3 A Nova Aliana em Jesus Cristo o





























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3. – A Nova Aliança em Jesus Cristo (o novo Povo de Deus) Encontros de Formação Cristã Paróquia de Santa Maria de Carreço
3ª sessão – A Nova Aliança em Jesus Cristo (o novo Povo de Deus) Sumário: 1. O tempo de Jesus Cristo 1. 1 – O Império Romano 1. 2 – A Palestina 1. 2. 1 – Situação política 1. 2. 2 – Situação económica 1. 2. 3 – Situação social 1. 2. 4 – As Instituições 1. 2. 5 – As localidades 2. Jesus Cristo – a plenitude dos tempos 2. 1 – O nascimento e infância 2. 2 – A Sua Vida Pública – A «Boa Nova» 2. 3 – Os 12 Apóstolos ( «enviados» ) 2. 4 – Morte 3. As primeiras comunidades cristãs e o papel de São Paulo 3. 1 – As primeiras comunidades cristãs 3. 2 – Paulo de Tarso: o «Apóstolo» 3. 3 – “Epílogo” 4. O Povo de Deus na História (cronologia sintética) – E. F. C. 2 e 3 5. Bibliografia recomendada - E. F. C. 2 e 3
1. O tempo de Jesus Cristo
1. 1 – O IMPÉRIO ROMANO A Palestina está sob dominação romana a partir do ano 63 a. C. (por Pompeu, que chega à Palestina para resolver disputas entre Hircano II e Aristóbulo II). A partir daí, e durante 700 anos (até à conquista árabe em 637), é uma pequena província do imenso Império Romano, que se organiza à volta do Mediterrâneo, mar a que os romanos chamavam de «Mare nostrum» , o nosso mar. O Império Romano na época do Novo Testamento (séc. I d. C) Os Imperadores de Roma… Durante a vida de Jesus Cristo… Durante a época que abrange a redacção do Novo Testamento… Augusto Tibério Calígula Cláudio Nero Galba Otho Vitélio Vespasiano Tito Domiciano Nerva Trajano 27 a. C. - 14 14 - 37 37 - 41 41 - 54 54 - 68 68 - 69 69 - 79 79 - 81 81 - 96 96 -98 98 -117
1. 1 – O IMPÉRIO ROMANO - A língua: o latim é a língua falada a ocidente do Império (Itália, Gália, Espanha…); mas o grego, a língua comum (ou koiné), suplantou, no Oriente, os outros dialectos e é compreendida em todo o Império. A Síria e a Palestina continuam a falar aramaico e o hebraico continua como língua litúrgica. - A administração: o Império é dividido em províncias; umas são governadas por um procônsul (como Sérgio Paulo ou Galião), outras por um legado (Quirino) e outras são confiadas a um prefeito ou procurador (Pôncio Pilatos, Félix, Festo) ou conservam uma aparente autonomia: a Palestina de Herodes, o Grande, e os seus filhos. - Vias de comunicação: a circulação é intensa pelas vias romanas (com as suas postas e os seus albergues), reservadas aos mensageiros imperiais e ao exército, assim como a alguns privilegiados, permitem chegar rapidamente a qualquer ponto do Império. No mar Mediterrâneo e nos rios, numerosos navios transportam mercadorias e passageiros. Factores que favoreceram a unificação do Império: - Justiça: é igual para todos os cidadãos romanos; toda a gente pode apelar para «César» ; neste caso, qualquer outra jurisdição cessa e o acusado é conduzido ao tribunal do Imperador. - Impostos: recaem sobre todos os habitantes; os directos são cobrados sobre as propriedades e sobre cada pessoa; os indirectos, sobre os direitos alfandegários, impostos de barreira… São cobrados pelos publicanos. - Mistura de populações frequente: : o Império era constituído por todo o tipo de gente, com proveniências bem diversas, formando assim cidades cosmopolitas (É nas cidades que o cristianismo se irá expandir mais: os da cidade eram os pagus; o aldeão era o paganus), atingindo a sua população os 50 milhões. Havia os homens livres (dentro destes, uns são cidadãos romanos, seja por direito, seja por nascimento, de descendência de colonos romanos; mas outros são peregrinos, estranhos à cidade romana e gozam de menos direitos); havia ainda os escravos, muito numerosos, vivendo uma vida dura; mas podiam ser libertados, pelo senhor, ou pagando. Daqui deriva a chamada «Pax Romana» , que traduzia uma relativa «paz» : os Romanos deixavam os povos conquistados em paz, desde que se submetessem ao Imperador e pagassem os seus impostos… Alguns destes factores contribuíram para a difusão rápida do cristianismo, tais como a língua e a diversidade de povos; mas também o «vazio de alma» que deixou o Império nos povos conquistados: sentiram que os seus deuses não os protegera dos invasores e o ateísmo alastra, o que constituiu campo fértil para o avanço do Cristianismo!
