CHRISTIFIDELES LAICI Prof Marcos Nobre CHRISTIFIDELES LAICI Exortao
CHRISTIFIDELES LAICI Prof. Marcos Nobre
CHRISTIFIDELES LAICI Exortação Apostólica Pós. Sinodal do Papa João Paulo II SOBRE A VOCAÇÃO E MISSÃO DOS LEIGOS NA IGREJA E NO MUNDO
CHRISTIFIDELES LAICI Contexto: Tema do Sínodo dos Bispos de 1987 “vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo a vinte anos do Concílio Vaticano II”
CHRISTIFIDELES LAICI A Exortação Apostólica Christifideles Laici é a resposta do Papa diante dos resultados trabalhos do Sínodo. O Papa reage ao problemas identificados e às soluções apresentadas com a Exortação Póssinodal. É um documento rico que abrange o Concílio e a reação ao Concílio.
QUEM SÃO OS LEIGOS? “Todos os cristãos que não são membros da sagrada ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja” (LG 31) Esta é uma definição tradicional. O Direito Canônico traz uma definição mais técnica.
QUEM SÃO OS LEIGOS? Cân. 207 § 1. “Por instituição divina, entre os fiéis, há na Igreja os ministros sagrados, no direito também chamados clérigos; e outros fiéis são também denominados leigos” § 2. Em ambas as categorias, há fiéis que , pela profissão dos conselhos evangélicos, mediante votos ou outros vínculos sagrados, reconhecidos e sancionados pela Igreja, em seu modo peculiar consagram-se a Deus e contribuem para a missão salvífica da Igreja; seu estado, embora não faça parte da estrutura hierárquica da Igreja, pertence a sua vida e santidade.
QUEM SÃO OS LEIGOS? Tecnicamente, os religiosos que não pertecem às ordens sagradas também são leigos. No entanto, a distinção entre leigos, de uma parte, e membros da sagrada ordem ou do estado religioso, de outra parte, é utilizada no Vaticano II para tratar, especificamente, dos “leigos”, como são entendido hoje.
QUEM SÃO OS LEIGOS? A Exortação Apostólica CL reconhece que havia uma concepção pré-conciliar negativa dos “leigos” e é objeto do Concílio propor uma visão positiva.
INTRODUÇÃO Todos os leigos devem participar da missão salvadora da Igreja (Apostolicam Actuositatem 33) Ninguém deve esquivar-se dessa missão. Cada um em seu estado: sacerdotes, religiosos e fiéis leigos (CL 2)
INTRODUÇÃO O sínodo identifica tentações dos leigos que o Papa resume em duas: “mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais”, chegando a abdicar “das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, econômico, cultural e político”. “legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas”
INTRODUÇÃO A CL também identifica algumas urgências atuais: secularismo e sede de religião A pessoa humana: dignidade espezinhada e exaltada Conflituosidade e Paz (a guerra fria da época, deu lugar aos grupos extremistas violentos e à ditadura do relativismo)
INTRODUÇÃO Jesus Cristo é a resposta. Todos devem engajar-se (clérigos, religiosos e leigos). O lugar do leigos é insubstituível: “por meio deles a Igreja de Cristo torna-se presente nos mais diversos setores do mundo, como sinal e fonte de esperança e de amor” (CL 7)
A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISTÉRIO Batismo é necessário um resgate da pertença dos leigos à Igreja pelo batismo. Filhos no Filho, Corpo de Cristo, Templos do Espírito Santo
A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISTÉRIO Sacerdotes, Profetas e Reis Não se trata do sacerdócio ministerial, mas do sacerdócio comum a todos os batizados Sacerdotes na participação na celebração da eucaristia e na vida: “os leigos, agindo em toda parte santamente, como adores, consagram a Deus o próprio mundo” (LG 34) Profetas ao fazer brilhar o Evangelho na vida cotidiana, familiar e social. Reis no combate espiritual e na restituição da criação ao seu valor originário: ordenar as coisas criadas para o verdadeiro bem.
