirurgião francês estudioso do tratamento de curvatura angular da coluna no Mal de Pott e métodos para tratamento de tuberculose. • Estudou medicina em Paris e descreveu o trígono de Calot em sua tese de doutorado • Fundou o Instituto de Ortopedia de Berck em 1900. • O final de sua carreira foi voltado para cirurgia ortopédica, particularmente no tratamento de lesões de guerra
• Trígono de Calot: espaço anatômico limitado medialmente pelo ducto hepático comum, inferiormente pelo ducto cístico e superiormente pela artéria cística. • Importante durante a realização de colecistectomias laparoscópicas ou abertas.
Dimitrie D. Gerota • 1867– 1939 • Anatomista e cirurgião romeno. • Estudou em Bucareste, aonde recebeu o doutorado em 1892 e foi habilitado para anatomia topográfica em 1900. • Professor de anatomia cirúrgica e cirurgia experimental na Universidade de Bucareste. • Primeiro radiologista de seu país.
• Também foi professor na academia de artes de Bucareste aonde realizou o trabalho chamado "Ecorché", estudo anatômico esculpido dos músculos. • Fáscia de Gerota: condensação membranosa de fáscia extraperitoneal que circunda a os rins e a gordura perirenal.
Giovanni Domenico Santorini • 1681 -1737 • Anatomista italiano, nascido em Veneza graduou-se em medicina em Pisa em 1701. • Seu trabalho mais renomado foi a publicação Observationes anatomicae em 1724, no qual detalhada aspectos anatômicos do corpo humano. • Foi o primeiro a descrever várias estruturas anatômicas, entre elas o Ducto de Santorini: ducto pancreático acessório.
James Douglas • 1675 -1742 • Médico obstetra e anatomista escocês. • Mestre pela Universidade de Edinburgo e doutorado em medicina em Reims • Eleito Fellow of the Royal Society of London em 1706.
• Como resultado de seus estudos sobre a pelve feminina muitas estruturas anatômicas levam seu nome. • Saco de Douglas: extensão da cavidade peritoneal entre o reto e a parede posterior do útero.
Gabriele Falloppio • 1523 – 1562 • Anatomista e cirurgião italiano. • Trompas de Falópio: duas finas tubas recobertas por epitélio ciliado comunicando os ovários com o interior do útero. • Estudou medicina em Ferrara, aonde se tornou professor de anatomia • Trabalho na anatomia do crânio, contribuindo bastante para o estudo anatômico da orelha interna.
• Estudou os órgãos reprodutivos de ambos os sexos e descreveu as trompas de falópio: duas finas tubas recobertas por epitélio ciliado comunicando os ovários com o interior do útero. • Escreveu tratados sobre ulceras e tumores, cirurgia e comentários a repeito do livro de Hipocrates sobre doenças da cabeça. • Em seu tratado sobre sífilis já recomendava o uso do preservativo masculino como forma de proteção.
Anders Retzius) • 1796 -1860 • Professor de anatomia sueco. • Iniciou seus estudos em medicina na universidade de Lund em 1812, • Professor e supervisor titular do Instituto Karolinska. • Estudos a respeito da anatomia dos dentes, crânio, músculos e sistema nervoso.
• Antropólogo, tendo realizado estudos sobre o formato do crânio em diferentes etnias. • Cavo de retzius: espaço que separa o púbis da bexiga, limitado anteriormente pelo púbis e fáscia transversal e posteriormente pela fáscia umbilical pré-vesical. Contem gordura, tecido conjuntivo frouxo e plexo venoso.
Friedrich Gustav Jakob Henle • 1809 -1885 • Médico, patologista e anatomista alemão. • Após completar seus estudos em medicina em Heidelberg e Bonn, começou a trabalhar como assistente de dissecção em Berlim. • Professor de anatomia, patologia e fisiologia em Heidelberg.
• Descreveu o ligamento de Henle • Publicou diversos estudos, entre os mais importantes “Manual of Rational Pathology” e “Handbook of Systematic Human Anatomy”. • Descreveu duas importantes estruturas renais, as alças e os túbulos de Henle. • Cofundador da teoria de que microrganismos eram os causadores das doenças infecciosas.