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 1 - SITUAÇÃO POLÍTICA Os judeus gozam de um estatuto especial: Roma permite que sobreviva a autoridade local (o sumo sacerdote do Templo e o Sinédrio de Jerusalém); estão isentos do serviço militar e do culto à imagem do Imperador; permite-lhes que respeitem o sábado e que possam pagar um imposto anual ao Templo. Contudo, isto tudo sem esquecer que devem obediência ao Imperador de Roma e de pagar os seus tributos… O facto de os judeus serem monoteístas e os romanos politeístas contribuía para um grande atrito entre as partes. A Palestina no tempo do nascimento de Jesus Cristo Formam um estado teocrático, semiindependente, mas com ocupação militar e tributos pesados a Roma. HERODES, O GRANDE -Reinou de 37 a 4 a. C. ; durante o seu reinado nasce Jesus Cristo, cerca de 7 a. C. ; - Rei de Galileia, Samaria, Judeia, Idumeia, Pereia e outros territórios, como a Itureia, a Ulata, a Bataneia, a Traconítide e a Auranítide; ficavam de fora as cidades da Decápole e o território de Ascalon (território de estatuto especial da província da Síria); - A autonomia do reino era limitada à política interna, para as relações externas e para a sucessão do trono, Herodes necessitava de aprovação de Roma. - Aspectos negativos do seu reinado: Herodes não era bem visto, devido em parte às suas origens idumeias, não obstante o casamento com Mariame, descendente dos asmoneus; o seu reinado ficou coberto de terror, por exemplo: a matança dos inocentes, referido em Mateus; as perseguições contra expoentes religiosos judaico, sobretudo fariseus; mandou matar a sua mulher Mariame, algumas das suas 10 mulheres alguns filhos acusados de terem conspirado contra ele (tinha a mania das conspirações e das perseguições!). - Aspectos positivos do seu reinado: a Palestina gozou de certa prosperidade; realizou muitas obras públicas, como a reestruturação e embelezamento do Templo de Jerusalém, o porto de Cesareia Marítima e a reedificação de Sebaste, a antiga cidade da Samaria; as fortalezas de Maqueronte e Massada; os túmulos dos Patriarcas em Hebron; Betsaida (Júlia), o Herodium (magnífico túmulo onde está sepultado, perto de Belém), etc.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 1 - SITUAÇÃO POLÍTICA Governantes locais na época de Jesus Cristo: Depois da morte de Herodes 8 4 a. C. ), o reino foi dividido pelos seus filhos: Arquelau, Herodes Antipas e Filipe. -ARQUELAU, Tetrarca da Judeia, Idumeia e Samaria (4 a. C. – 6 d. C. ); devido à sua brutalidade é deposto em 6 d. C. pelos romanos, que assumiram directamente o governo daquelas regiões através da figura de um procurador (exemplos de procuradores: Copónio, Pôncio Pilatos, Félix, Festo, etc. ); - Destes, o mais importante foi PÔNCIO PILATOS, governador romano, de Judeia, pertencente à Síria ( 26 – 36); no tempo do Ministério de Jesus, é ele que governa e que condena à morte Jesus Cristo; o procurador era responsável pela cobrança de tributos e pela manutenção da ordem pública, sendo só ele que podia condenar à morte; as questões de administração corrente ou menos importantes, eram deixadas às autoridades locais; viviam em Cesareia Marítima, excepto nas grandes festas judaicas, em que se mudavam para Jerusalém, com soldados, para manter a ordem; -HERODES ANTIPAS, rei de Galileia e Pereia (4 a. C. – 39 d. C. ); funda e reconstrói novas cidades, implanta uma importante rede de comunicações entre o Mediterrâneo a oeste e o Lago de Tiberíades a leste; generaliza a administração do tipo romano; é difundida a língua grega; condenou à morte João Baptista; teve também um papel no processo da morte de Jesus Cristo, quando Pilatos o mandou à presença de Herodes; - HERODES FILIPE, governou nas regiões do nordeste do lago de Tiberíades, entre 4 a. C. a 34 d. C. ; algumas cidades (Jâmnia, Azoto e Fasélide) foram destinadas à irmã de Herodes, Salomé; também estes territórios passaram para o controlo do procurador romano. -CAIFÁS, Sumo Sacerdote (18 -37). Junto com o procurador (onde existia) era a figura com maior poder e prestígio. -DECÁPOLE: região das 10 cidades, com vida política autónoma, directamente sob a soberania de Roma; de organização grega (fundadas após a sucessão de Alexandre Magno; A Palestina no tempo do Ministério de Jesus Cristo
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 2 - SITUAÇÃO ECONÓMICA AGRICULTURA: é o principal recurso. Os principais produtos são o trigo e a cevada. As sementeiras começam após as primeiras chuvas. A ceifa da cevada faz-se antes da Páscoa; a do trigo, entre a Páscoa e o Pentecostes; são importantes também a oliveira, a vinha, lentilhas, gro-de-bico, romãs, tâmaras, trufas, rosas (de onde se extrai perfume) e bálsamo de Judeia. As planícies férteis são as de Jezrael, Shefela e Sharon. Nos planaltos da Galileia e da Samaria-Judeia cultiva-se, às vezes, em socalcos; as chuvas, bastante abundantes, caem só entre Outubro e Março e a água deve ser conservada em cisternas. PECUÁRIA: estende-se por toda a parte, de onde se extrai a carne, leite e ajudam em trabalhos agrícolas e deslocações, como o gado ovino, caprino, bovinos (grande parte consumida para sacrifícios no Templo), asnos, camelo e cavalos (este reservado aos ricos). INDÚSTRIA: conhece alguns sectores próprios, como a construção (os trabalhos de Herodes, de Herodes Antipas e de Agripa; Pôncio Pilatos constrói um novo aqueduto). O Artesanato responde às necessidades do dia-a-dia: fabricação de tecidos, de louça e de jóias. PESCA: praticada nos rios e sobretudo no lago de Tiberíades que comercializa o peixe defumado ou seco por todo o país. O Templo é o grande «complexo industrial» : para a sua conservação, as peles do gado bovino e ovino que são curtidas e depois exportadas; o comércio da alimentação daí resultante e das «recordações» … COMÉRCIO: o interno consiste na permuta. O externo consiste em importar produtos de luxo, como cedros do Líbano, incenso, aromas, ouro, ferro e cobre da Arábia, especiarias e tecidos das Índias… Exportam alimentos (fruta, vinho, azeite, peixe), perfumes, peles e betumes do Mar Morto. A Palestina podia ser uma terra onde «corre o leite e o mel» se não existissem a repartição desigual das riquezas e os pesados impostos. Todos pagavam impostos a Roma (à volta de 25% de toda a produção ou negócio): eram os cobradores de impostos, que acompanhados por soldados cobravam esses impostos (às vezes mais do que a conta…). Além disso, pagavam outro 10% ao Templo de Jerusalém, sede do governo local.