A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISTÉRIO “Os fiéis leigos e a índole secular” (CL 15) É própria e peculiar dos leigos (LG 31) A Igreja vive no mundo, mas não é do mundo Os sacerdotes e religiosos têm uma missão no mundo
A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISTÉRIO Os leigos “vivem no século”, na vida normal “O mundo torna-se, assim, o ambiente e o meio da vocação cristã dos fiéis leigos” Os leigos “não são chamados a deixar o lugar que ocupam no mundo” “Mas são chamados por Deus para que aí, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro”
A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISTÉRIO “A índole secular do fiel leigo não deve, pois, definirse apenas em sentido sociológico, mas sobretudo em sentido teológico. ” O leigo é chamado à santidade: a ser santo, como também são chamados os clérigos e os religiosos, mas, especificamente, a “santificar-se no mundo” (CL 17)
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO Tendo estabelecido a especificidade da missão e da santidade dos fiéis leigos no mundo, o documento passa agora a pontuar a sua participação na vida interna da Igreja. Fundamento teológico: A Igreja é comunhão (eclesiologia do Concílio) A comunhão comporta diversidade e complementariedade O Espírito Santo distribui dons hierárquicos e carismáticos
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO Distintos são os ministérios da Ordem Ministérios, ofícios e funções dos Leigos: Cabe aos pastores reconhecer e promover estes ministérios, ofícios e funções dos leigos Fundamento sacramental: Batismo, Confirmação e, muitas vezes, Matrimônio.
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO Quando há necessidade, algumas funções não exclusivas do ministério ordenado, podem ser confiadas aos leigos (CL 23) O normal é que sejam realizadas pelos ministros ordenados, quando há. Se há poucos ministros ordenados, é natural que haja muitos leigos cumprindo funções não exclusivas, mas “ligadas ao ministério dos pastores”.
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO Quando há necessidade, algumas funções não exclusivas do ministério ordenado, podem ser confiadas aos leigos (CL 23) A CL cita o Código de Direito Canônico para dar alguns exemplos: ministério da palavra presidir orações litúrgicas conferir o Batismo (grave ausência de ministros ordenados) distribuir a sagrada comunhão
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO Há também o reconhecimento e o apreço dos Padres Sinodais pela atuação dos leigos em um “vasto panorama” de ministérios, ofícios e funções dos batizados: ação em favor da evangelização, santificação e animação cristã das realidades temporais serviço ordinário nas comunidades eclesiais e generosa disponibilidade para a suplência em situações de emergência
A PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS NA VIDA DA IGREJA-COMUNHÃO A CL trata também do tema da legitimidade das associações de fiéis, do reconhecimento da Igreja destas associações. Não aprofundaremos este tema aqui, mas ressaltamos: é uma realidade rica e ampla que demanda colaboração, comunhão e atenção dos pastores.
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DOIS CAPÍTULOS ESTUDADOS É clara na CL a percepção de uma dupla missão do leigo, uma própria e uma “emprestada”: atuar na santificação do mundo (sua missão particular) dar suporte aos ministros ordenados em sua missão
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DOIS CAPÍTULOS ESTUDADOS Esta “dupla” missão é oferecida em oposição à tentação advertida na introdução: o leigo não deve deixar sua responsabilidade de estar no mundo e ser sal para substituir a função dos ministros ordenados. Por outro lado, em situações emergenciais é reconhecida e desejável esta “contribuição” dos leigos, sem ferir legitimidade da exclusividade dos ministérios ordenados.
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO A missão da Igreja não é exclusividade dos clérigos, mas é uma missão comum de todos, onde os clérigos são chamados “a pastorear de tal modo os fiéis e de tal modo reconhecer os seus serviços e carismas, que todos, cada um segundo o seu modo próprio, cooperem na obra comum” (LG 30) Missão e comunhão são intrinsecamente ligadas
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO Anúncio do Evangelho (CL 33) Nova evangelização: a sociedade mudou: secularismo, indiferença religiosa, pobreza e miséria, ateísmo declarado etc. é preciso “refazer o tecido cristão das próprias comunidades eclesiais”
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO “Os fiéis leigos, por força da sua participação no múnus profético de Cristo, estão plenamente envolvidos nesta tarefa da Igreja” Em particular: testemunho de fé (“única resposta plenamente válida para os problemas” atuais) superar em si mesmos a ruptura entre Evangelho e vida favorecer, no seio das famílias, as vocações missionárias (sacerdotais, religiosas e leigas)
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO “Viver o Evangelho servindo a pessoa e a sociedade” (CL 36 -44) Promover a dignidade da pessoa Venerar o inviolável direito à vida “certos leigos são a isso chamados por um título particular: são os pais, os educadores, os agentes da saúde e todos os que detêm o poder econômico e político”
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO A família (célula da sociedade) (CL 40) “O casal e a família constituem o primeiro espaço para o empenhamento social dos fiéis leigos”: convicção do valor da família para a sociedade e para a Igreja