Vàclav Treitz – ângulo de Treitz • Nasceu na República Tcheca 1819 -1872 • Patologista tcheco • Estudou medicina em Praga e fez pós-graduação em Viena • Professor do Instituto de Anatomia Patológica de Praga • Cometeu suicídio com a ingestão de cianeto de potássio.
• Descreveu diversas estruturas anatômicas abdominais que levam seu nome. • Angulo de Treitz: angulo formado na junção entre duodeno e jejuno. • Fascia de Treitz: fascia posterior a cabeça do pâncreas. • Ligamento de Treitz: estrutura fibrosa que fixa a junção duodeno-jejunal a parede posterior da cavidade abdominal.
Antonio Scarpa • 9/5/1752 – 31/12/1832 • Anatomista italiano • Professor da universidade de Modena • Descreveu: – – – Fáscia de Scarpa Forame de Scarpa Gânglio de Scarpa Triângulo de Scarpa Fluído de Scarpa
Petrus Camper • 11/05/1722 – 07/04/1789 • Anatomista, antropólogo e naturalista holandês • Aluno de Herman Boerhaave (Sd de Boerhaave) • Professor da Universidade de Franeker • Descreveu: – Fáscia de Camper – ngulo Facial
Abraham Colles • 23/07/1773 – 16/11/1843 • Cirurgião e anatomista irlandes • Professor do Royal College of Surgeons, Irlanda • Descreveu: – Fáscia de Colles – Fratura de Colles
Franz Kaspar Hesselbach • 27/01/1759 – 24/07/1816 • Cirurgião e anatomista alemão • Descreveu: – Trígono de Hesselbach – Fáscia de Hesselbach – Ligamento de Hesselbach
Jacob B. Winslow • 1669 – 1760 • Anatomista dinamarquês • Professor de anatomia na Jardin du Roi, Paris • Descreveu: – Forame de Winslow – Fisiologia dos músculos digástricos
Ruggero Oddi • 20/07/1864 – 22/03/1913 • Anatomista e fisiologista italiano • Chefe do Instituto de Fisiologia da Universidade de Genoa • Esfíncter de Oddi foi descrito por Francis Glisson, porém Oddi foi o primeiro a descrever sua fisiologia.
Abraham Vater – Ampôla de Vater • 9/12/1684 – 18/11/1751 • Anatomista alemão • Doutor pela Universidade de Wittenberg • Descreveu: – Ampola de Vater – Contribui com descrição dos corpúsculos de Vater. Pancine
James R. Morison – Espaço de Morison • James R. Morison 1853 – 1939 • Cirurgião inglês • Professor da Universidade Durham • Descreveu: – Bolsa de Morison – Incisão de Rutherford Morison (apendicectomia)
Johann G. Wirsung – Ducto de Wirsung • Johann Georg Wirsung(1589 – 1643) • Anatomista alemão lembrado pela descoberta do ducto pancreático descoberto durante a dissecção de um homem que tinha sido recentemente enforcado por assassinato. • O reconhecimento da autoria da descrição do ducto de Wirsung foi solicitada por vários anatomistas, empasse que resultou no assassinato de Johann Georg Wirsung pelo anatomista Giacomo Cambier.
Conclusão • Numerosos epônimos são descritos na anatomia do trato gastro-intestinal, apesar de entendermos que a proibição do uso dos epônimos facilitou o entendimento e comunicação nos meios médicos, este trabalho teve como objetivo familiarizar com algumas destas estruturas para melhor e homenagear os mestres que as descreveram.
Bibliografia • Kanne JP, Rohrmann CA Jr, Lichtenstein JE. Eponyms in radiology of the digestive tract: historical perspectives and imaging appearances. I. Pharynx, esophagus, stomach, and intestine. • Kanne. JP, Rohrmann CA Jr, Lichtenstein JE. Eponyms in radiology of the digestive tract: h. istorical perspectives and imaging appearances. II. Liver, biliary system, pancreas, peritoneum, and systemic disease. • Hall FM. Medical Eponyms.
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