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 3 - SITUAÇÃO SOCIAL OS RICOS: Uma minoria, fixada sobretudo em Jerusalém, leva uma vida escandalosamente, faustosa: aristocracia sacerdotal de Jerusalém, alguns grandes negociantes, chefes de cobradores de impostos… A CLASSE MÉDIA: constituída pela classe sacerdotal dos maiores centros populacionais, artistas, proprietários rurais… Mas cada dia que passa, aproximavam-se mais dos pobres! OS POBRES: a maior parte da população, a viver em condições desumanas, como jornaleiros, operários, desempregados (em número crescente), os mendigos, os doentes, os ladrões… Dentro destes podemos “isolar” vários grupos particulares: sociais, religiosos e políticos; mas, por vezes, não é possível distingui-los claramente… a) GRUPOS SOCIAIS - O CLERO: a) O SUMO-SACERDOTE: responsável pela Lei e pelo Templo, só ele pode entrar uma vez por ano no Santo dos Santos do Templo; o seu poder político e económico é enorme! b) Os RESPONSÁVEIS DO TEMPLO: fazem parte desta aristocracia, e também fortemente enriquecidos! c) Os SACERDOTES RURAIS: à volta de 7000, próximos do povo, partilham a sua pobreza; exercem a sua função no Templo, uma semana por ano; alguns são escribas, outros fariseus; d) Os LEVITAS: baixo clero; cerca de 10000; preparam os sacrifícios, a música, policiam o Templo (são uma espécie de sacristãos); - ANCIÃOS. Aristocratas laicos; estão agarrados ao poder, inclinandose entre o poder romano e os Sumos Sacerdotes; - ESCRIBAS OU DOUTORES DA LEI. São especialistas na lei; alguns são sacerdotes, mas a maior parte, leigos e fariseus; rodearam a Lei de um sem número de prescrições que parecem ser um jugo escravizante; - PUBLICANOS OU COBRADORES DE IMPOSTOS. São judeus e cobram impostos por conta do ocupante romano; tinham a tendência de cobrar mais o que devido, pelo que eram odiados pelo povo e enriqueciam facilmente; eram tidos como pecadores públicos.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 3 - SITUAÇÃO SOCIAL b) GRUPOS RELIGIOSOS (Normalmente chamados de SEITAS, não no sentido pejorativo, mas no sentido de separar de um grupo maior). - FARISEUS. Fariseu quer dizer «separado» . Têm má fama, mas haveria bons fariseus que tencionavam levar uma vida santa; o Evangelho de João retrata-nos pior do que seriam, pois é um Evangelho escrito em 95, já depois do ano 80, ano em que os judeus expulsaram os cristãos das sinagogas. Pertenciam à classe média, eram austeros, judeus piedosos, obcecados com a pureza ritual; apesar de serem santos e cumpridores, o seu erro estava em que pensavam que tinham ganho o céu com os seus méritos. Acreditavam na ressurreição, nos anjos e na providência divina. Tinham grande influência no povo, apesar de não serem mais de 6000. São eles que salvam o judaísmo após o ano 70, ano da destruição do Templo de Jerusalém. Jesus, na Sua vida e doutrina, aproximava-se dos «bons fariseus» . - SADUCEUS. Casta aristocrática, opostos aos fariseus; descendentes de um tal Sadoc; Negavam a ressurreição e os anjos; apenas aceitavam o Pentateuco; eram pró-romanos, colaborando com eles. - ESSÉNIOS. Espécie de monges que viviam afastados do mundo nas margens do Mar Morto; eram austeros cumpridores da Lei, vivendo na oração e meditação das Escrituras; a sua doutrina é melhor conhecida depois da descoberta dos Manuscritos de Qumram em 1947. - MOVIMENTOS BAPTISTAS. Caracterizam-se pela importância dada ao baptismo como rito de iniciação ou de perdão e por uma atitude hostil mediante o Templo e os sacrifícios sangrentos; o movimento de João Baptista insere-se aqui. - NAZARENOS. Nome pelo qual os judeus designavam os cristãos. - SAMARITANOS. Não são uma seita propriamente dita. Separaram-se do judaísmo oficial; apenas aceitam o Pentateuco, construíram o seu próprio Templo no Monte Garizim; as relações com os judeus são muito tensas. - - «POVO DA TERRA» . Não interferia em nada, arraia miúda ignorante da Lei, incapaz de cumprir todas as suas prescrições e por isso mesmo impura. - PAGÃOS UNIDOS AO JUDAÍSMO. Para o judaísmo, o mundo divide-se nos judeus (circuncisos) e os pagãos (nações, gentios ou incircuncisos); estes podem agregar-se àqueles; os prosélitos são os pagãos que aceitam tudo da fé judaica e seus ritos; os tementes a Deus aceitam a fé judaica, excepto a circuncisão e por isso continuam pagãos.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 3 - SITUAÇÃO SOCIAL c) GRUPOS POLÍTICOS - HERODIANOS. Partidários de Herodes; inimigos de Jesus; colaboradores com os romanos. - ZELOTAS ou ZELOTES. O «zelo» pela Lei, levava-os a um fanatismo exagerado que culminava na resistência violenta e armada ao opressor romano. E a um nacionalismo exacerbado. Esperavam um Messias guerreiro. - SICÁRIOS. Alguns Zelotas chamavam-se de Sicários, pois tinham uma pequena espada, a sica, que facilmente dissimulavam sob as vestes e empunhavam para matar os romanos pelas costas. OS IMPUROS OS POBRES E OS EXCLUÍDOS: Havia vários grupos desprezados, tais como os camponeses, os mendigos, os impuros (leprosos e todo o doente contagioso e com sangue), os estrangeiros (sempre odiados)… OS PECADORES: eram pessoas geralmente pobres, que tinham em comum o terem transgredido alguma das numerosas normas da pureza. Entre proibições e prescrições os mandamentos ascendiam a mais de 600, pelo que o comum das pessoas pobres não chegava sequer a conhecê-las! Até certos trabalhos impediam as pessoas de serem “puras” (por exemplo, pastores, curtidores de peles…). Os «pecadores» não podiam assistir à sinagoga. Na teoria os pecadores podiam passar por um processo de «conversão» , mediante o arrependimento e expiação de pecados. Na prática, tal era quase sempre impossível, pois custava muito dinheiro que não tinham e se o tinham era considerado impuro. Estavam condenados à exclusão social! Os doentes crónicos eram muito marginalizados, pois pensava-se que a sua doença devia-se a castigo de Deus por seus pecados (ou por um pecado de seus pais). Outros grupos desprotegidos: - As MULHERES (especialmente viúvas). Não podiam escolher com quem se casar, as suas orações não serviam para nada, não entravam nas sinagogas, não podiam ter bens, o marido podia divorciar-se delas sem motivo, não podiam estudar, etc. - CRIANÇAS (estas podiam ser maltratadas e vendidas, pois não eram nada, não conheciam a Lei; só começavam a ser a partir dos 12 anos e meio!). Ficava impuro quem tocasse: num leproso, num morto ou numa mulher com a menstruação; e também quem entrasse em casa de um pagão; quando se curavam de certas doenças tinham iniciar um processo perante o sacerdote. Para se apresentar perante Deus tinha antes de se purificar, com lavatórios , gestos e orações em hebraico, idioma que poucos conheciam!