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO A Caridade (CL 41) serviço aos pobres, enfermos etc. não só pelos indivíduos, mas por grupos e comunidades valorizar as formas de voluntariado: “o voluntariado deve ser visto como sendo uma importante expressão de apostolado, onde os fiéis leigos […] desempenham um papel de primeiro plano”
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO A Política: destinatários e protagonistas (CL 42) “os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na ‘política’, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum. ” Uma política em favor da pessoa (o homem todo e todos os homens)
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO “Os fiéis leigos empenhados na política devem certamente respeitar a autonomia das realidades terrenas”, mas também, “dar testemunho daqueles valores evangélicos que estão intimamente ligados à própria atividade política, como a liberdade e a justiça, a solidariedade, a dedicação fiel e desinteressada ao bem de todos, o estilo simples de vida, o amor preferencial pelo pobres e pelos últimos” Necessidade de os leigos serem iluminados pela doutrina social da Igreja
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO O homem no centro da vida econômico-social (CL 43) Organização do trabalho: “os fiéis leigos empenhem-se em primeira linha na solução dos gravíssimos problemas crescentes do desemprego […] fomentando novos tipos de empresariedade e revendo os sistemas de comércio, de finança e de intercâmbios tecnológicos”
A CORRESPONSABILIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJA-MISSÃO Evangelizar a cultura e as culturas do homem (CL 44) A inculturação do Evangelho A evangelização da cultura
CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPÍTULO ESTUDADO Nada no mundo escapa à missão dos fiéis leigos. Não se trata de reinventar o mundo, ou criar um mundo fantasioso de cristãos, mas de inserir-se responsavelmente no mundo, de atuar de forma autenticamente cristã no mundo, de não separar o Evangelho da realidade do mundo. A Igreja tem urgências para os leigos: a pessoa humana, a família, a política, a ordem social digna etc.
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS Os dois últimos capítulos da CL versam sobre os tipos de trabalhadores da vinha do senhor e sobre a formação dos fiéis leigos. No primeiro trata dos estratos sociais que a Igreja precisa ter atenção: os jovens, as crianças e os idosos.
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS O papel da mulher na Igreja (CL 49): não participam do ministério ordenado, mas tem uma identidade a ser resgatada e valorizada remete à Mulieris Dignitatem
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS Doentes e Atribulados (CL 53): participação no sofrimento de Cristo (Salvifici Doloris) cuidado devido a eles pela Igreja Estados de vida e vocações (CL 55 -56) “dentro do estado laical há lugar para várias ‘vocações’, isto é, diversos caminhos espirituais e apostólicos que dizem respeito a cada fiel leigo”
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS O último capítulo versa sobre a formação dos leigos (CL 57 -63): “necessidade de uma formação integral e permanente dos leigos” “A formação dos fiéis leigos deverá figurar entre as prioridades da Diocese e ser colocada nos programas de ação pastoral”
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS Descoberta e vivência da própria missão do leigo (CL 58) A formação deve favorecer esta descoberta
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS Formação integral para a unidade (CL 59) formação para a unidade: não deve haver dicotomia entre vida espiritual e vida secular formação integral: espiritual, doutrinal, e para os valores humanos.
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS Colaboradores de Deus educador (CL 61) A Diocese e a paróquia (os ministros ordenados e os religiosos) são “lugares” da formação do leigo. A Família enquanto Igreja Doméstica é “lugar” da formação dos leigos. As Universidades Católicas. Os Centros de Renovação Espiritual. Grupos, Associações e Movimentos.
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS A formação reciprocamente recebida e dada por todos (CL 63) Alguns princípios: não deve ser restrita a poucos: a formação é direito e dever de todos os fiéis voltada para realizar a plena vocação humana e cristã
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS criar escolas de formação formar os formadores atenção à cultura local auto-formação (a formação só será efetiva se o formando tomar para si a responsabilidade da formação)
OS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS quanto mais formados, mais podemos formar os outros. recorrer aos meios e métodos das ciências humanas. deixar-se formar por Deus: deixar-se podar para dar mais fruto.
APELO E ORAÇÃO O Papa João Paulo II finaliza com um apelo e uma oração. Citamos um trecho de cada.
APELO A fervorosa oração de Jesus na última ceia ‘ut unum sint!’ deve tornar-se, todos os dias, para todos e cada um, um exigente programa de vida e de ação, a que não se pode renunciar. (CL 64)
ORAÇÃO Virgem Mãe, guia-nos e apoia-nos para vivermos sempre como autênticos filhos e filhas da Igreja do teu Filho e podermos contribuir para a implantação da civilização da verdade e do amor sobre a terra, segundo o desejo de Deus e para a Sua glória. Amém. (CL 64)
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