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 4 - AS INSTITUIÇÕES O TEMPLO - O Templo da época de Cristo é já o terceiro (o primeiro, de Salomão, é destruído em 587 a. C. por Nabucodonosor; o segundo é reconstruído por Zorobabel e terminado em 515 a. C. ; o terceiro foi reestruturado por Herodes, o Grande, mas é destruído definitivamente em 70 d. C. ); é construído numa esplanada de 300 x 500 metros; - Centro religioso de culto e oração (é o lugar santo da presença de Deus); - Sede do poder legislativo (Sinédrio); Sede do poder judicial (juízos e condenações, inclusive a pena de morte); Sede do poder executivo (Sumo Sacerdote); Banco Central: guardava, cunhava e cambiava moedas; Mercado e matadouro de animais (imolava-se num enorme altar cordeiros, durante todo o dia); - Quartel da polícia regional (próximo estava o quartel geral dos romanos…) - A planta ao lado mostra-nos as divisões do Templo… a) No Santo dos Santos, câmara vazia fechada pelo véu do Templo, só o Sumo Sacerdote pode entrar uma vez por ano, no dia do Perdão (do Yom Kippur); b) O altar tem 25 metros de lado e 7, 50 metros de altura; aí é sacrificado um cordeiro, de manhã e à tarde como «sacrifício perpétuo» ; e ainda os numerosos sacrifícios privados… c) O vestíbulo das mulheres está separado do dos pagãos por uma balaustrada que nenhum pagão pode transpor sob pena de morte.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 4 - AS INSTITUIÇÕES O SINÉDRIO -Composto por 71 membros, entre fariseus e saduceus e presidido pelo Sumo Sacerdote; -Tem a sua sede no Templo, onde se reúne duas vezes por semana; -Tem poder político: vota as leis, tem uma polícia própria, pode condenar à morte, mas, no tempo de Cristo, já não pode executar a sentença; - Corte suprema religiosa que fixa a doutrina, estabelece o calendário litúrgico e regula a vida religiosa. -Acaba em 70 como poder político, renascendo como poder religioso em Jâmnia; -Em todas as terras há pequenos sinédrios, compostos de 23 membros. O SÁBADO O sábado é, com a circuncisão, a prática mais sagrada. O repouso absoluto, com raríssimas actividades permitidas e um sem número proibidas, minuciosamente codificadas, tais como: cozinhar, arrancar espigas, tirar alguém de um poço… O que devia permitir ao homem descansar e louvar a Deus tornou-se um fardo insustentável, o que explica o grande número daqueles que não conseguiam cumprir! A SINAGOGA E O CULTO «Sinagoga» significa assembleia de crentes. O culto, três vezes ao dia, inclui um ensinamento, uma leitura da Lei, iluminada por um texto dum profeta, e homilia. Qualquer fiel a pode fazer, mas na prática, só está reservada aos escribas e fariseus. A oração, além da recitação de salmos, consiste em três bênçãos que enquadram a recitação do Shema, compêndio da fé de Israel. Termina com as 18 bênçãos pelas maravilhas que Deus fez com o Seu povo.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 4 - AS INSTITUIÇÕES AS FESTAS (Celebram as intervenções salvadoras de Deus na história. Ao celebrá-las, o judeu reconhece o seu Deus, que o elegeu e o libertou, e reconhece-se, ao mesmo tempo, como «o povo de Deus» ). Três grandes festas marcam o ritmo do ano judeu; chama-se «festas de peregrinação» porque nelas é obrigatório para todo o povo subir a Jerusalém (Dt 16). São elas: a Páscoa, Pentecostes e os Tabernáculos. - PÁSCOA: Celebra a libertação da escravidão do Egipto, o Êxodo. Tem como data a primeira lua cheia da Primavera, o 14 de Nisan, e prolonga-se por toda a semana. Talvez tenha origem em duas festas antiquíssimas dos povos de Canaã, mais tarde absorvidas para a celebração do Êxodo pelo Povo de Deus: a Páscoa (era uma festa da pastorícia que oferecia o melhor novilho aos deuses, para garantir fecundidade dos rebanhos; Páscoa significa passagem, ou seja o movimento de transumância do gado dos agricultores das montanhas para as planícies e vice-versa, conforme as estações do ano, para procurarem melhores pastos e clima); e a dos Ázimos (festa de agricultores que oferecia aos deuses as primeiras colheitas, as melhores). Celebrando a Páscoa, o povo judeu celebra de modo exultante a libertação do Egipto e por isso dará à festa um carácter messiânico. A Páscoa passa a ser a passagem em que Deus protege o Seu primogénito: Israel. Oferece-se primogénito dos rebanhos e colheitas a Deus, para O louvar e para Lhe dar o que Lhe pertence, pois a terra é Dele. Haveria duas festas: cada família celebrava a Páscoa e em Assembleia celebravam o Êxodo. Cerca de 200000 peregrinos chegam a Jerusalém para esta festa. Na tarde do 14 de Nisan, degolam-se no Templo os cordeiros que serão comidos em família depois do pôr-do-sol. O entusiasmo é, então, tão grande, que as autoridades romanas receiam motins, e o procurador, que habitualmente reside em Cesareia, sobe também a Jerusalém. - PENTECOSTES. 50 dias depois celebra-se a festa das semanas (7 X 7 =49 dias). Originariamente festa das colheitas ou das semanas (chavuot), portanto alegre, de acção de graças a Deus pela colheita do trigo, veio mais tarde, já na era cristã, a receber um sentido histórico, passando a celebrar a promulgação da Lei mosaica do Sinai, sendo também tornada como a festa da Aliança, ou na renovação da Aliança. Como festa obrigatória dos judeus, eram numerosos os que acorriam a Jerusalém para a celebrar. Em Act 2, 1 s, o primeiro Pentecostes após a morte e Ressurreição de Jesus é transformado na festa do Espírito Santo, ganhando novo significado: o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã na forma de línguas de fogo. . . E transforma, por dentro, inteiramente! TABERNÁCULOS (Sucot, das tendas, da vindima): é a mais espectacular de todas e a mais familiar e festiva. Para recordar a demorada estadia no deserto e a dedicação do Templo de Salomão cada família constrói uma pequena cabana de ramos nos caminhos de entrada da cidade (na sua varanda ou na sala de estar, hoje). Alguns dos ritos desta festa tornaram-se multo populares. Concretamente: cada manhã dos dias da festa, os sacerdotes, acompanhados do povo, que empunha ramos de palmeira nas mãos, vão em procissão à fonte de Siloé, buscar água (Cf Jo 7, 37 s e talvez os «ramos» da entrada de Jesus em Jerusalém). De regresso dão a volta ao altar dos holocaustos cantando o salmo 118(117), derramando depois a água sobre o altar. Ao fim da tarde, acendem-se os 4 grandes candelabros dourados do átrio das mulheres, que se podem ver de toda a Jerusalém. Esta cerimónia é realizada com um sentido messiânico. . .
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 4 - AS INSTITUIÇÕES -DIA DO PERDÃO (Yon Kippur): uma festa penitencial, um dia de jejum em expiação dos pecados, em que todo o povo implora de Deus o perdão e a purificação. Celebra-se 5 dias antes da festa dos Tabernáculos e 10 dias depois da festa do Ano novo. É a única ocasião em todo o ano em que o Sumo-sacerdote entra no Santo dos Santos para o aspergir, em expiação, com o sangue das vítimas (ver Epístola aos Hebreus). Depois impõe as mãos sobre a cabeça de um bode expiatório: carregado, assim, com os pecados do povo, é expulso para o deserto. -DEDICAÇÃO (Hannoukah, das luzes): celebrada em Dezembro, recorda a purificação e dedicação do Segundo Templo, realizada no ano de 164 AC por Judas Macabeu, após a profanação levada a cabo por Antíoco IV Epifânio. Também chamada festa das Luzes porque, nela, iluminavam-se as casas e a sinagoga com lâmpadas, acendia-se urna grande fogueira, e um facho era levado até Modin, terra dos Macabeus. -SORTES (Purim): recorda a salvação do povo obtida por Ester, e que, por isso mesmo, veio a transformar-se numa festa de grande alegria popular, espécie de carnaval judeu. -ANO NOVO (Rosh ha-Shana, Javé Rei): celebrava-se em Setembro, no primeiro dia do sétimo mês, ou Tisri. Era um dia de descanso e de oração ainda mais importante que o Sábado, recordando o inicio do mês mais solene do ano.
1. 2 – A PALESTINA 1. 2. 5 - AS LOCALIDADES Principais localidades de Israel na época do Novo Testamento NA GALILEIA: NA SAMARIA: Betsaida. Terra dos Apóstolos Filipe e Pedro e onde Jesus fez vários milagres. Cesareia Marítima. Aqui Pedro baptizou o Centurião Cornélio. Aqui esteve Paulo preso durante dois anos, até seguir para Roma, a fim de ser julgado. Cafarnaúm. Centro do ministério de Jesus na Galileia. Cesareia de Filipe. Aqui Pedro confessou a sua fé em Jesus. Corozaín. Jesus é mal recebido e prediz a desgraça da cidade. Monte Tabor. Lugar da Transfiguração de Jesus Cristo. Naim. Aqui Jesus ressuscitou o filho de uma viúva. Nazaré. Lugar da Anunciação e de onde Jesus partiu para a Sua missão, terra onde cresceu. Monte Garizim. Aqui erigiram os Samaritanos um templo rival do de Jerusalém. Sicar. Aqui falou Jesus com a Samaritana. NA JUDEIA: Arimateia. Terra de José de Arimateia que obtém de Pilatos a sepultura de Jesus. Belém. Aqui nasceu Jesus Cristo. Betabara (Betânia Além Jordão). Lugar de Baptismo de Jesus pelo Baptista. Por aqui passava o caminho que os judeus da Galileia percorriam para evitar a passagem pela Samaria. Betânia (das Oliveiras). Terra de Marta, Mara e de Lázaro que Jesus ressuscita. Emaús. Aqui apareceu Jesus a dois discípulos, depois da Ressurreição e Se manifestou «ao partir do pão» … Jâmnia. Centro espiritual judeu após a queda de Jerusalém. Jericó. Local onde Jesus cura Bartimeu e onde se converte Zaqueu. Jerusalém. Lugar da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, de vários milagres, das controvérsias com os fariseus, da última Ceia, paixão e morte de Jesus. Maqueronte. Lugar de decapitação de João Baptista. Massada. Último ponto de resistência dos judeus em 73 d. C. . Qumram. Zona com muitas grutas calcárias, onde em 1949 se encontraram importantes manuscritos. Ain-Karim. Lugar da Visitação e onde moravam Zacarias e Isabel, terra natal de João Baptista.
2. Jesus Cristo – a plenitude dos tempos
2 – JESUS CRISTO Childhood of Jesus Nazaré Mar da Galileia Rio Jordão Med iter rân eo 2. 1. – O Nascimento e infância Jerusalém Belém Mar Morto JESUS CRISTO – A PLENITUDE DOS TEMPOS. «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei e para que recebêssemos a adopção de filhos» (Gal 4, 4 -5). «Plenitude» é o momento culminante da História, em que Deus, feito Homem, irrompe na história dos homens, comunicando sentido completamente a esta vida e a esta história. NASCIMENTO DE JESUS. Jesus nasceu entre 5 a 7 a. C. , em Belém, no quadro descrito: -Por um lado, Herodes, o Grande, com a sua mania das perseguições; - Por outro lado, um povo desorientado e oprimido, tenso entre as exigências da lei religiosa e o desafio do dia-a-dia de resistir à exploração e pobreza; as expectativas messiânicas eram elevadas: esperavam um Messias que os iria libertar do jugo romano. Dá cumprimento às profecias bíblicas, entre elas a de Miqueias (5, 2): «E tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá A Sua infância e juventude são passadas em Nazaré, aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde na Galileia e constituem a Sua VIDA OCULTA; os tempos antigos, desde os dias da eternidade. » residiu algum tempo no Egipto
2 – JESUS CRISTO 2. 2 – A Sua Vida Pública – A «Boa Nova» Lá pelo ano 27/28, é baptizado por João Baptista, o que marca o início da Sua vida pública. , marcada pela pregação, apoiada na Sua palavra com autoridade e nos milagres. Apresenta-se como um rabino, não filiado em nenhuma escola. A Sua missão é anunciar que o Reino de Deus está próximo: é a «Boa-nova» ou «Evangelho» . Vive e prega as Bem-aventuranças e o Seu Mandamento do Amor: «Amai -vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15, 12). Jesus escolheu 12 Apóstolos, que O seguiram incondicionalmente e para todo o lado: a eles vai formando de uma maneira especial para a missão no Reino de Deus. Mas outras multidões O seguem, porque Ele fala com autoridade e não como os fariseus e escribas. Jesus nasceu, viveu e morreu numa difícil situação social (já descrita): Jesus toma partido pelos pobres, indefesos e marginalizados; Arriscou a Sua vida e colocou-se ao lado dos excluídos, comeu com eles, conheceu as suas necessidades, deu-lhes esperanças. Fê-los ver que Deus não os despreza, nem castiga, mas pelo contrário: eles são os predilectos de Deus (o próprio Jesus nasceu pobre e humilde). Jesus com a Sua atitude firme e heróica, de consolar e atender com carinho todos aqueles que a sociedade desprezava, segundo diziam, em nome de Deus, apresentou um novo rosto de Deus. Esse Deus que a sociedade apresentava não era o Seu!
2 – JESUS CRISTO 2. 3 – Os 12 Apóstolos ( «enviados» ) PEDRO (forma grega de kefa, cefas = rocha ou pedra). Tinha o nome de Simão, filho de Jonas; natural de Betsaida, na Galileia; era casado e pescador em Cafarnaum, no lago de Genesaré, onde Jesus o chamou para discípulo. Deu-lhe o cognome de kefa ( «rocha» ) em Cesareia de Filipe, quando confessou que Jesus era o Messias: a par do poder de atar e desatar que recebe com os outros Apóstolos (Mt 18, 18), é, pela sua pregação no dia de Pentecostes, o fundador da comunidade primitiva. Teve com João e Tiago um lugar privilegiado com os discípulos e aparece frequentemente como porta-voz dos discípulos. Todavia, renegou Jesus no Seu julgamento pelo Sinédrio. Lucas relata que o Ressuscitado lhe apareceu. Depois da Ascensão de Cristo, aparece como chefe da comunidade de Jerusalém, fez uma viagem missionária a Samaria, Jope e Cesareia, conforme nos narra os Actos dos Apóstolos. Depois da execução de Tiago (44 d. C. ), Pedro foi «para outro lugar» . No Concílio dos Apóstolos, no problema da obrigatoriedade da Lei para os cristãos-gentios, ficou a princípio indeciso; depois, aderiu à convicção de Paulo de que os cristãos-gentios estavam livres da Lei. Segundo a tradição, Pedro exerceu actividade em Roma e aí foi crucificado de cabeça para baixo no reinado de Nero (65 DC), por se considerar indigno de morrer como o Senhor. TIAGO, O MAIOR, filho de Zebedeu: pescador, irmão de João, chamado com ele para Apóstolo, Tiago e João tinham o cognome de Boanerges (filhos do trovão); Tiago fazia parte, com Pedro e João, do grupo dos preferidos ; foi provavelmente o primeiro a dar a vida pela fé, decapitado no ano 44 d. C. , no reinado de Herodes Agripa. JOÃO ( «Javé é misericordioso» ). É descrito como «coluna» da comunidade primitiva (Gal 2, 9) e muitas vezes mencionado logo depois de Pedro. João foi um dos primeiros discípulos que Jesus chamou, era, como Tiago Maior, filho de Zebedeu e pescador como o seu pai. No Evangelho de João, João nunca é mencionado com o nome: é discutido se João é o discípulo que «Jesus amava» e que é mencionado muitas vezes na 2ª parte deste Evangelho: esteve de pé junto da Cruz e foi também ao sepulcro, antes de Pedro. Segundo uma tradição cristã primitiva, João morreu em Éfeso no primeiro quarto do séc. II d. C. , morrendo com idade avançada. O autor do Apocalipse de João chama-se a si próprio João, mas ele e o apóstolo João não são provavelmente a mesma pessoa.
2 – JESUS CRISTO 2. 3 – Os 12 Apóstolos ( «enviados» ) FILIPE ( «Amigo MATEUS ou LEVI ( «Dávida de Deus» ). Filho dos cavalos» ). Apóstolo de Betsaida. A tradição diz que foi crucificado e apedrejado na Frígia. de Alfeu, publicano (cobrador de impostos) em Cafarnaum. Também chamado de Levi. Sua actividade e martírio na Arábia e Etiópia não seguros. Na tradição é-lhe atribuído o Evangelho de Mateus. TIAGO, O MENOR, filho de Alfeu; cognome «o Menor» , usual, desde que Jerónimo o identificou com Tiago, o Menor. BARTOLOMEU ou NATANAEL ( «Dom de Javé» ). Segundo SIMÃO, o Zelota: ( «Deus escutou» ), é dito uma tradição, trabalhou na Índia, Frígia e Arménia e lá foi decapitado, depois de lhe ter sido arrancada a pele. Natural de Caná da Galileia, apresenta-se com Filipe a Jesus. «cananeu» e «zeloso» ; é incerto se Simão pertencia aos Zelotes; não há testemunhos da sua actividade e morte. TOMÉ ( «Gémeo» ). É sobretudo o Evangelho de João que fala dele: 11, 6 (protesto da sua fé); 14, 5 (insegurança na fé); 20, 24 -29 (fé no Ressuscitado). A tradição afirma que exerceu sua actividade no norte da Síria, entre os Partos, e na Índia e morreu atravessado por lanças. JUDAS TADEU. É discutível a sua actividade na Arábia, Síria e Pérsia, sua morte por decapitação e a autoria da Carta de Judas. É possivelmente Tadeu ( «o corajoso? » ); em manuscritos ocidentais, aparece Lebeu; unido desde Orígenes num único nome, Judas Tadeu, para harmonizar certas dificuldades da tradição; a tradição aponta o seu martírio na Pérsia. ANDRÉ ( «o viril» ). Irmão de Pedro, pescador, , o primeiro chamado por Jesus, natural de Betsaida, sobressai algumas vezes nos Evangelhos (por exemplo: na pergunta sobre a data da destruição do Templo. São lendárias as narrações da sua acção apostólica nos Balcãs e sul da Rússia; segundo a tradição foi crucificado numa cruz em forma de X (“cruz de Santo André”). Por ter sido o primeiro chamado, foi-lhe atribuída mais tarde, por motivos de política eclesiástica, a fundação da comunidade de Bizâncio. JUDAS ISCARIOTES. filho de Simão, citado em último lugar nas listas; os 3 primeiros Evangelhos relatam as suas negociações com o Sinédrio, a sua atitude na Última Ceia e o beijo com que atraiçoou Jesus. Perdeu a fé em Jesus como Messias; João fala também na incredulidade e cobiça como causas da traição. Cumpre o desejo dos Sumos Sacerdotes e dos escribas e revela, por 30 moedas, onde Jesus se encontra; na Última Ceia, é chamado traidor por Jesus; depois da sua traição (, enforca-se, com remorsos. Seria o único não galileu, pois «Iscariotes» pode significar «homem de Keriot» (Keriot é na Judeia). Mais tarde é substituído por MATIAS.
2 – JESUS CRISTO 2. 4 – Morte As autoridades tentaram por todos os meios que Jesus mudasse de atitude e pregação. Mas nem ameaças, nem torturas, nem a própria morte, fizessem que mudasse de atitude! Assim, Quinta-feira Santa à noite, no horto do Getsémani, após a instituição da Eucaristia, e por intermédio da traição de um Seu apóstolo (Judas Iscariotes), Jesus é preso, entregue ao Sinédrio, julgado e considerado réu de morte, Depois é conseguida de Pilatos (o procurador romano) a confirmação da sua sentença e execução. Por volta do meio-dia é crucificado, que era a pena mais humilhante e dolorosa, reservada aos escravos, aos grandes criminosos e aos traidores políticos: morreu como um maldito! Às três horas da tarde, numa 6ª feira (provavelmente 7 de Abril do ano 30) exalou o último suspiro. Jesus não teria 33 anos ao morrer como se julga, mas entre 36 a 39 anos (devido ao erro de contagem, já referido, de Dionísio, o Exíguo). A Sua Palavra questiona e interpela, o que leva a que alguns se coloquem a favor e outros contra a Sua mensagem. O grupo não favorável, principalmente as principais autoridades religiosas, que aliadas à autoridade romana, conseguem condenar à morte Jesus Cristo. Como estava próximo o Sábado, era urgente retirar o corpo da Cruz e sepultálo! Depositaram Jesus num túmulo escavado na rocha ali perto, que pertencia a José de Arimateia, membro do Sinédrio e também ele discípulo (oculto) de Jesus Cristo; foi ele que pediu o corpo de Jesus para o sepultar. JESUS MORREU! Terá mesmo acabado tudo? Terão morrido as esperanças que brotaram nos corações rectos e puros?
3. As primeiras comunidades cristãs e o papel de São Paulo
3. 1 – AS PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS A morte de Jesus de Nazaré não assinala o fim do movimento a que deu origem. Pelo contrário, dá lugar à implantação e ao desenvolvimento irresistíveis da semente cristã. No terceiro dia após a Sua morte, o mestre é reencontrado “vivo” pelos Seus antigos discípulos: O facto é anunciado bem alto após o Pentecostes, 50 dias após a Páscoa. (ano 30). Os discípulos, à luz do acontecimento Pascal, avivam as lembranças de Jesus: pregam Jesus Ressuscitado; celebram o Ressuscitado na liturgia, sobretudo na Eucaristia; e ensinam os novos baptizados, retomando as acções e palavras de Jesus. Congregados em «Igreja» , têm 4 características, segundo os Actos dos Apóstolos: eram assíduos ao ensino dos Apóstolos; a comunhão fraterna e partilha de bens; a fracção do pão, reunindo-se ao Domingo; eram assíduos às orações. Os cristãos são ainda, a princípio, judeus: observam o Sábado, a Lei, frequentam as sinagogas… São judeocristãos. A separação começa quando judeus da Diáspora começam a colocar em causa os sacrifícios do Templo; por outro lado, o Concílio de Jerusalém (48), alarga para os pagãos, a possibilidade de serem cristãos. No ano 80 dá-se a ruptura definitiva, como veremos. RESSUSCITOU! Ele é o “vivente”! Ele está connosco! Aos poucos, surgem diferentes ministérios: os anciãos (ou presbíteros), os responsáveis ou vigilantes das comunidades (episcopos em grego), os diáconos (servidores), docentes, profetas, profetisas, etc. Jesus é o centro da comunidade, a Vida. Ele é o Cristo (o ungido), Jesus (Deus salva) é o Emanuel (Deus connosco), o Filho do Homem (Filho do Altíssimo que reinará eternamente sobre a Casa de David e o Seu reino não terá fim), o Filho de Deus nascido da Virgem Maria “por intervenção do Espírito Santo” e “ressuscitado de entre os mortos”: este é o núcleo da profissão da fé cristã, na qual se baseiam as primeiras comunidades: é o kerigma, ou primeiro anúncio. Com o acontecimento Pascal, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Senhor estabelece um culto novo, um novo sacrifício, funda um novo povo, um «novo Israel» , herdeiro das promessas divinas.
3. 2 – PAULO DE TARSO: O «APÓSTOLO» Os cristãos expandem-se por toda a bacia mediterrânica, fundando várias comunidades, desde a Palestina, na Decápole, na Fenícia, Síria, em Alexandria, em Antioquia, depois em Roma… Isto deve-se em grande medida à acção de Paulo de Tarso e ao sentido de responsabilidade dos discípulos, como fazendo parte de uma Igreja missionária. Saulo de Tarso nasceu em Tarso da Cilícia (actual Turquia), entre o ano 1 e 5. Filho de pais judeus, que seriam de condição económica desafogada, pois Paulo era cidadão romano, privilégio que concediam apenas aos mais ilustres. O pai seria tecelão e ele próprio também o será, pois apesar de mais tarde colectas para os pobres, ganha o seu próprio sustento. Em Tarso estudou as ciências gregas e mais tarde em Jerusalém foi discípulo da Escola de Gamaliel, prestigiada Escola de Rabis. O seu duplo nome, Saulo (nome judeu) e Paulo (nome grego) reflecte a influência das duas culturas. Zeloso pela Lei, era fariseu e defendia com ardor o judaísmo; começa a perseguir os cristãos (nova seita nascente…); mais tarde, na Estrada para Damasco (onde ia prender alguns cristãos), deu-se a sua conversão: caindo do cavalo e cego, mais tarde recupera a vista e converte-se ao Salvador! De perseguidor passa a Apóstolo: ele é o grande viajante, chamado «O Apóstolo» , ou o «Apóstolos dos Gentios» . Fez três viagens missionárias principais: -1ª (46 -48) – Antioquia – Chipre – Antioquia da Pisídia – Antioquia – Jerusalém; aqui participou no primeiro Concílio da Igreja: o de Jerusalém; doravante, todo aquele que se quiser converter a Cristo não é necessário que se torne judeu primeiro! Cerca de 1000 km. - 2ª (49 -52) – Antioquia – Tarso – Ásia Menor – Filipos – Tessalónica – Atenas (aqui faz o seu discurso no Aerópago, segundo os Actos dos Apóstolos) – Corinto – Éfeso – Jerusalém – Antioquia. Cerca de 1400 km. -3ª (53 -58) – Antioquia – Éfeso – Corinto – Filipos – Rodes – Jerusalém. Cerca de 1700 km. Entre 51 e 63, escreve inúmeras Cartas às diversas comunidades que visitava, ficando a fazer parte do cânone do Novo Testamento. Sofreu a flagelação, esteve preso sete vezes, uma das quais apelou a César (seria julgado diante do tribunal romano, em Roma). É levado para Roma – a Viagem do cativeiro; mas pelo caminho têm ainda um naufrágio, perto de Malta; em Roma, Paulo está preso domiciliariamente; em 67 ou 68 é decapitado pela espada, pois era cidadão romano.
3. 3 – “EPÍLOGO” ISRAEL – O POVO DA ANTIGA ALIANÇA Entre os anos 66 e 70, os judeus revoltam-se contra os romanos: Tito, filho do Imperador Vespasiano a quem sucederá, toma Jerusalém em 70; o Templo é destruído (definitivamente), milhares de judeus são mortos e deportados para Roma. A resistência dos judeus arrasta-se até o ano 73, altura em que é tomado o último reduto judaico: o forte de Massada (em que se dá um suicídio colectivo). Mas não é o fim do judaísmo: alguns fariseus reunidos em Jâmnia dão à religião uma nova dinâmica: doravante o judaísmo será fariseu. Decidem ainda expulsar os cristãos das sinagogas, o que se dá por volta do ano 80. A ruptura é total! Em 135, Jerusalém é quase arrasada, devido a nova intenção de rebelião por parte dos judeus: é a segunda revolta dos judeus. A partir daí o Povo de Israel nunca mais ergueu a cabeça. A Diáspora continua até o ano 1948, fundação do Estado de Israel. O POVO DA NOVA ALIANÇA EM JESUS CRISTO De referir o fim da era apostólica: - Martírio de São Pedro em Roma (ano 64) - Martírio de São Paulo em Roma (ano 67? ) - Martírio dos restantes Apóstolos e morte de São João - Escritos do Novo Testamento No fim desta época começa a longa História da Igreja. Por volta da segunda revolta judaica, cristãos já tinham, na sua maior parte, fugido de Israel e fixado na Bacia do Mediterrâneo. Nos três primeiros séculos, os cristãos sofrem grandes perseguições, das autoridades religiosas do judaísmo e dos romanos. Durante o reinado dos imperadores Nero, Trajano, Marco Aurélio, Décio e Diocleciano, milhares de cristãos são mortos por se recusarem a adorar deuses impostos pelo império e a reconhecer a divindade do imperador. Começando por Santo Estêvão, o primeiro mártir (cerca de 36), uma infinitude de pessoas deram a sua vida por Cristo! Somente em 313 o imperador Constantino converte-se ao cristianismo e dá liberdade ao cristãos de professarem a sua fé.
4. O Povo de Deus na História (cronologia sintética) – E. F. C. 2 e 3
4. O POVO DE DEUS NA HISTÓRIA (CRONOLOGIA SINTÉTICA) – E. F. C. 2 e 3 1900 a. C. 1800 1700 1600 1500 PATRIARCAS ABRAÃO ISAAC (mudou nome de ABRÃO) 1400 1300 1200 ÊX OD O O POVO DE DEUS NO EGIPTO JACOB (ISRAEL) (mais tarde ISRAEL) FILHOS DE JACOB OPRESSÃO JOSÉ REINO DO NORTE (ISRAEL) – Reis: Jeroboão, Acab, …Profetas: Elias, Eliseu, Amós, Oseias… 700 600 J O S U É ALIANÇA DO SINAI FIM - 722 Profetas: Isaías, Jeremias, Miqueias, etc. CIRO FIM (Sob o poder da BABILÓNIA) 587 Destruição do Templo 10 400 300 DOMÍNIO PERSA (Sob o poder da Assíria) REINO DO SUL (JUDÁ) – Reis: Roboão, Ezequias, Josias, etc. 0 500 20 Filhos de Herodes: Arquelau, Herodes Antipas e Filipe, etc. , até 70, excepto Itureia, Traconítide…, até 98 EXÍLIO DA BABILÓNIA DARIO, etc. REGRESSO – com o Édito de Ciro – reconstrução do Templo e lança-se bases do judaísmo 30 PENTECOSTES 40 Estêvão 1 º mártir, 36 A L E X A N D R E , M A G N O DOMÍNIO LÁGIDA (Ptolomeus) Concílio de Jerusalém Cartas de Paulo (51 -67) 0 MACABEUS DO-MÍ -NIO SELÊUCIDA 60 Viagens de S. DOMÍNIO ROMANO Paulo 46 a 55 JUÍZES (Débora, Gedeão, Jefté, Sansão, etc. 100 P O M P E U – 6 3 a. C. MONARQUIA (Reino unido) S A Ú L DAVID SA-LOMÃO C i s m a 9 3 2 100 Herodes, o Grande 70 Martírio S. Pedro e S. Paulo em 67 900 DOMÍNIO ROMANO INDEPENDÊ NCIA INÍCIO DA REVOLTA DOS ASMONIANOS (MACABEUS) 50 48 ou 49 MORTE JESUS CRISTO 200 DOMÍNIO GREGO (PERÍODO HELENÍSTICO) 1000 CONQUISTAS DA TERRA MOISÉS 800 1100 6 ou 7 a. C: nasce JESUS CRISTO, em Belém 80 Destruição do Templo e Jerusalém 70 90 100 Morte de S. João (cerca 98)
5. Bibliografia recomendada (E. F. C. 2 e 3)